Escrito por: Cadu Bazilevski

Paralisação na ArcelorMittal expõe atraso e incerteza no CE

Sindmetal-CE cobra pagamento imediato e definição sobre rescisões de 398 terceirizados da Evesa

Lúcia Estrela
Segundo o presidente do Sindmetal-CE, Will Pereira, a mobilização foi deliberada coletivamente

Trabalhadoras e trabalhadores terceirizados que atuam na siderúrgica ArcelorMittal, no Ceará, mantêm paralisação iniciada em 22 de abril, após assembleia em frente à planta. O movimento reúne 398 empregados da Evesa e foi motivado por atrasos salariais e pela indefinição sobre o futuro do vínculo de trabalho após o encerramento do contrato com a siderúrgica.

Segundo o presidente do Sindmetal-CE, Will Pereira, a mobilização foi deliberada coletivamente diante de pendências que persistem, mesmo após parte dos pagamentos ter sido regularizada. “Os trabalhadores deliberaram uma paralisação em frente à siderúrgica. Embora a questão salarial tenha sido resolvida no início do mês, ainda há problemas pendentes”, afirmou.

Atraso e cobrança
O principal ponto de tensão é o não pagamento da quinzena do dia 20, que segue em aberto para os 398 trabalhadores. “Até o momento, a empresa não depositou a quinzena desses 398 trabalhadores. Estamos tentando resolver, sobretudo, esse pagamento atrasado”, disse. O dirigente lembrou que o valor referente ao dia 5 foi quitado no início de abril após intervenção sindical.

A entidade sindical afirma que acompanha o caso desde o início e tem prestado apoio direto à categoria, com assistência jurídica, presença no local e fornecimento de alimentação e água durante a paralisação. O sindicato também acionou o Ministério Público do Trabalho e agendou audiência para mediar o impasse entre ArcelorMittal e Evesa.

Incerteza contratual
Além da questão salarial, a indefinição sobre o futuro dos contratos ampliou a insegurança entre as trabalhadoras e trabalhadores. “Os trabalhadores estão reivindicando o recebimento de suas rescisões, porque a empresa ainda não definiu quem será desligado ou transferido”, explicou. Segundo ele, a possibilidade de transferência para outra unidade em Minas Gerais é rejeitada pela maioria.

Até o momento, nenhum dos 398 empregados foi formalmente desligado, o que mantém o grupo em situação indefinida quanto a direitos e continuidade no emprego. “A maioria dos trabalhadores não concorda em ir para outro estado”, destacou, ao reforçar que a categoria cobra uma solução clara e imediata para o impasse.

Advogados do Sindmetal-CE seguem em contato com representantes das empresas para buscar encaminhamentos. A expectativa é garantir o pagamento da quinzena atrasada e assegurar definição sobre rescisões ou alternativas profissionais, reduzindo o cenário de incerteza enfrentado pelas trabalhadoras e trabalhadores envolvidos.

*Com informações de Lúcia Estrela, do Sindmetal-CE