Audiências públicas avançam debate sobre redução de jornada sem redução salarial e mobilizam trabalhadores e parlamentares
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) acompanhou, em Brasília, dois dias de audiências públicas da comissão especial que debate a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que trata da redução da jornada sem redução salarial e do fim da escala 6x1 no país.
Representando a entidade, o coordenador de Segmentos da CNM/CUT e metalúrgico de Taubaté, Juarez Estevam, destacou a mobilização e rebateu críticas de parlamentares sobre a pauta ser de caráter eleitoral. “Essa colocação de que é ano eleitoral não passa de falácia”, afirmou, ao lembrar que a coleta de assinaturas começou ainda em 2025.
Segundo ele, a proposta tem respaldo concreto das trabalhadoras e trabalhadores. “Nós colhemos milhares de assinaturas e protocolamos com o deputado Hugo Motta. Foi um trabalho na base, com apoio real da categoria”, disse, acrescentando que outros ramos também se mobilizaram em torno da pauta.
Jornada real ampliada
Juarez também chamou atenção para a jornada efetiva enfrentada nas grandes cidades. “Um trabalhador da periferia de São Paulo chega a ter uma jornada de até 13 horas diárias, somando trabalho, almoço e deslocamento”, explicou, ao defender que o debate considere a realidade vivida.
O dirigente criticou ainda os efeitos da reforma da Previdência e destacou como isso já piorou a vida do trabalhador. “Houve aumento da jornada ao longo da vida de forma silenciosa. O trabalhador passou a contribuir mais tempo e a receber menos”, disse, apontando perdas acumuladas que reforçam a necessidade de novos avanços nos direitos.
O deputado federal Alencar Santana afirmou que a proposta beneficia toda a classe trabalhadora. “Com o fim dessa escala degradante e a redução da jornada, todos ganham. É mais dignidade, respeito e valorização”, disse durante a audiência.
Votação se aproxima
Autor da proposta, o deputado federal Reginaldo Lopes sinalizou que a votação está próxima. “No dia 27, vamos votar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário”, afirmou, destacando o fortalecimento coletivo.
Ele também ressaltou o caráter histórico da medida. “Depois de 38 anos da última redução, chegou a hora de avançar novamente. Queremos aprovar na comissão, no plenário, no Senado e promulgar essa conquista”, disse, ao convocar mobilização em defesa da proposta.
A CNM/CUT segue acompanhando os debates em Brasília e reforça a mobilização nacional pela aprovação da PEC, considerada estratégica para garantir melhores condições de vida às trabalhadoras e trabalhadores em todo o país.