Escrito por: Cadu Bazilevski

Parceria da CNM/CUT com IG Metall fortalece base metalúrgica no Brasil

“A cooperação entre sindicatos do Brasil e da Alemanha é essencial para enfrentar essa lógica”, disse Angélica Giménez, membro do IG Metall

Cadu Bazilevski
Segundo Amparo, a formação também evidenciou o surgimento de novas lideranças

Trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos de diversas regiões do país encerraram, nesta semana, o primeiro ciclo da formação sindical internacional promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), em parceria com o IG Metall e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em evento realizado no ABC Paulista. A iniciativa reuniu dirigentes e militantes para fortalecer a organização no chão de fábrica e ampliar a articulação internacional.

A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, destacou o impacto direto da atividade na base e o fortalecimento da organização sindical. “A principal aprendizagem desta formação é que a organização no chão de fábrica é a base da força da classe trabalhadora”, afirmou. “Formação, unidade e ação coletiva seguem sendo fundamentais para enfrentar os desafios atuais”, completou.

Segundo Amparo, a formação também evidenciou o surgimento de novas lideranças, com destaque para a participação de mulheres jovens. “Elas já saem daqui com projetos para atuar nas suas bases e fortalecer a militância feminina”, disse. “Isso mostra que estamos avançando na construção de uma organização mais forte e representativa”, acrescentou.

A integrante do Departamento de Relações Internacionais do IG Metall, Angélica Giménez Romo, destacou a importância da cooperação internacional diante da pressão do capital global sobre os direitos trabalhistas.

“Vivemos em um mundo em que o capital nos coloca em competição constante, pressionando por piores condições de trabalho”, afirmou. “A cooperação entre sindicatos do Brasil e da Alemanha é essencial para enfrentar essa lógica”, disse.

De acordo com Angélica, fortalecer a organização em cada país é estratégico para enfrentar desafios globais. “Se fortalecermos os trabalhadores em cada país, podemos construir redes de cooperação capazes de enfrentar a chantagem e a concorrência desleal”, afirmou.

Ela também alertou para o cenário internacional. “A situação global está mudando rapidamente e se tornando mais perigosa para os direitos das trabalhadoras e trabalhadores”, disse. “Por isso, é fundamental se organizar, cooperar e fortalecer a coordenação entre os sindicatos”, encerrou.

Organização e prática
O secretário de Formação eleito do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Charles Aurélio, o Tuiuiu, ressaltou o caráter prático da formação e o compromisso dos participantes ao longo da semana de atividades. “Foi uma semana intensa, de planejamento, construção e ajustes no caminho”, afirmou. “Isso faz parte da prática sindical e da formação política”, completou.

Tuiuiu destacou ainda o esforço das trabalhadoras e trabalhadores que participaram da atividade. “Não é fácil ficar longe da família para se dedicar a uma formação como essa”, disse. “Isso demonstra o compromisso de levar esse aprendizado para as bases e fortalecer a organização nos locais de trabalho”, acrescentou.

Para Tuiuiu, os desafios fazem parte da construção coletiva. “As dificuldades existem, mas são superadas com diálogo, organização e persistência”, afirmou. “É assim que a gente avança na luta e amplia a capacidade de mobilização da categoria”, concluiu.

Consciência de classe
O secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel, destacou o caráter histórico da iniciativa e a importância da unidade da classe trabalhadora diante das transformações na indústria.

“Muitas vezes não percebemos quando estamos escrevendo a história da classe trabalhadora”, afirmou. “Essa formação mostrou que é possível construir unidade, trabalhar divergências e fortalecer a solidariedade”, disse.

Segundo Maicon, o principal desafio é ampliar a consciência coletiva entre os trabalhadores. “É fundamental que a classe trabalhadora se reconheça como classe”, disse. “A partir disso, conseguimos avançar na organização e transformar a realidade”, ponderou.