Com o anúncio da Citroën, chega a 256.394 o número de veículos em recall este ano no Brasil. Só em dezembro, foram 97.560 automóveis em recalls da Citroën, Toyota, Volvo, General Motors e Renault, segundo levantamento do site Estradas.
Apesar da seqüência de eventos, o número está abaixo do de veículos chamados nos anos de 2006 (369 mil) e 2005 (265 mil). Desde 2000, foram 3,783 milhões de veículos chamados para revisão. Nos Estados Unidos, onde a cultura do recall está mais difundida, ocorreram 525 recalls só no setor automobilístico em dois anos. No Brasil, foram 57 no mesmo período.
Pela lei, as empresas são obrigadas a dizer quais riscos o consumidor corre se continuar a usar aquele produto - no caso dos automóveis, muitas vezes há risco de morte. 'Quando a empresa identifica qualquer elemento que possa trazer riscos ao consumidor, ela tem a obrigação de iniciar um recall. Não fazer recall é um desrespeito ao consumidor e dá pena de 6 meses a 2 anos de prisão', explica a advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Mariana Alves.
A ocorrência mais freqüente são verificações nos freios, mas já houve recalls para troca de macacos e até das alavancas para reclinar o banco.
No mês, montadoras já fizeram recalls de 100 mil carros
A pressa das montadoras em lançar novos produtos e a necessidade de atender o aumento de demanda podem resultar em maior número de carros com defeito. Só este mês foram constatados problemas em quase 100 mil carros, e seus donos terão de voltar às concessionárias para providenciar o reparo. Ontem, a Citroën anunciou o recall de 18.186 modelos C3 e Xsara Picasso para a troca do interruptor do pedal do freio.
'A maioria dos recalls envolve erro de projeto', diz o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos (Sindipeças), Paulo Butori. 'Parte do problema também pode ser a pressa das empresas em lançar novos produtos, até para acompanhar a concorrência'. Butori diz que outros fatores podem resultar em defeito de fabricação, como erro na concepção de engenharia, substituição de matérias-primas que depois não apresentam o resultado esperado, troca de ferramental na linha de produção e até problemas nas ruas e estradas do País. 'Passar com o carro em um bueiro aberto é fora de qualquer padrão'.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, não vê o recall como fruto da urgência em atender consumo ou lançamento de produtos. 'A indústria automobilística é pioneira em recalls e entende a medida como proteção ao consumidor'. O executivo afirma que os processos de engenharia e de homologação das peças para os carros são rigorosos. 'O que ocorreu nesses dias pode ter sido uma coincidência', diz. De quinta-feira até ontem, três montadoras anunciaram recall: a GM, a Renault e a Citroën.
Fonte: Agência Estado