Escrito por: Cadu Bazilevski

Indústria automotiva mobiliza trabalhadores em debate nacional estratégico no ES

Encontro reuniu categorias para discutir eletrificação, importações e defesa da produção nacional com geração de empregos

Sindimetal-ES
O momento exige que o movimento sindical assuma um papel protagonista

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e o Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo (Sindimetal-ES) realizaram, nesta terça-feira (31), o Encontro do Segmento Automotivo. O evento reuniu lideranças das categorias metalúrgica, ferroviária e portuária para discutir o cenário global da indústria e traçar estratégias conjuntas de atuação frente aos novos desafios do setor.

Durante a atividade, foi analisado o avanço tecnológico acelerado em países asiáticos e o crescimento de medidas protecionistas em diversas economias mundiais. Esse panorama internacional, marcado por alta competição e forte investimento estatal, pressiona a indústria brasileira a buscar novos caminhos para manter sua competitividade.

Para o presidente do Sindimetal-ES, Max de Carvalho, o momento exige que o movimento sindical assuma um papel protagonista na defesa do setor nacional. “É essencial discutir alternativas para impulsionar a indústria, atrair novos investimentos e assegurar postos de trabalho que ofereçam direitos e qualidade aos trabalhadores”, destacou o dirigente.

Carvalho também ressaltou a importância de levar a voz dos trabalhadores para os debates em Brasília, onde decisões cruciais sobre a política industrial estão sendo tomadas. O presidente defendeu a ampliação do diálogo para além das lideranças, reforçando a necessidade de envolver e mobilizar a base para que todos compreendam os impactos das mudanças em curso no setor.

Estratégia de desenvolvimento
O secretário de formação do Sindimetal-ES, Fabio Piontkwski, defendeu a instalação de cadeias produtivas no Brasil como estratégia para agregar valor e impulsionar o desenvolvimento econômico. “A gente acredita que é importante instalar essas cadeias produtivas aqui, especialmente para fazer agregação de valor”, afirmou.

Segundo ele, a indústria automobilística se destaca pela geração de empregos qualificados e bem remunerados, além de fomentar uma ampla rede de fornecedores e serviços. “Ela traz o desenvolvimento de toda uma cadeia que faz com que as regiões onde se instala tenham crescimento importante”, disse.

O dirigente alertou, no entanto, para a necessidade de planejamento diante dos impactos locais. “É preciso ter um olhar atento para o que isso pode causar na comunidade, na estrutura de saúde, de mobilidade e de serviços”, destacou.

Piontkwski também defendeu que o país avance na cadeia produtiva, especialmente no contexto dos veículos eletrificados. “A gente precisa deixar de vender terra rara e metais críticos e começar a produzir localmente esse tipo de equipamento, como baterias”, afirmou.

Por fim, ele ressaltou a importância da experiência do ABC paulista como referência para o debate. “O acúmulo do pessoal do ABC, que já viveu a construção e agora a desconstrução dessa indústria, é fundamental para entender onde pode ser positivo e onde não pode, especialmente para o ambiente local”, concluiu.

Avanço dos eletrificados
O secretário-geral da CNM/CUT, Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, afirmou que a entidade levou ao encontro um panorama nacional do setor, com destaque para o crescimento dos veículos eletrificados no país e o aumento das importações.

“A participação da CNM foi fundamental para apresentar o cenário nacional do setor automotivo, especialmente diante do avanço dos veículos eletrificados no Brasil”, afirmou. “Hoje há um crescimento significativo dessas importações, principalmente da China, com a chegada constante de novos carregamentos ao país, o que acende um sinal de alerta”, disse.

Segundo ele, o desafio é garantir que esse processo gere desenvolvimento interno. “O Brasil não pode se tornar apenas um polo de distribuição. Precisamos estruturar o país para essa transição, garantindo que as empresas venham para produzir aqui de fato, e não apenas montar veículos”, afirmou. “Nosso objetivo é desenvolver toda a cadeia produtiva, investir em tecnologia e gerar emprego, renda e melhores condições de trabalho para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros”, disse.

Defesa da produção
Renatinho também destacou a importância da atuação sindical diante da possível instalação de novas montadoras no país. “É fundamental garantir espaço nas mesas de negociação para defender direitos, a sindicalização e o cumprimento da legislação brasileira, assegurando condições dignas de trabalho”, afirmou.

Ele avaliou que o encontro teve papel formativo, especialmente em regiões onde o setor automotivo ainda não é predominante. “Foi uma atividade muito produtiva, com caráter formativo, já que muitos companheiros ainda não tinham contato direto com as transformações do setor”, disse. “É importante compreender que toda a cadeia está interligada, já que o aço é a principal matéria-prima da indústria automotiva”, afirmou.

Conteúdo nacional
O dirigente reforçou que o desenvolvimento industrial passa pela valorização da produção local e pela integração entre setores estratégicos, como ferrovias e portos, também presentes no encontro.

“Nosso foco é garantir conteúdo nacional na produção. Não queremos que as empresas se instalem no Brasil apenas para importar componentes”, afirmou. “É preciso desenvolver a produção local, fortalecendo a indústria e protegendo os empregos”, disse.

Renatinho também citou medidas em debate para conter a concorrência externa. “Já existe um acordo para o aumento gradual das tarifas de importação de veículos, que devem chegar a 35% para carros prontos”, afirmou. “Esse processo é importante para garantir que as empresas se adaptem e passem a produzir efetivamente no país”, disse.

Ao final, ele avaliou o encontro como um avanço na articulação nacional. “Conseguimos avançar no debate e já apontamos a necessidade de ampliar a mobilização para enfrentar os desafios colocados pelo cenário internacional e defender a indústria nacional”, afirmou.

*Com informações do Sindimetal-ES