Um ano e meio após a aquisição da MWM pela International no Brasil, a empresa nascida da fusão divulgou seu primeiro resultado anual nesta terça-feira, 21, mostrando crescimento no faturamento - apesar de queda na produção. Mas os frutos da união não são apenas financeiros: também estão em curso projetos de expansão no exterior e de novos produtos, comprovando que a junção das duas companhias está completa e funciona bem. A integração é total, tanto que hoje tenho até dificuldade em identificar quem veio de qual empresa, conta Waldey Sanchez, presidente da MWM International.
No ano fiscal que vai de novembro de 2005 a outubro de 2006, o faturamento líquido da MWM International cresceu 7% em comparação ao período anterior, saltando de US$ 671 milhões para US$ 718 milhões. Isso apesar de a produção recorde alcançada no ano fiscal terminado em 2005, de 143 mil motores, ter caído 12,6% este ano, para 125 mil unidades.
Segundo Sanchez, os resultados inversos são explicados por ganhos de produtividade e especialmente pelo aumento das vendas de motores eletrônicos, mais caros, que puxaram o faturamento para cima. pois hoje eles já representam 53% da produção, contra 26,5% um ano atrás. E para 2007 a estimativa é que os motores eletrônicos sejam 75% do total produzido no Brasil, graças à legislação que impõe limites de emissão de poluentes cada vez mais apertados, exigindo a utilização de tecnologia mais avançada.
Outro fator que criou impacto positivo nos resultados foi a sinergia criada com fusão das empresas, que superou largamente as expectativas com economia de US$ 36 milhões. 'Reduzimos pela metade muitos dos gastos', afirma Sanchez, lembrando que nem a direção da MWM International esperava que a queda nos custos seria tão grande quando foi anunciada a união, em abril de 2005. 'Naquela época estimávamos que a economia seria de US$ 15 milhões.'
Na contramão, puxando as receitas para baixo, esteve a crise do agronegócio, que derrubou vendas de caminhões e máquinas agrícolas, grandes clientes da fabricante de motores.
A valorização do real também exerceu pressão negativa, pois fez cair os ganhos com as exportações. 'Basta lembrar que fechamos contratos com a cotação do dólar de R$ 3 a R$ 2,60. Estamos tentando compensar as perdas com cortes de custos e aumento das importações, que este ano atingiram US$ 100 milhões', explica Sanchez.
Ainda assim, a receita com vendas externas cresceu 14% no ano terminado em outubro passado, para US$ 207,8 milhões. Segundo Sanchez, isso se deve principalmente ao avanço de 27,3% no volume de cabeçotes exportados para a matriz da empresa em Melrose, nos Estados Unidos, que comprou 64,3 mil unidades, ou 53% da produção no Brasil. Já a quantidade de motores completos embarcados ficou quase estável: 38,7 mil, representando evolução de apenas 4,4% sobre 2005 e 31% do total fabricado aqui.
Para 2007, Sanchez trabalha com projeções conservadoras: o faturamento deve evoluir apenas 2%, para US$ 730 milhões, volumes de produção estáveis, muito parecidos com os verificados em 2006. 'Não vejo nenhum fator que permita ser mais otimista, principalmente porque as exportações podem recuar com o dólar nesse nível.' Mas Sanchez mantém inalterada a meta de fazer a empresa faturar US$ 1 bilhão até 2010.
Expansão - A MWM International fornece para dezenove clientes no Mercosul, onde a empresa obteve em 2006 participação de 36,8% nas vendas de motores diesel - este porcentual sobe para 50,7% no segmento de picapes e utilitários esportivos fabricados na região. Avaliando os números, Sanchez acredita ser difícil avançar muito mais no Mercosul. 'A oportunidade de crescer aqui era por meio de aquisição, o que já aconteceu com a MWM. Para ir além disso teríamos de baixar preços e desvalorizar nossos produtos, o que não é interessante. Por isso o caminho para expansão agora está nas parcerias externas.'
Sanchez destaca como exemplo dessa estratégia a recente parceria formalizada com a DongFeng Cahoyang Diesel Engine para fabricar motores na China. O executivo também revelou que já está quase fechada nova associação na Índia, para produzir já a partir de 2007 motores Acteon de quatro e seis cilindros destinados a caminhões leves e médios.
A MWM International também espera crescer no ano que vem com o lançamento de novos motores extrapesados, que poderão passar dos 13 litros de capacidade volumétrica - hoje o maior modelo produzido tem 9,3 litros. 'Temos participação pequena nesse segmento, em torno de 3%, mas acreditamos que podemos aumentar para até 10% com a ampliação da gama de produtos em 2007', explica Sanchez.
Nova marca - A MWM International vai usar a marca Maxxforce em todos os motores desenvolvidos a partir de agora. A nomenclatura foi criada em março passado pela International Engines e será aplicada mundialmente pela companhia.
O objetivo, de acordo com Waldey Sanchez, é criar maior identificação conceitual para os motores fabricados pela empresa. 'A idéia é que a marca Maxxforce agregue valor ao produto do cliente, transmitindo conceitos como qualidade, potência, economia e confiabilidade.'
Fonte: Autodata