Grupo de trabalho busca unificar negociações nas plantas de Canoas (RS), Manaus (AM) e Pouso Alegre (MG)
Na manhã desta terça-feira (28), ocorreu de forma híbrida o 1º Encontro da Rede Sindical dos Trabalhadores/as da Midea, metalúrgica que atua no segmento eletroeletrônico nacional. Proposta pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, a rede tem como objetivo construir negociações unificadas entre as plantas da empresa, localizadas nas cidades de Canoas (RS), Manaus (MA) e Pouso Alegre (MG).
Antes da reunião, que ocorreu na sede dos metalúrgicos de Canoas, no Rio Grande do Sul, o grupo participou de uma assembleia na porta da fábrica, também em Canoas. Na ocasião, os trabalhadores foram comunicados sobre a construção da Rede Sindical e ouviram relatos das plantas de Manaus e Pouso Alegre.
Articulação da rede
Na abertura do encontro, o presidente da CNM-CUT, Loricardo Oliveira, destacou o trabalho da Confederação na organização das Redes Sindicais. Atualmente, a entidade organiza cerca de 20 redes de trabalhadores/as, facilitando a comunicação e o alcance das negociações em diversas empresas que possuem sedes espalhadas pelo Brasil.
“Hoje, a Midea tem um RH nacional, que trata as negociações olhando para a companhia, e não para a planta. Por isso é importante que também estejamos articulados e unificados, dentro da rede, e junto aos trabalhadores da fábrica, porque não podemos esquecer que é na mobilização que a gente conquista”, destacou Loricardo.
Aprovada em 2006, durante o 9º Congresso Nacional da CUT, as Redes Sindicais surgiram como uma estratégia de organização das categorias e como uma forma de enfrentar a estrutura fragmentada do sindicalismo no Brasil, em que a atuação dos Sindicatos se dá apenas em bases municipais.
Segmento eletroeletrônico
Em um levantamento apresentado pelo DIEESE, a encontro trabalhou dados atuais sobre o setor eletroeletrônico, que representa 16,5% dos metalúrgicos e metalúrgicas no País. Além dos dados de produção e expansão do segmento, a apresentação também abordou a presença das mulheres e as diferenças salariais no setor, informações que ajudam a compreender o perfil e a realidade dos trabalhadores/as no setor.
Segundo a economista Renata Filgueiras, as mulheres são 34%, o que aponta para uma presença significativa do gênero no setor da indústria. Porém, quando avaliada a renda, o levantamento apontou que elas ganham 28,3% a menos do que os homens.
Líder mundial na produção de eletrodomésticos, a Midea também reflete as desigualdades apontadas. Na planta de Manaus, as mulheres recebem cerca de 85% do salário dos homens, diferença que é ainda maior na planta de Canoas, onde elas recebem 65% do que os homens ganham.
Conectando realidades
A partir dos informes específicos de cada região, o grupo começou a conectar temas e construir um quadro comparativo para futuras negociações. PLR e Vale-Alimentação ganharam destaque, uma vez que não há padrão nos acordos de participação e nem um critério claro para a concessão do benefício de VA, que é ofertado em apenas uma das plantas da empresa.
“Hoje nós conseguimos dar um passo importante para a construção de relações e direitos iguais aos trabalhadores da Midea. Com o apoio da CNM, vamos avançar em negociações nacionais, sem divisões, da forma que deve ser”, afirmou o dirigente Cecílio Guterres, metalúrgico da planta de Canoas.