Projeto avança no Congresso e sindicatos ampliam mobilização nas fábricas e em Brasília durante o mês de maio
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) reuniu dirigentes de diversas regiões do país para alinhar estratégias em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1 na tarde desta sexta-feira (24). O encontro debateu o cenário político em Brasília e definiu ações para ampliar a mobilização nas bases, com foco na pressão sobre o Congresso Nacional e no diálogo direto com trabalhadoras e trabalhadores nas fábricas.
Isso porque o governo federal enviou à Câmara dos Deputados um projeto de lei em regime de urgência que prevê a redução da jornada, com adoção da escala 5x2. Ao mesmo tempo, propostas de emenda à Constituição Federal seguem em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e devem avançar para uma comissão especial após o 1º de maio.
“Estamos diante de uma oportunidade histórica de corrigir uma distorção que penaliza milhões de trabalhadoras e trabalhadores. A redução da jornada sem redução de salário é uma pauta justa e necessária”, afirmou Loricardo de Oliveira, presidente da CNM/CUT.
Pressão e articulação
A avaliação política aponta que a tramitação das propostas deve enfrentar resistência do setor patronal. Diante disso, a orientação da CNM/CUT é combinar articulação institucional com mobilização intensa nas bases, fortalecendo a pressão social sobre parlamentares em um momento decisivo para a pauta.
Representantes estaduais relataram a realização de assembleias, panfletagens e campanhas digitais voltadas à conscientização da categoria. As ações também buscam combater fake news que têm circulado sobre a proposta.
A mobilização deve ganhar força ao longo de maio, especialmente nas atividades do Dia do Trabalhador, com atos e iniciativas em todo o país. “Não há conquista sem luta. Precisamos estar organizados nas fábricas e pressionando no Congresso para garantir direitos iguais em todas as plantas”, destacou Loricardo.
Base em movimento
Os relatos de companheiras e companheiros de diversas regiões na reunião evidenciaram forte insatisfação com a escala 6x1 e com condições de trabalho consideradas desgastantes. Dirigentes sindicais destacaram que a redução da jornada é uma demanda crescente entre trabalhadoras e trabalhadores, embora ainda exista desinformação que precisa ser enfrentada com diálogo e presença sindical nos locais de trabalho.
A reunião reforçou a necessidade de ampliar a comunicação direta com a base, explicando os impactos positivos da nova jornada na saúde, na produtividade e na qualidade de vida. A orientação é intensificar o trabalho nas portas de fábrica e nas redes sociais, garantindo que a informação correta chegue ao conjunto da classe trabalhadora.
“A categoria quer respeito, quer valorização e quer participar das decisões que afetam sua vida”, afirmou Virgínio Balbino, coordenador da Rede Gerdau e secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco.
Próximos passos
Entre os encaminhamentos definidos, estão o acompanhamento permanente da tramitação das propostas no Congresso, a articulação com deputados na futura comissão especial e a organização da presença sindical em Brasília durante as votações, considerada fundamental para pressionar pela aprovação das medidas.
Também foi deliberada a construção de uma mobilização nacional unificada ao longo do mês de maio, envolvendo sindicatos e federações em todo o país. A estratégia inclui ações nas bases, produção de materiais de comunicação e intensificação da pressão política para garantir o avanço da redução da jornada.
De acordo com Loricardo, “a avaliação final da reunião é de que o desfecho das propostas dependerá diretamente da capacidade de organização da categoria”. Por fim, dirigentes reforçaram que “somente com mobilização ampla será possível enfrentar a resistência patronal e assegurar conquistas históricas para trabalhadoras e trabalhadores em todo o Brasil”.