Cerimônia em São Bernardo do Campo marcou a posse de Wellington Damasceno, homenageou Moisés Selerges e reafirmou a força da organização sindical
O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) abriu um novo capítulo de sua história neste domingo (26), ao empossar a diretoria que conduzirá a entidade no mandato 2026-2029. Realizada na Estância Alto da Serra, no Riacho Grande, em São Bernardo do Campo (SP), a cerimônia reuniu cerca de 15 mil pessoas, entre trabalhadoras e trabalhadores, dirigentes sindicais, representantes de movimentos populares, parlamentares, ministros de Estado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Mais do que uma solenidade de transmissão de cargo, o encontro reafirmou a importância histórica do SMABC para o movimento sindical brasileiro e para a construção da democracia no país. A presença de milhares de metalúrgicas e metalúrgicos evidenciou a força da organização coletiva e o compromisso da categoria com a defesa dos direitos, da valorização do trabalho e do fortalecimento da indústria nacional.
Referência nacional
O secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, destacou que a posse da nova direção dos Metalúrgicos do ABC representa um momento estratégico para todo o movimento sindical metalúrgico. Segundo ele, a eleição de Wellington combina renovação geracional com capacidade de articulação política em temas centrais para o desenvolvimento da indústria e da classe trabalhadora.
“Embora tenha uma trajetória construída ao longo de muitos anos, o Wellington representa uma nova geração de dirigentes. É um presidente jovem, preparado, comprometido com a defesa dos trabalhadores e que participa ativamente dos debates sobre política industrial e políticas públicas”, disse.
Renatinho ressaltou ainda que o SMABC é uma referência para toda a América Latina e exerce um papel que ultrapassa a representação da categoria. “É um sindicato que enxerga além dos muros da fábrica. Tem protagonismo na construção de políticas que reverberam para toda a sociedade e, por isso, é uma referência para todo o movimento sindical”, disse.
O dirigente lembrou que a CNM/CUT participa diretamente da nova direção da entidade, com três representantes: além dele, Maria do Amparo e Maicon Michel. Para a Confederação, segundo Renatinho, essa integração fortalece a articulação nacional da categoria e amplia a capacidade de organização das lutas comuns.
“Ter um sindicato dessa importância na nossa base de filiados também aumenta nossa responsabilidade. O desafio é manter o diálogo permanente com os trabalhadores para construir as lutas de forma coletiva, como estamos fazendo agora na campanha pela redução da jornada de trabalho. O ABC, pela sua representatividade, tem um papel fundamental nesse processo”, concluiu.
Novo presidente
Ao assumir a presidência da entidade, Wellington Messias Damasceno destacou que a nova direção chega preparada para dar continuidade ao legado construído por gerações de dirigentes e trabalhadores. Segundo ele, a renovação da direção representa também a continuidade de um projeto coletivo voltado à transformação social por meio da organização da classe trabalhadora.
“Hoje se dá início a uma nova etapa para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC”, afirmou. O novo presidente acrescentou que “um novo mandato começa para seguirmos escrevendo a gigante história de luta que valoriza quem passou e abre caminhos para quem está chegando”.
Para Wellington, a responsabilidade de conduzir uma das entidades sindicais mais respeitadas do país está diretamente ligada ao compromisso de preservar sua história e preparar novas lideranças. “O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é a fábrica das transformações do Brasil”, ressaltou.
Em outro momento do discurso, o dirigente reforçou o significado pessoal da posse. “Tomar posse como presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC é uma grande responsabilidade”, declarou. Wellington disse esperar que “este novo ciclo seja marcado pelo diálogo, pela unidade e por muitas conquistas. Afinal, a força do nosso sindicato sempre esteve nas pessoas que constroem essa história todos os dias”.
Passagem de bastão
Ao transmitir a presidência da entidade, Moisés Selerges encerrou um ciclo de quatro décadas de atuação no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Em seu pronunciamento, afirmou que deixa a direção da entidade para assumir uma nova missão política, sem se afastar da luta em defesa da classe trabalhadora.
“A luta pela classe trabalhadora continua em uma nova fase. Companheiro Wellington Damasceno na presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e nossa candidatura a deputado federal na missão de formar a Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Congresso Nacional”, afirmou.
Em tom de agradecimento, o agora ex-presidente fez um reconhecimento à trajetória construída ao lado da categoria. “Levo o Sindicato no peito e agradeço a todos os companheiros e companheiras que estiveram comigo nestes 40 anos de luta”, declarou. Ao encerrar sua fala, Selerges também convocou a categoria para os desafios políticos dos próximos anos. “Seguimos juntos para reeleger o nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fazer o Congresso Nacional virar a Casa do Povo de verdade. Vamos para cima!”, concluiu.
Reconhecimento
Convidado de honra da cerimônia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância histórica dos metalúrgicos do ABC para o país e reafirmou o compromisso do governo federal com a reindustrialização e a geração de empregos de qualidade. “Essa categoria é muito significativa. Tive a honra de participar das greves mais memoráveis. Nós vamos fazer uma parceria extraordinária com a retomada dos investimentos da indústria automobilística”, afirmou.
Lula também dirigiu uma mensagem a Moisés, que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados. “Quando for eleito, não é para você ser um metalúrgico deputado. Eu quero que você seja um deputado metalúrgico e leve para Brasília suas origens e sua história no sindicato”, disse.
Legado de luta
A posse da nova direção reafirmou o papel histórico do SMABC como uma das principais referências do movimento sindical brasileiro. Em meio aos desafios impostos ao mundo do trabalho, a entidade inicia um novo mandato com o compromisso de fortalecer a organização nos locais de trabalho, ampliar a representação da categoria e defender políticas que promovam desenvolvimento, distribuição de renda e valorização do trabalho.
Sob a liderança de Wellington, a nova diretoria assume a missão de preservar um legado construído ao longo de décadas de mobilização e, ao mesmo tempo, preparar o Sindicato para responder às transformações da indústria e do mercado de trabalho, mantendo viva a tradição de luta que fez dos metalúrgicos do ABC protagonistas da história recente do Brasil.