Direção Executiva define encaminhamentos sobre redução da jornada, qualificação sindical, política industrial e agenda da categoria metalúrgica
A Direção Executiva da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) se reuniu na manhã desta terça-feira (30) para definir prioridades da atuação da entidade diante dos desafios do mundo do trabalho. A pauta contemplou desde a mobilização nacional pela redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 até projetos de formação sindical, articulação internacional e contribuições para a construção de uma plataforma de propostas voltada ao desenvolvimento do país.
Grande parte da reunião foi dedicada ao acompanhamento das mobilizações realizadas em diversas regiões do Brasil em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. A direção avaliou a importância da construção conjunta entre sindicatos, federações, centrais sindicais e movimentos sociais para ampliar o debate sobre qualidade de vida, geração de empregos e valorização do trabalho.
Também foram discutidas as agendas realizadas em Brasília, que incluíram reuniões com representantes das centrais sindicais e parlamentares, além da participação em atividades no Senado Federal.
Durante a reunião, o secretário-geral da CNM/CUT, Renato de Almeida, o Renatinho, destacou que a mobilização das metalúrgicas e dos metalúrgicos de todo Brasil deve permanecer como uma das prioridades da entidade nos próximos meses. “A redução da jornada e o fim da escala 6x1 são temas que dialogam diretamente com a vida dos trabalhadores. Precisamos fortalecer esse debate nos locais de trabalho, nas ruas e nos espaços institucionais para avançarmos na conquista desse direito”, afirmou.
Formação sindical
Outro tema de destaque foi o fortalecimento da política de formação sindical. A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, apresentou um balanço das atividades desenvolvidas pelo Projeto Union to Union, que, ao longo de quase quatro anos, formou cerca de 250 dirigentes sindicais dos ramos metalúrgico, químico e têxtil em diferentes regiões do país.
Também foi apresentado o resultado da formação sobre política de sindicalização realizada em Santa Catarina. “A atividade reuniu representantes de seis sindicatos, que construíram planos de ação voltados ao fortalecimento da organização sindical e à ampliação da sindicalização”, disse.
A dirigente também comunicou que a experiência será acompanhada nos próximos meses para avaliar a implementação das propostas elaboradas durante o curso e contribuir para futuras iniciativas da Confederação. “A nova etapa da iniciativa concentrará esforços na preparação das entidades para enfrentar os impactos da reestruturação industrial e ampliar a capacidade de organização e negociação coletiva”, explicou Amparo.
Projetos internacionais
A Executiva da CNM/CUT discutiu o andamento do projeto em parceria com o SASK (Centro de Solidariedade Sindical da Finlândia). A segunda fase da iniciativa terá duração de três anos e será voltada aos debates sobre mobilidade, reestruturação produtiva e os impactos das transformações industriais sobre o emprego. Um encontro nacional está previsto para os dias 14, 15 e 16 de julho, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, reunindo representantes de diversas entidades filiadas à CNM/CUT.
As agendas internacionais também ocuparam espaço na reunião. Os dirigentes debateram temas relacionados à integração latino-americana, ao fortalecimento da atuação sindical no Mercosul e as mudanças em curso na indústria automotiva mundial. A preparação para encontros internacionais e o diálogo com representantes sindicais de outros países foram apontados como estratégicos para ampliar a cooperação e construir respostas comuns diante dos desafios impostos pela reorganização das cadeias produtivas.
Defesa dos trabalhadores
Outro assunto abordado foi a repercussão do caso envolvendo denúncias de agressão contra um trabalhador da Midea. O tema deverá continuar sendo acompanhado pela Confederação, que avalia ampliar o debate público sobre responsabilidade empresarial e transição justa nas relações de trabalho.
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, reafirmou a necessidade de que todas as empresas instaladas no Brasil, independentemente de sua origem, cumpram rigorosamente a legislação trabalhista e respeitem os direitos dos trabalhadores.
Além dos debates políticos, a reunião definiu encaminhamentos para as próximas semanas, incluindo a organização de atividades de formação, a participação em eventos nacionais e internacionais, a elaboração de propostas para o plano de governo em discussão no movimento sindical e o fortalecimento da comunicação das ações desenvolvidas pelos sindicatos filiados.
A avaliação de Loricardo é que a articulação entre mobilização, qualificação dos dirigentes e atuação institucional seguirá como eixo central da estratégia da CNM/CUT diante dos desafios colocados para a classe trabalhadora brasileira para o próximo período.