Escrito por: Cadu Bazilevski

Metalúrgicas e metalúrgicos iniciam formação sindical internacional no ABC Paulista

Projeto firmado entre CNM/CUT, Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e IG Metall reúne dirigentes sindicais em Santo André até sexta-feira (15) com foco em sindicalização e ação coletiva

Cadu Bazilevski
A atividade acontece no Hotel Plaza Mayor e segue até sexta-feira

Teve início nesta segunda-feira (11), em Santo André, no ABC Paulista, o “Projeto Organização Sindical e Ação Coletiva: Sindicalizados/as, Somos Mais Fortes!”. A atividade acontece no Hotel Plaza Mayor e segue até sexta-feira (15), reunindo dirigentes sindicais, assessorias, representantes de entidades nacionais e internacionais, além de trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos de diferentes regiões do país.

O projeto é desenvolvido em parceria com o IG Metall, um dos maiores sindicatos industriais da Europa e tem como foco fortalecer a sindicalização, ampliar a organização nos locais de trabalho e construir estratégias coletivas diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora. A programação inclui debates, oficinas, estudos de caso, planejamento de ações e troca de experiências entre os participantes.

A secretária de Formação da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Maria do Amparo, afirmou que a iniciativa nasce com expectativa de ampliação para outras regiões do país. Segundo ela, o projeto piloto será desenvolvido inicialmente em empresas que fazem parte da cadeia produtiva da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, fortalecendo o diálogo sindical e a construção de estratégias permanentes de organização nas fábricas e locais de trabalho.

“É uma alegria muito grande poder estar aqui dando um pontapé inicial nesse projeto, que é uma iniciativa que nós estamos com muita esperança. O projeto piloto vai ser aqui na Mercedes e depois vai se expandir e se multiplicar para outras bases que estão dentro da confederação”, afirmou.

A integrante do Departamento de Relações Internacionais do IG Metall, Angélica Giménez Romo, afirmou que essa parceria faz parte de uma longa trajetória de cooperação internacional entre sindicatos metalúrgicos dos dois países. Segundo ela, o intercâmbio de experiências fortalece a organização coletiva e amplia a capacidade de atuação política das entidades sindicais em diferentes países.

“Esse projeto é muito importante para nós. Primeiro, nós trabalhamos há anos junto com a CNM/CUT. É uma longa tradição de cooperação. Por isso, é muito importante para nós trabalharmos junto com as companheiras e os companheiros do Brasil”, disse.

Combate à extrema direita
Amparo destacou que o fortalecimento da sindicalização é decisivo para ampliar a capacidade de mobilização dos sindicatos e enfrentar o avanço da extrema direita e os ataques aos direitos trabalhistas. Segundo ela, a construção de uma base organizada é essencial para sustentar as lutas da categoria metalúrgica e garantir maior participação das trabalhadoras e dos trabalhadores nas decisões coletivas das entidades sindicais.

“Sabemos que estamos enfrentando uma crise mundial, o avanço da extrema direita e inúmeros ataques aos direitos. Depois de muitas pesquisas e análises, a gente sabe que aquele sindicato que tem uma forte sindicalização tem poder para ter uma ação sindical mais forte. Não é só para ser sócio e contribuir financeiramente. A sindicalização é importante para manter a estrutura e continuar a luta, mas o nosso maior poder é o poder político”, destacou.

Organização coletiva
A dirigente também ressaltou que o diálogo permanente com trabalhadoras e trabalhadores fortalece a organização coletiva e amplia a capacidade de resistência nos locais de trabalho. Para Amparo, a sindicalização é um instrumento de construção política e de fortalecimento da atuação sindical nas bases, permitindo que os sindicatos tenham mais representatividade e melhores condições de enfrentar os desafios impostos pelo cenário econômico atual.

“Quando a gente consegue conversar e fazer um sócio, nós estamos ampliando a força do nosso sindicato. É isso que nos liga e nos dá mais força para lutar e fazer o contraponto a esse capital e à extrema direita”, disse.

Parceria internacional
Angélica destacou que a globalização exige articulação internacional entre sindicatos para enfrentar os ataques aos direitos e fortalecer a organização das categorias em diferentes países. De acordo com ela, a união internacional das trabalhadoras e dos trabalhadores é fundamental para ampliar a força política das entidades e construir respostas coletivas diante das transformações econômicas e sociais em curso no mundo do trabalho.

“Nós temos uma globalização que não respeita os direitos das pessoas. Para nos fortalecermos, é fundamental a construção coletiva entre trabalhadores e trabalhadoras, não apenas internacionalmente, mas em todos os aspectos”, destacou.

Ampliar a mobilização
A representante do IG Metall ressaltou que os sindicatos precisam ampliar sua capacidade de mobilização diante da pressão econômica e política enfrentada pela classe trabalhadora. Para ela, somente a atuação conjunta e coordenada permitirá que os sindicatos tenham força suficiente para defender direitos, negociar melhores condições e enfrentar os ataques promovidos contra a classe trabalhadora.

“Nós somos quase dois milhões de pessoas, mas também estamos sob pressão e em posição defensiva lá na Alemanha. Nós apenas conseguimos colocar posições políticas quando somos fortes, quando somos muitos, quando nos coordenamos e trabalhamos juntos”, analisou.

Amparo também reforçou a importância da cooperação internacional para fortalecer a atuação sindical e ampliar o intercâmbio de experiências entre entidades brasileiras e europeias. Segundo ela, a parceria contribui diretamente para a formação de lideranças e para o desenvolvimento de novas estratégias de atuação nos locais de trabalho e nas campanhas de sindicalização promovidas pela CNM/CUT e sindicatos filiados.

“O IG Metall é um sindicato importante, que tem muita força na sua base, e é um grande parceiro de cooperação da CNM/CUT e dos sindicatos brasileiros. Através desta parceria, nós temos certeza de que vamos fortalecer ainda mais os sindicatos metalúrgicos de todo Brasil”, afirmou.

Programação da semana
Durante os cinco dias de atividades, as participantes e os participantes debaterão temas ligados à organização sindical estratégica, campanhas de sindicalização, comunicação sindical, formação de lideranças, cadeias globais de valor, direitos humanos e planejamento de ações coletivas nos locais de trabalho. A programação também prevê oficinas práticas, atividades em grupo e construção conjunta de propostas para fortalecer os sindicatos nas bases.

“Ao longo desses cinco dias, nós vamos compartilhar ferramentas e experiências para que a gente possa ter uma atuação mais consistente nas nossas bases. Agradeço pela disposição de todas e todos que estão aqui e pela oportunidade de fortalecermos ainda mais a nossa organização sindical”, concluiu Amparo.