Escrito por: Cadu Bazilevski

Mobilizações em todo Brasil pressionam Congresso pelo fim da escala 6x1

Atos desta sexta reuniram metalúrgicas e metalúrgicos em várias cidades, CUT, Centrais e movimentos sociais e reforçou pressão por jornada menor sem corte salarial

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Trabalhadoras e trabalhadores de diversas regiões do país foram às ruas nesta sexta-feira (20)

Trabalhadoras e trabalhadores de diversas regiões do país foram às ruas nesta sexta-feira (20) em um dia nacional de mobilização pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Convocado por centrais sindicais e movimentos populares, o ato pressionou o Congresso Nacional a avançar na pauta, considerada histórica pela classe trabalhadora.

A mobilização reuniu organizações como a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), CUT, CONTAC, FETQUIM, CNTRV, CONTICOM, SINERGIA, VAT e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Em várias cidades, manifestações, panfletagens e assembleias ampliaram o debate sobre a necessidade de atualizar a legislação trabalhista diante das transformações tecnológicas e das mudanças no mundo do trabalho.

“O recado das ruas foi muito claro: a classe trabalhadora quer viver melhor, com mais tempo para a família e menos desgaste físico e mental”, afirmou o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira. “A mobilização mostrou força e deixou evidente que reduzir a jornada sem cortar salários é uma pauta urgente e possível, que depende de vontade política para avançar no Congresso”, completou.

As manifestações tiveram alcance nacional, com registros em diversas capitais e cidades, evidenciando a capilaridade do movimento e a adesão em diferentes regiões do Brasil.

Para a secretária de Mulheres da CNM/CUT, Maria de Jesus, a presença expressiva de trabalhadoras reforçou o caráter social da reivindicação. “As mulheres estiveram na linha de frente desta mobilização porque sentem diretamente o peso das jornadas múltiplas”, afirmou. “Reduzir o tempo de trabalho é uma medida de justiça, que impacta na saúde, na qualidade de vida e na redução das desigualdades”, disse.

Impactos da escala 6x1
Durante os atos, dirigentes sindicais destacaram os efeitos negativos da escala 6x1, modelo em que se trabalha seis dias consecutivos com apenas um de descanso. Segundo as entidades, esse formato está diretamente associado ao aumento do cansaço, do estresse e de doenças relacionadas ao trabalho, além de limitar o convívio familiar e o acesso ao lazer e à formação.

Levantamentos apresentados pelas organizações reforçam o apoio social à pauta. Pesquisa do Datafolha indica que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6x1, evidenciando que a proposta já ultrapassa o campo sindical e ganha respaldo amplo na sociedade.

Geração de empregos
Outro ponto central do debate foi o potencial de geração de empregos com a redução da jornada. Estudo do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, da Unicamp, aponta que a medida poderia criar até 4,5 milhões de vagas no país, a partir da reorganização das jornadas e da necessidade de novas contratações.

Dados recentes também foram lembrados durante a mobilização. Cerca de 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores a 44 horas semanais, enquanto, apenas em 2024, foram registrados aproximadamente 500 mil afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho, muitas delas associadas ao excesso de carga horária.

A pressão continua
As entidades avaliam que a mobilização desta sexta foi um passo importante para ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional. “Os trabalhadores deram um recado forte nas ruas e isso não termina aqui”, analisou Loricardo. “Vamos seguir organizando a base, dialogando com a sociedade e cobrando dos parlamentares uma posição concreta. A redução da jornada é viável, necessária e tem apoio popular”, disse.

Para os organizadores, a continuidade das mobilizações será decisiva para transformar a pauta em realidade. “A avaliação é de que, diante das mudanças tecnológicas e produtivas, reduzir a jornada sem reduzir salários é um caminho para melhorar as condições de vida, gerar empregos e construir um modelo de desenvolvimento mais justo para o país”, concluiu Loricardo.

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