Evento em Brasília discutiu feminicídio, políticas públicas e engajamento masculino na defesa da vida e dos direitos das mulheres
O seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres reuniu autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil em Brasília para discutir políticas de enfrentamento à violência de gênero nesta quarta-feira (4). O encontro abordou o feminicídio no país, estratégias de prevenção e a necessidade de ampliar a proteção e os direitos de meninas e mulheres em todo o Brasil.
A programação também marcou o lançamento do plano do Pacto Brasil entre os Três Poderes para enfrentamento ao feminicídio. Outro eixo do debate tratou do papel dos homens na construção de relações baseadas no respeito e na igualdade, com reflexões sobre desafios e estratégias para fortalecer a defesa da vida das meninas e mulheres.
O seminário foi organizado pelo Conselhão, que é um órgão de assessoramento direto ao Presidente da República que reúne ministros, empresários e sociedade civil para debater políticas públicas.
Este encontro contou com a participação de lideranças e autoridades. Entre elas estavam a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; a presidenta da Petrobras, Magda Chambriard; Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da presidência da República; e a coordenadora técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos Adriana Marcolino.
Para Maria de Jesus, secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), o movimento sindical tem papel importante nesse debate. “A CNM/CUT pode fortalecer essa luta por meio de formação e rodas de conversa com sindicatos, federações e até com o patronal, além da criação de canais de denúncia para as mulheres, envolvendo todas e todos”, disse.
Ela também destacou que a presença da classe trabalhadora metalúrgica nos debates nacionais e nas negociações coletivas tem crescido nos últimos anos. Segundo Maria, ainda é necessário ampliar a participação feminina nos espaços de decisão, mas já existem avanços importantes na defesa de direitos nas fábricas.
“Temos tido alguns avanços como a igualdade salarial, o combate ao assédio e a ampliação de direitos para as mulheres nas fábricas. Para avançarmos cada vez mais nessas pautas também é fundamental eleger mais mulheres na política”, concluiu.
Para o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, que também esteve presente no seminário, o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres também exige o compromisso dos homens e das organizações de trabalhadores.
“A luta pela vida das mulheres não é apenas uma pauta das mulheres, é uma responsabilidade de toda a sociedade e, especialmente, dos homens. Precisamos romper com a cultura de violência e machismo que ainda existe no país. O movimento sindical tem um papel importante nesse processo, levando informação, formação e promovendo o respeito dentro dos locais de trabalho e na sociedade”, afirmou.
Loricardo ressaltou que sindicatos e confederações podem contribuir para ampliar o debate entre os trabalhadores. “Quando falamos de dignidade no trabalho, estamos falando também de respeito às mulheres, de combate ao assédio e de igualdade de direitos. Os homens precisam se somar a essa luta, porque defender a vida das mulheres é defender uma sociedade mais justa para todos”, completou.
O dirigente também destacou que pautas como o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, no qual estamos em luta permanente, têm impacto direto na vida das mulheres.
“A jornada excessiva pesa ainda mais sobre as mulheres, que muitas vezes acumulam o trabalho na fábrica com o cuidado da casa e da família. Reduzir a jornada e acabar com a escala 6x1 também é uma forma de garantir mais qualidade de vida, mais tempo e mais dignidade para as trabalhadoras”, concluiu.