Escrito por: Cadu Bazilevski

Mais uma vez, CNM/CUT amplia pressão no Senado por redução da jornada e fim da 6x1

Mobilização em Brasília garante novos debates, entrega documento aos parlamentares e convoca trabalhadores para atos em todo o país

CNM/CUT
Mobilização realizada em Brasília foi resultado de um trabalho construído diretamente com a base

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) iniciou nesta semana uma intensa agenda de mobilização em Brasília em defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1 porque a luta agora é no Senado Federal. Durante dois dias de atividades, dirigentes da entidade dialogaram com parlamentares, entregaram a “Carta do Brasil que Trabalha” e o abaixo-assinado pedindo a redução de jornada construídos junto à categoria.

O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, afirmou que a mobilização realizada em Brasília foi resultado de um trabalho construído diretamente com a base metalúrgica. Segundo ele, a entrega dos documentos simboliza a participação da classe trabalhadora no debate sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil.

“Passamos aqui no Senado para entregar a Carta ao Brasil que Trabalha, que foi uma construção nossa junto aos trabalhadores, além do abaixo-assinado que percorreu fábricas de todo o país. Quem assinou essa luta está representado aqui. Entregamos esse material também para a presidência do Senado”, afirmou.

Loricardo destacou que a pauta da redução da jornada esteve no centro das atividades realizadas pela entidade durante a semana. “Essa foi uma tarefa que realizamos nesses dias em Brasília. Além de discutir a indústria brasileira, debatemos trabalho, renda e perspectivas para o futuro. Agora é hora de mobilização. Chegou a hora de votar a PEC da redução da jornada e do fim da escala 6x1”, declarou.

Pressão no Senado
Na primeira etapa da agenda, dirigentes da CNM/CUT percorreram gabinetes de senadores que ainda não haviam se posicionado sobre a proposta. O objetivo foi ampliar o diálogo com os parlamentares e reforçar a necessidade de acelerar a tramitação da matéria no Congresso Nacional.

A secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo, destacou o esforço da entidade para ampliar o apoio político à proposta. “Hoje a gente teve um dia intenso aqui em Brasília. Passamos nos gabinetes conversando com os senadores que ainda não se posicionaram pelo fim da escala 6x1”, afirmou.

Kelly também convocou as trabalhadoras e os trabalhadores para a próxima etapa da mobilização nacional. “A gente convoca os trabalhadores para a semana que vem participarem da Semana de Mobilização Nacional na frente das empresas pedindo pelo fim da escala 6x1”, declarou.

Apoio parlamentar
A mobilização contou ainda com o apoio de parlamentares que defendem a redução da jornada. Ao lado do senador Rogério Carvalho, Loricardo reforçou que o momento é decisivo para transformar uma reivindicação histórica em conquista concreta para milhões de trabalhadores brasileiros.

“Chegou o momento de o Brasil reduzir a jornada. Votamos na Câmara Federal e chegou agora no Senado. E contar com esse apoio que o senador está nos dando é fundamental”, afirmou o dirigente.

Carvalho destacou que a pauta está em debate há décadas e depende da participação popular para avançar. “Já não era sem tempo! Desde 1988 que as trabalhadoras e os trabalhadores esperam pela redução da jornada para 40 horas. Mas é preciso mobilização. É preciso que o povo manifeste a sua vontade de ver a jornada reduzida. O fim da escala 6x1 é uma questão de vida, porque existe vida além do trabalho”, ponderou.

1º de julho será o dia D
Outro resultado importante da passagem da CNM/CUT por Brasília foi a construção de novos espaços de debate sobre a proposta. Em reunião com o senador Paulo Paim, dirigentes da entidade participaram das articulações que garantiram uma sessão temática sobre o tema no Senado Federal no próximo dia 1º de julho.

Segundo Paim, também ficou assegurada uma reunião entre as centrais sindicais e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para discutir o calendário de tramitação da proposta.

“Ficou acertado com o presidente Davi Alcolumbre que teremos no dia 1º de julho uma sessão de debates e que todas as centrais vão participar. Garantimos também que o presidente assegure uma reunião em seu gabinete com as centrais. O objetivo é ajustar o calendário para votar a matéria o mais rápido possível. Queremos acabar com a escala 6x1 e aprovar as 40 horas sem redução do salário”, afirmou.

Debate industrial
Além da agenda relacionada à redução da jornada, a direção da CNM/CUT participou de reunião com o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Na ocasião, a entidade apresentou propostas voltadas ao fortalecimento da indústria nacional e à ampliação da participação dos trabalhadores nas decisões estratégicas do setor.

O documento entregue ao governo federal aborda temas como ferrovias, indústria naval, mobilidade, eletroeletrônicos, conteúdo local e criação de espaços permanentes de participação social. Para o presidente da CNM/CUT, o desenvolvimento industrial do país deve caminhar ao lado da valorização do trabalho e da geração de empregos de qualidade.

Próxima etapa
Encerrada a agenda em Brasília, a entidade prepara uma nova fase de mobilização nacional. A proposta é realizar assembleias e atividades nas portas das fábricas de Norte a Sul do país para ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional e fortalecer o apoio popular à redução da jornada.

“Por isso que nós estamos mobilizando, na próxima semana, em todo o Brasil, os metalúrgicos e metalúrgicas. Vamos estar nas portas de fábrica realizando assembleias e declarando apoio à proposta. A luta será nossa. No dia 1º, aqui em Brasília, estaremos mobilizados para essa sessão temática fundamental e para a reunião com as centrais sindicais, que é uma vitória nossa”, afirmou Loricardo.