Escrito por: Cadu Bazilevski

CNM/CUT fortalece comunicação e organização sindical

Oficina reúne dirigentes para aprimorar a atuação na base, fortalecer a sindicalização e ampliar o uso estratégico de ferramentas digitais

Cadu Bazilevski
Atividade reúne dirigentes para fortalecer a comunicação, a organização na base e a sindicalização

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) realiza, de 17 a 19 de agosto, em Guarulhos, a 1ª Oficina: Comunicação Assertiva e Ferramentas Digitais na Prática Sindical. A atividade reúne dirigentes para fortalecer a comunicação, a organização na base e a sindicalização.

Realizada no Villa Santa Mônica Centro de Convenções, em SP a atividade integra o projeto desenvolvido por CNM/CUT, IG Metall e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC). A formação combina reflexão, troca de experiências e atividades práticas voltadas à ação sindical.

Na abertura, o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, apontou a organização no local de trabalho, a sindicalização e a defesa de direitos como pautas estratégicas diante das mudanças que atingem a indústria e o mundo do trabalho.

“Cada encontro deve ser um momento de reflexão: o que realizamos no último período e quais caminhos devemos trilhar. Mais do que olhar para o passado, precisamos nos desafiar em relação ao futuro”, afirmou.

O dirigente também chamou a atenção para o avanço da inteligência artificial e das novas formas de comunicação. Para Loricardo, compreender as mudanças tecnológicas e os processos produtivos é decisivo para preservar empregos, direitos e capacidade de organização.

“Frequentemente, as empresas nos tratam apenas como custo, quando, na verdade, somos a solução. Precisamos estar atentos para não sermos agentes da nossa própria exclusão”, ressaltou o presidente da CNM/CUT ao tratar das transformações tecnológicas.

Loricardo também defendeu avanços em acordos nacionais que reduzam diferenças de salários, jornadas e direitos entre trabalhadores da mesma categoria. Para ele, a fragmentação entre plantas e regiões enfraquece a capacidade de luta dos metalúrgicos brasileiros.

Ao abordar o cenário internacional, o presidente da CNM/CUT citou o debate sobre o acordo entre União Europeia e Mercosul. “Não somos contra o comércio, mas defendemos a premissa de ‘trabalho igual, direitos iguais’”, frisou.

Formação sindical
O secretário de Organização Sindical da CNM/CUT e do SindMetal-PE, Esdras Vitorino, reforçou o compromisso da entidade com a qualificação das lideranças e destacou que a formação deve oferecer instrumentos para ampliar a atuação dos dirigentes nos locais de trabalho.

“É uma honra estar aqui participando deste curso. A Secretaria de Organização Sindical da CNM/CUT está empenhada em contribuir para a formação dos trabalhadores metalúrgicos de todo o Brasil”, destacou.

Ao lado da secretária de Formação, Maria do Amparo, Esdras reforçou o esforço para aproveitar o conteúdo da oficina. “Vamos fazer de tudo para que os dirigentes que estão aqui possam extrair o máximo de conteúdo desta formação”, acrescentou.

Amparo ressaltou que a oficina foi construída a partir de uma demanda dos próprios dirigentes da base e com atenção às necessidades da ação sindical. Para a secretária, a iniciativa também inaugura uma nova etapa da formação da Confederação.

“Esse curso é muito importante para o trabalho sindical dos dirigentes de todo o Brasil. Ele foi organizado com muita atenção, atendendo a uma demanda dos próprios dirigentes da base da CNM/CUT”, explicou.

A dirigente destacou ainda a construção conjunta da atividade entre as entidades parceiras. “Esta oficina será o ponto de partida de uma nova etapa da formação da CNM/CUT”, observou.

Cooperação internacional
A integrante do Departamento de Relações Internacionais do IG Metall, Angélica Giménez Romo, relacionou a formação à cooperação internacional e à necessidade de fortalecer sindicatos para enfrentar pressões sobre direitos e condições de trabalho.

“O capital nos coloca em competição constante, pressionando por piores condições de trabalho. Nesse cenário, a cooperação entre sindicatos do Brasil e da Alemanha é fundamental para fortalecer nossa atuação”, avaliou.

A dirigente também alertou para a velocidade das transformações no cenário internacional. “A situação global está mudando rapidamente e se tornando mais perigosa para os direitos das trabalhadoras e trabalhadores”, disse.

Diante desse cenário, ela apontou a articulação internacional como parte da resposta do movimento sindical. “Por isso, é fundamental se organizar, cooperar e fortalecer a coordenação entre os sindicatos”, defendeu a representante do IG Metall.

Para Angélica, comunicação e ferramentas digitais também integram esse esforço de organização. “Se fortalecermos os trabalhadores em cada país, podemos construir redes capazes de enfrentar a chantagem e a concorrência desleal”, pontuou.

Comunicação na prática
A programação combina comunicação assertiva, oratória, persuasão e influência com atividades dedicadas ao ambiente digital. Os participantes discutem como redes digitais e aplicativos de mensagens podem aproximar os sindicatos dos trabalhadores.

No segundo dia, a formação aborda influência digital, produção de conteúdo e uso de Instagram e WhatsApp na ação sindical. As atividades propõem mensagens mais claras, objetivas e adequadas aos públicos que as lideranças precisam alcançar no cotidiano.

Aula de oratória
O professor de Oratória e Comunicação Sergio Correa conduz atividades voltadas ao aprimoramento da fala dos dirigentes. Mestre em Comunicação de Interesse Público, especialista em TV Digital, professor universitário e jornalista, participa do primeiro dia.

Correa trabalha comunicação verbal e não verbal, contato visual, entre outras coisas além de modulação de voz, dicção e uso do microfone. A proposta é desenvolver narrativas mais assertivas e ampliar a capacidade de conexão das lideranças sindicais com a base metalúrgica.

Próximos passos
A oficina termina na quarta-feira com visita à planta da Rassini NHK-RNA Automotive, apresentação do Comitê Sindical de Empresa e passagem pela área de produção. A agenda prevê ainda visita guiada ao SMABC.

O encerramento também reserva espaço para o compartilhamento das experiências, construção dos planos de ação, definição dos próximos passos e calendário. A proposta é levar o conteúdo da formação para a prática sindical e para o cotidiano da organização na base.

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