Encontro em Campo Grande reuniu quatro sindicatos e definiu ações para fortalecer a organização e retomar a negociação coletiva no estado
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) realizou, nesta sexta-feira (11), em Campo Grande, um encontro organizativo que reuniu, pela primeira vez, representantes dos quatro sindicatos metalúrgicos e siderúrgicos de Mato Grosso do Sul (MS).
A atividade ocorreu na Federação da Alimentação e teve como objetivo fortalecer a organização sindical das metalúrgicas e dos metalúrgicos no estado. No centro dos debates estiveram a retomada da Convenção Coletiva, a organização da categoria e os desafios enfrentados pelos sindicatos em suas bases.
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CNM/CUT fortalece unidade dos metalúrgicos em Mato Grosso do Sul
Para o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, a reunião abriu uma nova etapa de articulação entre as entidades. “Pela primeira vez, reunimos todos os sindicatos, os presidentes e as direções no Mato Grosso do Sul. Foi uma reunião muito importante e histórica”, afirmou.
MS está sem Convenção Coletiva desde 2022. Nesse período, as relações entre sindicatos e empresas têm sido tratadas por meio de acordos. Diante da resistência patronal à negociação de uma convenção, as entidades decidiram construir uma estratégia conjunta.
“Os sindicatos saíram dessa reunião com a tarefa de construir, junto aos trabalhadores, uma pauta até novembro. O mais importante é mobilizar e preparar essa luta no estado, com o apoio da CNM/CUT”, destacou Loricardo.
Unidade para avançar
O secretário-geral da CNM/CUT, Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, também classificou o encontro como um marco para a organização no estado. Segundo ele, a aproximação entre os quatro sindicatos cria condições para uma atuação mais articulada.
“Foi uma agenda histórica. Pela primeira vez, os quatro sindicatos de Mato Grosso do Sul se organizam para a construção de propostas comuns, buscando unidade para a construção da Convenção Coletiva”, ressaltou Renatinho.
Além da negociação coletiva, o encontro abriu espaço para que as entidades apresentassem a realidade de suas bases. Dificuldades de organização, representatividade sindical, comunicação com os trabalhadores e formação de novos dirigentes estiveram entre os temas debatidos.
“Foi também um espaço para que cada sindicato pudesse falar do seu dia a dia e dos desafios e dificuldades que enfrenta para organizar a categoria. Já saímos com uma data para um novo encontro, quando vamos alinhar a pauta”, explicou o secretário-geral.
O próximo passo será dado em 17 de novembro, quando dirigentes voltarão a se reunir para definir a pauta de reivindicações, as estratégias de mobilização e os caminhos para buscar a retomada da Convenção Coletiva dos trabalhadores metalúrgicos no estado.
Desafios nas bases
Outro problema apontado foi a atuação, na base metalúrgica, de empresas terceirizadas registradas em atividades econômicas de outros setores. Para as entidades, a situação traz dificuldades de representação e exige uma atuação coordenada dos sindicatos.
A contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas para exercer funções diretamente ligadas à produção também entrou no debate. Entre os casos relatados está o de soldadores contratados como PJ, prática que preocupa as entidades pelos impactos nas relações de trabalho.
“Tem, por exemplo, soldador sendo contratado como PJ. Estão transformando os trabalhadores em pessoas jurídicas. É uma luta muito grande que nós temos que fazer aqui no Mato Grosso do Sul”, frisou Loricardo.
Juventude metalúrgica
O encontro também evidenciou a presença de jovens nas direções sindicais e a disposição desse grupo para ampliar sua formação. Para Renatinho, a renovação deve caminhar junto com a qualificação dos dirigentes e com novas formas de aproximação com as trabalhadoras e os trabalhadores.
“Tivemos a participação de alguns jovens dirigentes, que se mostraram muito engajados e afirmaram a necessidade de se qualificar para representar melhor a categoria”, observou Renatinho. A comunicação com a base, segundo ele, também apareceu como um desafio para os sindicatos.
“A comunicação também foi muito abordada, principalmente diante da dificuldade de diálogo com a base. Penso que a CNM/CUT pode ajudá-los nesse processo”, avaliou o secretário-geral.
Entre os encaminhamentos, a CNM/CUT também assumiu o compromisso de buscar diálogo sobre as condições para a atuação do presidente do sindicato de Campo Grande, que enfrenta dificuldades para exercer suas atividades sindicais por falta de garantias negociadas com a empresa.
Para Loricardo, os desafios exigirão unidade dentro e fora do estado. “Vamos precisar muito da solidariedade dos nossos companheiros da CNM/CUT em todo o Brasil”, defendeu. A expectativa agora é transformar a articulação iniciada em Campo Grande em mobilização conjunta e permanente nas bases.
Unidade e organização
A secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo, destacou que o encontro permitiu conhecer as dificuldades enfrentadas pelos sindicatos em cada região e definir encaminhamentos conjuntos.
“Foi uma conversa muito produtiva. Conseguimos reunir as lideranças sindicais de Campo Grande, Dourados, Corumbá e Paranaíba, ouvir os diferentes pontos de vista e compreender as dificuldades de cada região”, afirmou.
Para a próxima reunião, marcada para 17 de novembro, os sindicatos deverão elaborar propostas de cláusulas comuns às quatro bases, visando à construção de uma Convenção Coletiva para a categoria.
“Também identificamos a necessidade de investir na formação sindical e fortalecer a organização de base em todo o estado. Esse será um passo fundamental para construirmos uma pauta comum e unirmos os sindicatos em defesa da classe trabalhadora”, completou Kelly.
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