Escrito por: Cadu Bazilevski

PEC da jornada sem corte salarial depende do presidente do Senado para avançar

Proposta está pronta para ser votada, mas só chegará ao Plenário após ser incluída na pauta pela Presidência do Senado

Agência Senado
A inclusão na pauta do Plenário depende exclusivamente da Presidência do Senado

A PEC 221/2019, conhecida como a PEC da jornada sem corte salarial e que acaba com escala 6x1, entrou na fase decisiva de sua tramitação no Senado Federal. Depois de vencer as etapas previstas no processo da Câmara dos Deputados, a proposta aguarda um ato indispensável para seguir adiante.

A inclusão na pauta do Plenário depende exclusivamente da Presidência do Senado, sob comando de Davi Alcolumbre. Enquanto isso não ocorrer, o texto continuará sem data para ser discutido e votado.

O presidente do Senado desempenha um papel central na condução dos trabalhos da Casa. Além de dirigir as sessões e representar institucionalmente o Senado, é ele quem organiza a pauta de votações do Plenário. Na prática, cabe à Presidência definir quais propostas serão apreciadas pelos parlamentares, observando as regras regimentais e a organização da agenda legislativa.

“A PEC está pronta para ser votada. O que falta agora é decisão política para que ela seja incluída na pauta do Senado. A redução da jornada, sem redução salarial, e o fim da escala 6x1 são reivindicações urgentes de milhões de trabalhadores e trabalhadoras que não podem continuar esperando. O presidente Davi Alcolumbre precisa ouvir a sociedade, pautar a proposta é permitir que cada senador assuma publicamente sua posição diante do povo brasileiro”, afirma Loricardo de Oliveira, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT).

Senado entra em recesso, mas milhões seguem presos à escala 6x1
6 razões para o Senado aprovar o fim da escala 6x1

Pronta para votação
A PEC 221/2019 já cumpriu as etapas necessárias para ser apreciada pelo conjunto dos senadores. Com isso, resta apenas sua inclusão na ordem do dia para que o debate e a votação tenham início. Sem essa decisão de Davi Alcolumbre, a proposta permanece aguardando, mesmo estando apta a seguir para a fase final de tramitação no Senado.

A inclusão na pauta é uma exigência do processo legislativo. Nenhuma proposta segue automaticamente para votação depois de passar pelas comissões. Somente após ser relacionada para apreciação em Plenário é que os senadores podem discutir o mérito da matéria e decidir, por meio do voto, se ela será aprovada ou rejeitada.

Se o texto mudar
Caso o Senado aprove a PEC 221/2019 exatamente como ela foi enviada pela Câmara dos Deputados, a proposta seguirá para promulgação e passará a integrar a Constituição Federal. Nessa hipótese, a tramitação será concluída sem necessidade de nova análise pelos deputados federais.

Se o Senado alterar qualquer trecho da proposta, porém, a PEC terá de retornar à Câmara dos Deputados. Os parlamentares precisarão analisar as mudanças promovidas pelos senadores e deliberar novamente sobre o texto. A promulgação só poderá ocorrer quando as duas Casas aprovarem exatamente a mesma redação.

Participação popular
A sociedade pode acompanhar de perto a tramitação da PEC 221/2019 e participar do debate público sobre a proposta. A mobilização social é um instrumento legítimo da democracia e contribui para demonstrar aos parlamentares o interesse da população em relação a temas em discussão no Congresso Nacional.

Quem apoia a aprovação da proposta pode entrar em contato com os senadores e com a Presidência do Senado para defender sua inclusão na pauta do Plenário. Também é possível acompanhar a tramitação pelos canais oficiais do Congresso Nacional, participar das iniciativas das entidades representativas e divulgar informações sobre a PEC de forma responsável e baseada em fatos.

“Agora é hora de transformar o apoio da sociedade em mobilização e pressão popular. Convocamos cada trabalhador e cada trabalhadora a cobrar dos senadores e do presidente Davi Alcolumbre a inclusão imediata da PEC na pauta. Não aceitaremos que uma proposta tão importante para a vida de milhões de brasileiros continue parada por falta de decisão política. O Congresso precisa ouvir as ruas: chega de jornadas exaustivas, chega da escala 6x1. Queremos trabalhar para viver, e não viver apenas para trabalhar. Se o Senado não pautar os direitos do povo, o povo vai ocupar as redes, as ruas e todos os espaços para exigir a votação”, finalizou Loricardo.