Evento em Pernambuco reuniu trabalhadores, famílias e juventude em defesa de mais qualidade de vida
A 1ª Corrida da Juventude Metalúrgica de Pernambuco transformou o último domingo (31) em um grande ato de integração, saúde e mobilização social. Realizada entre a Feira Livre de Abreu e Lima e as Ruínas de São Bento, em um percurso de quatro quilômetros, a atividade reuniu mais de 600 corredores – trabalhadoras, trabalhadores, familiares e representantes do movimento sindical – para defender uma pauta que ganha força em todo o país: a redução da jornada sem redução salarial e o fim da escala 6x1.
Idealizada pela Secretaria de Juventude do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (SindMetal-PE), a corrida teve como lema "Mente Sã, Corpo de Aço" e contou com o apoio da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), da Central Única dos Trabalhadores de Pernambuco (CUT-PE) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). A proposta foi estimular hábitos saudáveis e, ao mesmo tempo, aproximar a juventude das pautas defendidas pelo movimento sindical.
Segundo Maria Daniele, secretária de Juventude do SindMetal-PE, a iniciativa nasceu da preocupação com o crescente adoecimento físico e mental entre os trabalhadores, especialmente os mais jovens. “A proposta nasceu da preocupação com a saúde da juventude trabalhadora. Hoje vemos muitos jovens adoecendo física e mentalmente. Queríamos estimular a prática esportiva, o cuidado com a saúde e mostrar que a vida não pode ser resumida apenas ao trabalho. Precisamos ter tempo para o lazer, para a família e para cuidar de nós mesmos”, afirmou.
Para a dirigente, a atividade também foi uma forma de denunciar os impactos da escala 6x1 sobre a qualidade de vida da classe trabalhadora. Daniele destacou que a falta de tempo para descanso, lazer e convivência familiar tem contribuído para o adoecimento dos trabalhadores e reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre a redução da jornada de trabalho. Segundo ela, o evento mostrou que é possível unir conscientização política, esporte, lazer e participação popular em uma mesma iniciativa.
A secretária ressaltou ainda que a construção da corrida foi coletiva e contou com o envolvimento direto do Coletivo de Juventude do sindicato. “O coletivo abraçou a proposta desde o início. Tudo foi debatido e construído em conjunto. Houve muito empenho dos jovens na organização e o resultado mostrou a capacidade que a juventude tem de formular e executar iniciativas que dialoguem com a realidade da classe trabalhadora”, explicou.
Aproximação sindical
O secretário de Organização Sindical da CNM/CUT e do SindMetal-PE, Esdras Vitorino, avaliou que a corrida cumpriu um papel importante na aproximação dos jovens trabalhadores com o movimento sindical. Segundo ele, a renovação da direção da entidade, com a entrada de mais jovens, tem contribuído para a criação de atividades capazes de dialogar diretamente com as novas gerações e ampliar a participação da juventude na vida sindical.
“A gente tinha uma participação muito pequena de jovens e começou um processo de renovação da direção, trazendo mais juventude para dentro do sindicato. A partir daí surgiram iniciativas como essa corrida, que reuniu muitos jovens metalúrgicos e pessoas da comunidade. Foi uma oportunidade de dialogar sobre temas importantes para a classe trabalhadora e mostrar que o sindicato está aberto a novas formas de participação”, afirmou.
De acordo com Esdras, a atividade também permitiu ampliar a conscientização sobre a campanha nacional pelo fim da escala 6x1. “Esses momentos são importantes porque conseguimos conversar diretamente com as pessoas. Enquanto participavam da corrida, os trabalhadores também receberam informações sobre o cenário político e sobre a luta pelo fim da escala 6x1. Precisamos aproveitar esses espaços para conscientizar e mobilizar a categoria”, destacou.
Inclusão e diversidade
Além do caráter esportivo e político, a corrida também ficou marcada pela diversidade dos participantes. Mulheres, jovens, idosos, crianças, pessoas negras, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência participaram da atividade. A organização destacou que o objetivo nunca foi promover competição, mas incentivar a participação coletiva e reforçar a importância da inclusão em todas as ações desenvolvidas pelo movimento sindical.
Daniele observou que as mulheres tiveram presença expressiva no evento e demonstraram forte identificação com a luta pelo fim da escala 6x1. “As mulheres compreendem profundamente a importância dessa luta porque convivem com múltiplas jornadas. Trabalham nas fábricas, cuidam da casa e das famílias. A redução da jornada e o fim da escala 6x1 representam mais qualidade de vida, mais tempo para o autocuidado e mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal”, ressaltou.
Mobilização nacional
Para os organizadores, a corrida superou as expectativas ao reunir trabalhadores da categoria e integrantes da comunidade em torno de uma pauta que ultrapassa os limites das fábricas e atinge milhões de brasileiros. O evento também serviu para reforçar a necessidade de ampliar a mobilização social em defesa da redução da jornada de trabalho e de condições mais dignas para a classe trabalhadora.
"A luta ainda não terminou. Precisamos ampliar a pressão popular e fortalecer a mobilização nas ruas para garantir o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem redução de salário. Essa escala é extremamente desgastante e impede que o trabalhador tenha tempo de qualidade com a família, para descansar ou até para investir na própria qualificação profissional", ressaltou Esdras.
Por fim, os dirigentes reforçaram a importância da unidade na defesa de direitos. “A vida não pode ser apenas trabalho. As trabalhadoras e os trabalhadores precisam ter tempo para cuidar da saúde, estar com a família, praticar atividades de lazer e viver com dignidade. Em nome do Coletivo da Juventude Metalúrgica de Pernambuco, deixo o chamado para que todos se somem à luta pelo fim da escala 6x1 e por mais qualidade de vida para a classe trabalhadora”, concluiu Daniele.