Reunião de dois dias reúne dirigentes de todo o país para discutir conjuntura, eleições, organização da entidade e redução da jornada de trabalho
O Conselho Diretivo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) iniciou, na manhã desta terça-feira (4), uma reunião de dois dias para debater os principais desafios políticos, econômicos e sindicais enfrentados pela categoria. Realizado em formato híbrido, na sede da CUT Nacional, em São Paulo, e pela plataforma Zoom, o encontro reúne dirigentes metalúrgicos de diferentes regiões do país e conta com a participação do Macrossetor da Indústria da CUT (MSI-CUT).
A programação dos dias 4 e 5 de agosto articula temas relacionados à conjuntura nacional, ao desempenho da indústria brasileira, às eleições gerais de 2026, à organização interna da Confederação e às mobilizações em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Entre os assuntos estão a redução da jornada sem redução salarial, o fim da escala 6x1, as campanhas salariais, a participação das mulheres nas atividades da entidade e a preparação do 12º Congresso da CNM/CUT.
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, abriu a reunião prestando homenagem ao dirigente Beto, falecido em decorrência de um acidente em Mato Grosso do Sul, e manifestou solidariedade à família, aos amigos e aos companheiros de militância. Em seguida, alertou para as cerca de 200 demissões anunciadas pela Gerdau, em Pernambuco, e afirmou que o episódio reforça a necessidade de fortalecer a organização sindical diante dos desafios enfrentados pela indústria.
Ao analisar o cenário econômico, Loricardo ressaltou que a categoria deve acompanhar de perto os impactos da desaceleração industrial, das mudanças no comércio internacional e das campanhas salariais do segundo semestre. O dirigente defendeu maior articulação entre os sindicatos para enfrentar as dificuldades do setor, especialmente na cadeia do aço, e destacou que a CNM/CUT continuará promovendo debates e construindo estratégias em defesa do emprego, dos direitos e da produção nacional.
“Precisamos trabalhar isso de forma coletiva. Quando o problema chega à nossa base é que sentimos os impactos, mas somos todos parte da mesma categoria”, afirmou.
Loricardo também convocou os sindicatos a ampliarem a mobilização pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1. O presidente anunciou que a Confederação entregará ao Senado uma carta em defesa da votação da PEC 221, reforçando a atuação política da entidade em Brasília.
Diagnóstico e perspectivas para a indústria
A primeira atividade da programação foi dedicada ao diagnóstico e às perspectivas para a indústria brasileira, com exposição do economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Fernando Lima. Após a apresentação, os dirigentes participaram de um debate sobre os impactos do cenário econômico na indústria metalúrgica, no emprego e nas negociações coletivas.
A secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo, conduziu a abertura do painel técnico e destacou a importância de aprofundar o debate sobre a situação da indústria brasileira. Ela também ressaltou o compromisso da entidade em garantir a participação dos dirigentes de todas as regiões do país e fortalecer a construção coletiva das estratégias da Confederação.
Segundo Kelly, compreender o ambiente econômico e seus impactos sobre o setor metalúrgico é fundamental para qualificar a atuação sindical, subsidiar as negociações coletivas e orientar as respostas da CNM/CUT diante dos desafios enfrentados pela categoria.
Durante sua apresentação, Fernando Lima mostrou que a economia brasileira voltou a crescer nos últimos anos, mas que a indústria de transformação não acompanhou esse movimento com a mesma intensidade. O economista explicou que o setor industrial perdeu participação na economia ao longo da última década, processo que afeta diretamente a capacidade de expansão da indústria metalúrgica.
Ao analisar o comércio exterior, Fernando chamou a atenção para o aumento da dependência brasileira de produtos metalúrgicos importados. Segundo os dados apresentados pelo DIEESE, as importações cresceram de forma expressiva entre 2015 e 2025, enquanto as exportações avançaram em ritmo inferior. Esse movimento ampliou o déficit comercial do setor e fortaleceu a presença de componentes e insumos vindos do exterior, especialmente da China.
O economista também demonstrou que o desempenho da produção foi desigual entre os diferentes segmentos da cadeia metalúrgica. Das 34 classes analisadas, 16 registraram crescimento no volume produzido, enquanto 18 apresentaram retração. Os números indicam que uma parcela significativa da indústria ainda não recuperou o nível de atividade observado antes da crise iniciada em meados da década passada.
Apesar desse cenário, o mercado de trabalho metalúrgico manteve trajetória positiva. Os dados apresentados apontam que o setor alcançou aproximadamente 2,44 milhões de empregos em 2025. No primeiro semestre de 2026, foram criados 44.606 postos de trabalho, mesmo diante do avanço contínuo das importações.
Ao encerrar a exposição, Fernando avaliou que o desempenho da indústria continuará condicionado ao ritmo de crescimento da economia brasileira, às elevadas taxas de juros, ao comportamento do câmbio, à concorrência internacional e às políticas industriais adotadas pelo Estado.
“Fortalecer a indústria nacional permanece como condição essencial para ampliar investimentos, gerar empregos de qualidade e garantir um desenvolvimento econômico sustentável para o país”, afirmou.
Congresso, conjuntura e eleições de 2026
Ainda nesta terça-feira, o Conselho Diretivo debate a preparação do 12º Congresso da CNM/CUT, incluindo a proposta de calendário e a composição da comissão organizadora responsável por conduzir o processo congressual.
No período da tarde, a programação será dedicada à análise da conjuntura política e às eleições gerais de 2026. O debate terá a participação do professor Sérgio Gabrielli e abordará os desafios do processo eleitoral e o Plano Participativo pelo Brasil, pelos Brasileiros.
A reunião prossegue nesta quarta-feira (5), com a apresentação do acordo de cooperação técnica entre a CNM/CUT e o Ministério da Igualdade Racial e o debate sobre a participação das mulheres nas atividades da Confederação. A programação também prevê o lançamento da Plataforma da Classe Trabalhadora da CUT para as Eleições de 2026.
Antes do encerramento, as secretarias da CNM/CUT apresentarão seus informes e os dirigentes discutirão as próximas mobilizações pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1.