Convênio prevê ações no chão de fábrica e reforça articulação entre governo e movimento sindical
Em reunião realizada na tarde desta terça-feira (14), no Ministério da Igualdade Racial, em Brasília (DF), aconteceu o anúncio de um convênio com a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) para enfrentar o racismo no mundo do trabalho. O encontro reuniu representantes do governo Lula e da entidade sindical, consolidando um processo de diálogo construído ao longo dos últimos meses.
A iniciativa prevê ações de formação, produção de estudos e criação de protocolos para lidar com casos de racismo nas relações de trabalho. O foco é ampliar a incidência nos locais de trabalho, especialmente no chão de fábrica, além de articular a atuação com estruturas já existentes nos territórios, como as Casas da Igualdade Racial e redes de atendimento público.
A secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, enfatizou a necessidade de transformar o acordo em ações concretas no cotidiano das trabalhadoras e trabalhadores. “Não adianta a gente discutir, colocar no papel e não desenvolver. O nosso compromisso é fazer com que isso aconteça de fato”, afirmou ao comentar o avanço das negociações com o ministério.
Ela destacou que o mercado de trabalho ainda é profundamente desigual e racista, com impactos mais severos sobre mulheres negras. “A sociedade é racista e o mercado de trabalho é extremamente racista. No nosso ramo, a mulher negra ganha muito menos”, disse. Segundo Christiane, a entidade já apresentou um plano de ação e aguarda retorno para avançar na execução.
Ação institucional
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, destacou a atuação da entidade junto ao Congresso Nacional e a necessidade de qualificar o debate com dados mais completos. “Nós já fizemos um documento que entregamos hoje na Câmara e vamos levar também à CCJ, com os relatores e a presidência da Casa”, afirmou ao comentar a iniciativa baseada em estudos recentes sobre o mundo do trabalho.
Ele criticou a ausência de recortes de raça e gênero em análises apresentadas por órgãos como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. “Tem recorte de renda, de precariedade, mas não aparece gênero nem raça. Isso limita a compreensão da realidade”, disse.
A secretária-executiva do ministério, Bárbara Oliveira Souza, afirmou que o convênio está em fase de tramitação interna e deve avançar nos próximos dias, com avaliação técnica da pasta. “Hoje é mais para afirmar que estamos juntos, que há um trabalho em andamento e uma preocupação concreta do ministério com esse tema”, declarou.
Ela também destacou a estrutura já existente para execução das políticas públicas. O sistema nacional de promoção da igualdade racial, presente em diversos municípios, deve servir de base para as ações. Bárbara ressaltou ainda o papel das Casas da Igualdade Racial, que oferecem atendimento jurídico, psicológico e social, além de iniciativas de formação e inclusão produtiva.