Escrito por: CNM CUT

Fiat investe R$ 1 bilhão para reativar fábrica de tratores em Sorocaba

Com mercado aquecido no País, já há fila de espera de quatro meses para alguns modelos

Surpreendidas pelo aumento de pedidos dos produtores rurais, os fabricantes de máquinas agrícolas estão adotando medidas para aumentar a produção. Aumento de capacidade de produção das fábricas, novos turnos de trabalho e contratações de funcionários esbarram, porém, na limitação dos fornecedores de peças. Há fábricas com tratores incompletos nos pátios e alguns modelos têm atualmente fila de espera de quatro meses.

O setor iniciou o ano projetando um aumento de 14,9% nas vendas em relação às 38,3 mil máquinas negociadas em 2007. Neste mês, refez as contas e concluiu que os negócios vão crescer 38,6%, para 53,1 mil unidades, o melhor resultado desde 1986. A produção deve bater recorde com 85 mil máquinas, volume 30,8% maior que o de 2007. O melhor resultado anterior havia sido obtido há 32 anos, com 82,6 mil unidades.

A Case New Holland (CNH), do Grupo Fiat, anunciou ontem a reativação de uma fábrica em Sorocaba (SP) que estava parada desde 2001. Na época, fazia 500 máquinas ao ano para a construção civil e tinha 600 empregados. Na nova fase, passará a produzir 4,5 mil máquinas a partir de 2010 - mais da metade para o setor agrícola - e empregará 1,2 mil funcionários.

O projeto vai consumir quase R$ 1 bilhão. A capacidade instalada será de 8 mil máquinas por ano, além de componentes que vão abastecer as outras três fábricas do grupo e o mercado externo.

"Após vários anos de baixa, o mercado começou a se recuperar a partir do fim de 2006 e achamos que era momento para ampliar nossa capacidade", diz o presidente da CNH, Valentino Rizzioli. A capacidade instalada do grupo está hoje em 28 mil máquinas agrícolas. Este ano, a empresa deve produzir 22 mil unidades.

A fábrica entrará em operação em 2009. A produção própria de vários componentes, como soldagem e usinagem, ajudará a reduzir gargalos.

"Em 2005 e 2006, corríamos atrás de clientes; agora o processo se inverteu e a oferta é menor que a demanda", diz Flávio Crosa, da Agrale. Para alguns tratores há espera de 60 a 90 dias. O normal é até 40 dias.

Em abril, a Agrale iniciou um segundo turno de trabalho e deve ampliar sua capacidade produtiva em 15% a 20% este ano. Só não cresce mais porque os fornecedores não acompanham o ritmo e sempre há veículos incompletos nos pátios.

A Agrale concentra produção em três fábricas em Caxias do Sul (RS) que, em 2007, venderam 2,3 mil máquinas agrícolas, 28% a mais que no ano anterior. Para 2008, a empresa prevê novo aumento de 10% a 15%.

A John Deere inaugurou em maio uma fábrica em Montenegro (RS) para produzir 15 mil tratores ao ano, o dobro da capacidade anterior do grupo. Investiu US$ 250 milhões e contratou 715 funcionários. Outras duas unidades concentram a produção de colheitadeiras, plantadeiras, acessórios e colhedoras de cana.

"Este ano será marcado por níveis recordes de renda agrícola, o que deve provocar nova fase de modernização no campo", diz Gilberto Zago, diretor da John Deere.

O grupo Agco, dono das marcas Massey Ferguson e Valtra, incorporou em 2007 uma nova empresa, a Sfil, antes pertencente a um grupo familiar gaúcho. Com a aquisição, passou a administrar quatro fábricas. Juntas, empregam 3,8 mil funcionários, quadro 43% maior que o de 2006. Algumas divisões operam em três turnos.

"O maior impasse hoje não é a fabricante, mas alguns fornecedores", diz o vice-presidente da Agco, André Carioba. "Há dificuldades no abastecimento e isso dificulta as entregas." Tratores mais sofisticados têm fila de três a quatro meses. Antes, era de um mês e meio.

Fonte: O Estado de S.Paulo