Escrito por: CNM CUT

Marcopolo produzirá ônibus na Rússia

Nem na China, nem na Índia. A sexta subsidiária da Marcopolo fora do Brasil começa a operar no início de setembro na Rússia, numa joint venture constituída entre a controlada Ciferal e a Ruspromauto, maior fabricante de ônibus daquele país. O investimento anunciado é de US$ 6,5 milhões, dividido em partes iguais entre os dois sócios, e deve gerar uma receita de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões até o fim deste ano.

A nova unidade produzirá modelos rodoviários para ocupar parte do mercado hoje abastecido por veículos usados importados da Europa, em especial da Alemanha, na faixa de 5 mil unidades por ano, além das 300 a 500 produzidas no país, explica José Rubens de La Rosa, diretor geral da Marcopolo.

Nos últimos quatro meses de 2006, a fábrica deverá produzir 200 ônibus para suprir uma demanda reprimida e chegar a até 1 mil por ano num prazo de três anos, atendendo também a países vizinhos.
Conforme o diretor de estratégia e desenvolvimento da companhia brasileira, Ruben Bisi, a negociação com a empresa russa iniciou há pouco mais de um ano, depois que o país aumentou de 50% para 80% o imposto sobre a importação de ônibus usados. Em 2006 a restrição deverá aumentar ainda mais com a redução de sete para cinco anos no limite de idade para os veículos importados.

O acordo com os russos não atrapalha os planos da Marcopolo de também instalar subsidiárias na China e na Índia, afirma De La Rosa. 'O objetivo persiste', garante o executivo. A empresa já tem unidades na Colômbia (em associação com a Superbus), no México (com a marca Mercedes Benz), na África do Sul, em Portugal e na Argentina.

O contrato firmado entre as duas empresas prevê que a Marcopolo fornecerá a tecnologia enquanto a Ruspromauto, um conjunto de indústrias privatizadas após o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e reunidas sob uma holding em 2000, entrará com as instalações industriais.

A joint venture alugará a unidade da Golaz, subsidiária do grupo russo focada na construção de ônibus rodoviários que vinha operando numa escala de 200 unidades por ano. A fábrica fica em Golitsino, na região metropolitana de Moscou.

A Ruspromauto tem uma receita anual global da ordem de US$ 2 bilhões, incluindo fábricas de caminhões, retroescavadeiras, automóveis de passeio, autopeças e componentes. Nos nove primeiros meses de 2005, faturou US$ 371 milhões com a venda de 13,4 mil ônibus e vans, que junto com os modelos 'mini' e urbanos responderam por quase 99% da produção. Por isto a Marcopolo pretende, no futuro, buscar novas 'oportunidades' de negócio nestes segmentos, diz De La Rosa.

Antes disto, porém, a intenção da brasileira é aumentar 'o mais rápido possível' o índice de nacionalização dos produtos rodoviários para escapar do câmbio apreciado do Brasil, revela De La Rosa. No início, 95% dos componentes serão brasileiros, exceto vidros e algumas peças plásticas e eletrônicas, mas em dois anos o nível de conteúdo local deverá chegar a pelo menos 50%. 'Queremos nacionalizar até 100%', adianta o executivo.

Conforme Bisi, o mercado russo chega a 25 mil ônibus de todos os modelos por ano. No Brasil, a produção em 2005 foi de 26,9 mil unidades, 6,7% a mais do que no ano anterior. A Marcopolo produziu 16,4 mil, sendo que 10,8 mil ônibus ficaram no mercado interno e 5,6 mil foram montados no exterior, a maior parte com componentes exportados da matriz brasileira. A receita bruta da empresa alcançou R$ 1,97 bilhão no ano passado e a expectativa é bater nos R$ 2,1 bilhões em 2006.

Fonte
: Valor