Mediação no TRT garante proposta de 6% para o piso não qualificado, 5,5% para o profissional e 5,25% de reajuste salarial
Os metalúrgicos de Pernambuco chegaram a uma proposta conciliada para encerrar a Campanha Salarial 2026. O entendimento ocorreu nesta terça-feira (6), em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), após a categoria negociar e rejeitar a oferta patronal e decretar greve.
A proposta construída no Tribunal prevê reajuste de 6% para o piso não qualificado, 5,5% para o piso profissional e 5,25% para os demais salários. Os índices foram aceitos pelas representações dos trabalhadores e do setor patronal durante a audiência de conciliação.
O resultado será apresentado aos metalúrgicos em assembleia de encerramento da campanha, marcada para sexta-feira (9), às 18h30. A negociação ocorreu depois de dias de impasse entre o Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE) e a representação patronal.
“Estamos buscando maior valorização. Desde sexta-feira, a categoria rejeitou a proposta patronal e iniciamos as nossas mobilizações”, afirmou Abinadabe Santos, presidente do Sindmetal-PE, ao fazer um balanço das negociações e da mobilização dos trabalhadores.
Segundo Abinadabe, dirigentes sindicais estiveram nas portas das fábricas na manhã de terça-feira para reafirmar a rejeição à oferta patronal. Mais tarde, representantes da categoria participaram da audiência convocada pelo TRT para tentar solucionar o impasse.
“Neste Tribunal saiu a proposta do Tribunal e foi aceita pela classe patronal. Não poderia ser diferente a classe trabalhadora também concordar com a proposta do Tribunal, porque jamais iríamos aceitar a proposta patronal”, explicou Abinadabe.
Greve pressiona
A categoria havia rejeitado a proposta patronal de 5% em assembleia realizada na sexta-feira (2). Com a decisão, os trabalhadores decretaram greve e iniciaram os procedimentos necessários para realizar paralisações nas empresas caso não houvesse avanço na negociação.
Esdras Vitorino, secretário de Organização Sindical do Sindmetal-PE e dirigente da CNM/CUT, avaliou que a greve não havia sido motivada apenas pela diferença entre os percentuais discutidos na mesa, mas pelo desgaste acumulado ao longo da campanha salarial.
“Não se trata apenas desse 0,5% de ganho real a mais ou a menos que tenha sido determinante para a decretação da greve. É a falta de respeito com os trabalhadores que o patronal vem tendo nessas negociações”, ressaltou Esdras.
Antes do acordo no TRT, os trabalhadores reivindicavam 6% para o menor piso e 5,5% para os demais salários. Com INPC de 3,98%, os percentuais representavam ganhos reais de aproximadamente 1,94% e 1,46%, respectivamente, segundo os cálculos apresentados pelo sindicato.
No início das negociações, segundo o dirigente, o setor patronal chegou a propor reajuste equivalente a 70% do INPC, antes mesmo da divulgação do índice. Com a inflação de 3,98%, a oferta corresponderia a aproximadamente 2,78% de aumento nos salários.
“No princípio da campanha salarial, eles vieram oferecer aos trabalhadores apenas 70% do que desse no INPC. Quando saiu o valor do INPC, que foi 3,98%, os 70% significavam 2,78%. É um absurdo muito grande”, destacou Esdras.
Outro ponto de divergência foi o pagamento das horas extras. Segundo Esdras, o setor patronal pretendia reduzir de 60% para 50% o adicional praticado para a categoria. A mudança permaneceu na mesa até a última rodada de negociação anterior à decretação da greve.
“Além disso, eles queriam reduzir as horas extras de 60% para 50%, como diz a CLT. E seguraram isso até a última rodada da negociação”, pontuou o dirigente, ao explicar os motivos que levaram os trabalhadores a ampliar a mobilização durante a campanha.
Proposta avança
A audiência no TRT mudou o cenário da campanha. A proposta de 5% que havia sido rejeitada pelos trabalhadores deu lugar aos índices conciliados no Tribunal. Para o piso não qualificado, o percentual chegou aos 6%, enquanto o piso profissional terá reajuste de 5,5%.
Para os demais salários, a proposta estabelece reajuste de 5,25%, percentual superior aos 5% apresentados pelo setor patronal antes da greve. Abinadabe relacionou o avanço obtido na audiência à mobilização realizada pelos metalúrgicos desde a rejeição da proposta anterior.
“Não é 5%. Nós conseguimos 6% para o piso não qualificado, 5,5% para o piso profissional e 5,25% para o reajuste salarial, trazendo uma verdadeira valorização para toda a categoria metalúrgica”, frisou o presidente do Sindmetal-PE.
Abinadabe convocou as trabalhadoras e os trabalhadores para a assembleia de sexta-feira, dia 9, quando o sindicato apresentará os termos negociados no Tribunal. O encontro será a etapa de encerramento da Campanha Salarial 2026 após o período de mobilização da categoria.
“Queremos convidar você, trabalhadora, você, trabalhador metalúrgico, para estar presente na nossa assembleia de fechamento nesta sexta-feira, às seis e meia da noite, porque iremos revelar a proposta”, disse Abinadabe.
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