Escrito por: Redação CNM/CUT

Juros altos fazem Volkswagen parar produção no país

Montadora é mais uma a reduzir seu ritmo de produção por causa da estagnação do mercado provocada pela alta da Taxa Selic

Planta da Volkswagen Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP)

As altas taxas de juros cobradas no país produziram mais estragos na indústria nacional. Desta vez, a Volkswagen anunciou na terça-feira (27) a suspensão temporária da produção de veículos em suas plantas no país por conta da estagnação no mercado. As unidades de São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR) usarão medidas de flexibilização de jornada para reduzir o ritmo de produção.

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Em vídeo gravado na internet, o diretor administrativo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SP), Wellington Messias Damasceno, que é trabalhador na unidade da Volks em São Bernardo, lembrou que mesmo com as medidas do governo federal para estimular a venda de veículos através de incentivos fiscais, a alta da Taxa Selic impede que a venda de veículos seja financiada, já que o crédito bancário tem custo elevado para quem o procura.

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“A decisão do Banco Central de manter os juros a valores tão altos afeta toda a sociedade negativamente neste momento, não só com a parada de produção nas montadoras, mas também afetando toda cadeia de autopeças, serviços e comércio. No final, quem é atingido é cada um dos trabalhadores e trabalhadoras. Por isso é tão importante que todos se engajem nessa luta contra a taxa abusiva de juros”, disse o dirigente.

Em Taubaté, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetau), Cláudio Batista, o Claudião, que também é trabalhador na empresa, disse que o setor automotivo aguardava uma redução dos juros, o que poderia impulsionar o aumento das vendas proporcionado pelo programa do governo federal para carros populares.

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“As medidas do Governo Federal foram medidas importantes, mas precisavam ser complementadas com a redução da taxa de juros. Infelizmente, isso não ocorreu. Esse índice de 13,75% dificulta a situação do setor automobilístico e a venda de produtos financiados”, disse o dirigente ao site do Sindmetau. Ele recorda que o programa do governo federal fez a Volkswagen desistir de um layoff em Taubaté.

Nesta quarta-feira (28), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o governo federal aumentará de R$ 500 milhões para R$ 800 milhões o crédito para bancar o desconto no preço de carros no país. O montante do programa, que também atende caminhões e ônibus, subirá de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,8 bilhão.

Para o secretário-geral da CNM/CUT, Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, esse aumento de subsídios no programa do governo não resolve o problema da falta de vendas das montadoras e tampouco atenua o receio dos trabalhadores do setor automotivo sobre o momento ruim do setor. “O problema maior são os juros do Banco Central, essa é a nossa maior batalha no momento, por isso que estamos nos mobilizando para ir às ruas cobrar que a Selic caia já”, diz o dirigente.

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Até maio, ao menos 13 plantas de montadoras pelo país já haviam paralisado suas linhas de produção por conta das baixas vendas e altos estoques em seus pátios. Existe previsão ainda de mais paralisações, se o ritmo do mercado para o setor não melhorar.