Escrito por: Cadu Bazilevski

CNM/CUT debate futuro da indústria automotiva no México

Reunião da IndustriALL discutiu eletrificação, acordos comerciais e estratégias sindicais para proteger empregos e direitos

Reprodução
A atividade reuniu sindicalistas de vários países para discutir tendências globais

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) participou da Reunião Regional do Setor Automotivo da IndustriALL, realizada no último dia 27, na Cidade do México.

A atividade reuniu sindicalistas de vários países para discutir tendências globais da indústria, produção de veículos elétricos, avanço das marcas chinesas e comércio automotivo entre o México e os países do Mercosul.

A agenda ocorreu após dois dias de debates sobre direitos sindicais no México e a revisão do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, o T-MEC. As discussões analisaram seus efeitos sobre a indústria, o emprego e a organização dos trabalhadores.

Integração sob alerta
Renatinho relatou que o acordo ajudou, num primeiro momento, a fortalecer a organização sindical e a criar um mecanismo ágil contra violações trabalhistas. Depois, porém, a abertura comercial afetou o parque industrial mexicano.

“Essa conjuntura serve como um alerta para que, em nossos próprios acordos bilaterais, tenhamos o devido cuidado para evitar problemas similares aos enfrentados pelo México”, afirmou Renatinho.

O dirigente citou a forte redução do número de acordos coletivos mantidos no país e a perda de direitos antes assegurados. Também chamou atenção para a fragmentação sindical e a atuação de organizações sem práticas efetivamente democráticas.

Apesar desse cenário, Renatinho considerou positivo o mecanismo de resposta rápida do T-MEC. Segundo ele, o instrumento tem permitido acionar a Justiça com mais eficiência diante de violações e contribuído para fortalecer as reivindicações sindicais.

Para o secretário-geral, acordos entre economias com diferentes graus de desenvolvimento precisam assegurar proteção à produção e ao trabalho. A advertência também vale para as negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

“É fundamental manter vigilância constante, assegurando que os mecanismos de salvaguarda sejam plenamente aplicados para evitar assimetrias competitivas que possam prejudicar setores da nossa economia”, defendeu o dirigente.

Transição e empregos
Na reunião automotiva, a eletrificação e seus reflexos sobre os empregos ocuparam o centro das discussões. México e Brasil registram presença crescente de veículos chineses, embora os efeitos dessa expansão ainda não sejam inteiramente conhecidos.

Um estudo técnico apresentado no encontro indicou que a transição para os veículos elétricos continua incipiente e sem uma estratégia regional consolidada. No México, os motores a combustão ainda sustentam a maior parte da produção automotiva.

A CNM/CUT apresentou um panorama do setor no Brasil. A exposição abordou a organização industrial, os incentivos do governo federal, os desafios da eletrificação, o potencial para produzir baterias e o papel dos biocombustíveis.

“A iniciativa foi de grande valia, pois permitiu construir unidade e buscar soluções coletivas, respeitando as particularidades de cada país”, avaliou Renatinho sobre o resultado da reunião.

Unidade internacional
Participaram dos debates representantes do Japão, México, Estados Unidos, Canadá e outros países. Para Renatinho, conhecer essas experiências ajuda o movimento sindical brasileiro a identificar riscos e evitar falhas já observadas em outros mercados.

Para a CNM/CUT, a articulação internacional é decisiva para acompanhar as mudanças tecnológicas e construir respostas conjuntas em defesa da indústria, dos direitos e dos empregos.

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