Mobilização em São Paulo reuniu representantes de todo o país em defesa da diversidade, do respeito e da igualdade no trabalho
Trabalhadoras, trabalhadores e dirigentes sindicais de diversas regiões do país participaram na sexta-feira (5) da 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizada na região central de São Paulo. A atividade teve concentração na Praça Roosevelt e seguiu até o Largo do Arouche, reunindo representantes de diferentes categorias em defesa da diversidade, da igualdade de direitos e do combate à discriminação nos ambientes de trabalho. A mobilização também reforçou a importância da organização coletiva na construção de uma sociedade mais justa.
A categoria metalúrgica esteve presente na marcha por meio de dirigentes sindicais que atuam na defesa dos direitos da população LGBTQIA+. A participação reforçou o compromisso histórico do movimento sindical com a construção de locais de trabalho mais inclusivos e democráticos. Além de dar visibilidade às demandas da comunidade LGBTQIA+, a atividade fortaleceu o debate sobre cidadania, dignidade e respeito às diferenças dentro e fora das fábricas, reunindo representantes de diversas regiões do país em torno de pautas comuns.
Papel dos sindicatos
Para Kelly Galhardo, Secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), a mobilização teve papel estratégico na conquista e ampliação de direitos. “A participação da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT na 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ reforça que só avançamos em direitos quando existe igualdade e respeito. Quando as empresas compreendem que a capacidade profissional de uma pessoa não é definida por sua orientação sexual ou identidade de gênero, todos ganham”, afirmou.
Segundo Kelly, a mobilização também contribui para ampliar a visibilidade das pautas LGBTQIA+ e pressionar governos, empresas e a sociedade a avançarem em políticas públicas e acordos coletivos que garantam proteção à população LGBTQIA+. A dirigente destacou que o preconceito ainda aparece de forma recorrente nos locais de trabalho, seja por meio de piadas, exclusões ou obstáculos enfrentados por pessoas trans em questões relacionadas ao nome social e à identidade de gênero.
A secretária ressaltou que o movimento sindical tem buscado enfrentar essas situações por meio da formação de trabalhadoras e trabalhadores, da negociação de cláusulas específicas nos acordos coletivos e da criação de mecanismos de acolhimento. “Preconceito se combate com informação. Também defendemos cláusulas que garantam o respeito ao nome social, ambientes inclusivos e tolerância zero à LGBTfobia. Além disso, é fundamental que pessoas LGBTQIA+ ocupem espaços de representação sindical”, disse.
Visibilidade e respeito
A importância da marcha também foi destacada por Ester Fernandes, secretária LGBTQIA+ do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (SindMetal-PE). Para ela, a mobilização fortalece a luta por direitos e amplia a visibilidade de uma população que ainda enfrenta barreiras para acessar oportunidades no mercado de trabalho. A dirigente ressaltou que o preconceito continua sendo um dos principais desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIA+ em diferentes setores da sociedade.
“A 2ª Marcha Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ é extremamente importante para dar visibilidade à luta dessa população. Ainda vivemos em uma sociedade marcada pela LGBTfobia, e muitas pessoas encontram barreiras para ocupar espaços no mercado de trabalho”, afirmou. Segundo ela, apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda há um longo caminho a ser percorrido para garantir inclusão plena e igualdade de oportunidades para todos.
Ester destacou que a categoria metalúrgica tem ampliado o debate sobre diversidade e inclusão. “Temos percebido um crescimento na contratação de pessoas LGBTQIA+, mas ainda precisamos avançar muito, especialmente quando falamos da inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho”, destacou. A dirigente lembrou ainda que o SindMetal-PE foi o primeiro do estado a criar uma Secretaria LGBTQIA+, ampliando o acolhimento e a assistência às trabalhadoras e trabalhadores.
Voz da Amazônia
Representando o Amazonas e toda a Região Norte, Keite Guedes participou da marcha e das atividades do Coletivo Nacional LGBTQIA+ da CUT. Diretora do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (SindMetal-AM), Secretária de Relações do Trabalho e coordenadora estadual LGBTQIA+ da CUT Amazonas, ela foi a única representante da região nas atividades nacionais realizadas em São Paulo, levando para o debate as demandas específicas da Amazônia.
Para Keite, a distância geográfica e a falta de investimentos em políticas públicas ainda dificultam a participação da população LGBTQIA+ do Norte nos espaços de decisão. “Ser a única representante da Região Norte neste espaço significa levar a voz de milhares de trabalhadoras e trabalhadores que muitas vezes não conseguem ocupar esses ambientes de debate. É uma oportunidade de mostrar que o Norte existe, resiste e precisa ser ouvido”, afirmou.
A dirigente ressaltou que a presença da Região Norte em eventos nacionais é fundamental para garantir que as políticas públicas contemplem as diferentes realidades do país. Segundo ela, levar as demandas da trabalhadoras e trabalhadores do Polo Industrial de Manaus e da Amazônia para os espaços de discussão é uma forma de combater a invisibilidade histórica enfrentada pela população LGBTQIA+ da região e fortalecer a luta por direitos, respeito e dignidade.
Luta coletiva
A marcha integrou a programação do 7º Encontro Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras LGBTQIA+ da CUT, que chegou ao fim neste sábado (6), em São Paulo. Durante três dias, dirigentes sindicais, ativistas e representantes de diversas categorias participaram de debates, atividades de formação política, articulação sindical e mobilização social realizados na sede da Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a APEOESP.
Para Kelly, ao reunir pessoas de diferentes regiões do país, o encontro e a marcha reafirmaram o compromisso do movimento sindical com a defesa da diversidade, da igualdade e dos direitos humanos. A construção de ambientes de trabalho mais justos depende do respeito às diferenças e da participação coletiva.
“Em um cenário ainda marcado pelo preconceito, as atividades consolidaram a defesa dos direitos da população LGBTQIA+ como parte da luta da classe trabalhadora e reforçaram o papel dos sindicatos na construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e livre de discriminação”, concluiu a dirigente.