Economista defende democracia, soberania nacional e novas formas de organização diante das transformações no mundo do trabalho
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) promoveu, na tarde desta terça-feira (4), o debate “Eleições 2026: Propostas e Desafios”. A atividade reuniu dirigentes sindicais de diferentes regiões do país para refletir sobre a conjuntura política, econômica e social e seus impactos na organização da classe trabalhadora.
Convidado para conduzir o debate, o economista e professor José Sérgio Gabrielli analisou as transformações estruturais do capitalismo, o fortalecimento da extrema direita em diversos países e os desafios colocados para o movimento sindical diante das eleições de 2026. O encontro integrou a agenda de formação política da entidade.
Ao iniciar sua exposição, Gabrielli afirmou que o Brasil atravessa um novo ciclo de industrialização, marcado pela expansão dos setores de serviços, logística e energias renováveis. Para ele, essa reconfiguração econômica modifica as relações de produção e amplia os desafios enfrentados pelos sindicatos e movimentos sociais.
“Nós estamos tendo uma recuperação não da velha indústria, mas estamos tendo a recuperação de uma nova indústria”, afirmou.
Segundo o economista, os conflitos decorrentes desse processo ultrapassam as relações tradicionalmente estabelecidas entre patrões e empregados. Os novos empreendimentos também produzem impactos diretos nas comunidades e nos territórios onde são instalados, envolvendo questões ambientais, desenvolvimento regional e qualidade de vida.
Gabrielli citou como exemplo a implantação de parques de energia eólica, que pode modificar os territórios, interferir no cotidiano da população e afetar moradores, agricultores e comunidades tradicionais. “Essa nova realidade exige uma atuação sindical capaz de dialogar com diferentes segmentos da sociedade e incorporar pautas que vão além das reivindicações corporativas”, explica ele.
O economista também observou que as transformações econômicas alteraram a própria identidade dos empregadores. Muitos empreendimentos passaram a pertencer a grupos financeiros e fundos de investimento, dificultando a identificação dos responsáveis pelas decisões empresariais. Para Gabrielli, “compreender essa mudança é fundamental para construir estratégias mais eficazes de organização e mobilização da classe trabalhadora”.
Democracia, soberania e redução das desigualdades
Na sequência, Gabrielli relacionou as mudanças econômicas ao fortalecimento da direita e da extrema direita em diferentes partes do mundo. De acordo com ele, esse cenário aumenta a responsabilidade das entidades sindicais e dos movimentos populares na defesa da democracia, da soberania nacional e de um projeto de desenvolvimento comprometido com a redução das desigualdades.
“Nós não podemos aceitar um aprofundamento da desigualdade. Temos que lutar pela redução da desigualdade. Nós não podemos aceitar a quebra dos princípios democráticos. Nós não podemos desistir de pensar na soberania nacional”, declarou.
O professor defendeu que o desenvolvimento brasileiro esteja associado à participação popular, à preservação das instituições democráticas e ao fortalecimento da capacidade do país de definir seus próprios rumos. Nesse sentido, destacou que as eleições de 2026 serão fundamentais para o debate sobre o modelo de desenvolvimento que o Brasil pretende.
Novas formas de mobilização
Ao encerrar sua exposição, Gabrielli destacou que as mobilizações sociais não estão mais concentradas apenas nas greves e campanhas salariais. Pautas relacionadas à saúde pública, à Previdência Social, ao transporte coletivo, à moradia, à sustentabilidade ambiental e à proteção dos serviços públicos ganharam espaço nas lutas populares.
“Os grandes temas que mobilizam as pessoas do mundo não são mais as greves e campanhas salariais. São as mobilizações sociais pelos serviços públicos, pela saúde, pela previdência e pela sustentabilidade”, afirmou.
Ao final da atividade, o economista respondeu às perguntas dos participantes e reforçou que o cenário eleitoral de 2026 será influenciado pelas profundas mudanças econômicas, sociais e geopolíticas em curso.