Encontro reuniu dirigentes sindicais para discutir renda, jornada de trabalho e desafios da classe trabalhadora no Brasil
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) esteve presente, nesta quarta-feira (7), na Jornada Nacional de Debates, realizada na sede do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em São Paulo. O encontro reuniu dirigentes sindicais de diferentes regiões do país para discutir economia, mundo do trabalho e os desafios enfrentados pela classe trabalhadora.
Organizada pelo DIEESE em parceria com a CUT e demais centrais sindicais, a Jornada Nacional vai percorrer os 17 estados onde o departamento possui escritórios regionais, promovendo debates, formação política, produção de conteúdo e mobilizações em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial e do fim da escala 6x1.
O lançamento contou com a apresentação de um estudo técnico sobre o mercado de trabalho brasileiro e os impactos das jornadas exaustivas na vida dos trabalhadores e trabalhadoras. O material aponta que, mesmo com o avanço tecnológico e o aumento da produtividade, a classe trabalhadora segue enfrentando intensificação do ritmo de trabalho, precarização e piora nas condições de vida.
“A Jornada Nacional de Debates reforça a importância de colocar o trabalho no centro do desenvolvimento do país. Não existe crescimento econômico verdadeiro sem valorização da classe trabalhadora, distribuição de renda e geração de empregos dignos”, afirmou o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira.
Loricardo destacou que o movimento sindical precisa ampliar a mobilização em todo o país para garantir o avanço da pauta no Congresso Nacional. “Estamos falando de qualidade de vida, saúde e dignidade para trabalhadoras e trabalhadores. A categoria metalúrgica tem papel fundamental nessa luta e precisamos fortalecer esse debate em todas as regiões do Brasil”, avaliou.
A coordenadora-técnica do DIEESE, Adriana Marcolino, explicou que a Jornada Nacional foi construída para oferecer instrumentos políticos, técnicos e de comunicação ao movimento sindical em um momento decisivo da tramitação da proposta no Congresso.
“A primeira preocupação da Jornada Nacional é colaborar com instrumentos, argumentos e dados para que o movimento sindical possa fazer essa luta. A discussão sobre redução da jornada é também uma disputa pela renda e pela riqueza produzida pela classe trabalhadora”, afirmou Adriana.
Segundo ela, as próximas semanas serão decisivas para pressionar deputados e senadores pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece o fim da escala 6x1, cuja votação está prevista para o fim de maio.
A luta das mulheres
A secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo, destacou que a redução da jornada também é uma pauta social e de saúde. “As trabalhadoras e os trabalhadores enfrentam jornadas exaustivas que afetam a saúde física, mental e a convivência familiar. Debater um novo modelo de jornada é defender mais qualidade de vida”, explicou.
Kelly também defendeu a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão e debate. “As mulheres sentem de forma ainda mais intensa os impactos da sobrecarga de trabalho e da desigualdade. É essencial construir políticas que garantam igualdade, inclusão e melhores condições de trabalho em todo o país”, declarou.
Unidade na luta
Para Renato Almeida, o Renatinho, secretário-geral da CNM/CUT, o encontro reforça a necessidade de unidade na luta sindical. “Os ataques aos direitos trabalhistas exigem organização e participação ativa da classe trabalhadora. O debate promovido pelo DIEESE fortalece a construção coletiva de propostas para o futuro do trabalho”, afirmou.
Renatinho também ressaltou a importância de aproximar o debate econômico da realidade das fábricas. “Quando discutimos jornada, salário e distribuição de renda, estamos falando diretamente da vida da categoria metalúrgica. É fundamental que esses temas cheguem ao chão de fábrica e fortaleçam nossa organização nacional”, concluiu.
A Jornada Nacional de Debates seguirá nas próximas semanas com atividades presenciais em diferentes estados do país, reunindo sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores em torno da mobilização pela redução da jornada de trabalho, valorização salarial e construção de um modelo de desenvolvimento que coloque o trabalho e a vida acima dos interesses do mercado financeiro.
Mais informações no site do DIEESE.