Segunda proposta apresentada pela siderúrgica no Espírito Santo para o ACT 2025/2026 não teve avanço significativo e foi novamente rejeitada com percentual acima de 80%
A insatisfação dos metalúrgicos da ArcelorMittal Tubarão, em Serra (ES), com a condução da empresa na negociação salarial não apenas continua, ela se aprofundou. A segunda proposta apresentada pela siderúrgica para o Acordo Coletivo de Trabalho 2025/2026 não teve avanço significativo e foi novamente rejeitada com percentual acima de 80%.
Agora, 81,6% dos trabalhadores votaram NÃO. O recado foi claro: a categoria está cansada de propostas que tentam maquiar retrocessos com pequenos ajustes irrisórios.
Mais uma vez, a ArcelorMittal apresentou uma proposta que não atende às necessidades mínimas dos metalúrgicos, reforçando a imagem de uma empresa que se recusa a valorizar quem garante sua produção, sua qualidade e seu lucro bilionário.
O que a empresa chamou de “nova proposta” praticamente não mudou em relação à anterior. Apenas um reajuste ligeiramente maior no cartão alimentação, que passaria a R$ 826,50, com aumento de 10,2%. E aquilo que realmente importa, o reajuste salarial digno, reivindicação histórica dos trabalhadores, permaneceu estagnado com apenas a inflação do período.
Para piorar, a ArcelorMittal insiste em dividir a implementação do reajuste, insuficientes e muito abaixo da sua capacidade: 2% em outubro de 2025 e 3,1% apenas em janeiro de 2026.
A proposta inclui ainda uma carga extra de R$ 746,22 no cartão alimentação após assinatura do acordo, um benefício pontual que não resolve o problema central, uma tentativa de “maquiar” a ausência de valorização real.
Tudo isso vindo de uma empresa que tem total condição de fazer diferente. Nos nove primeiros meses deste ano, a ArcelorMittal lucrou 3 bilhões de dólares, três vezes mais do que lucrou em 2023, o dobro de 2024, e com 90% desse resultado vindo da produção da unidade de Tubarão. Ou seja, não há qualquer justificativa econômica para ofertas tão baixas. O que falta não é dinheiro, é respeito.
Enquanto a siderúrgica registra lucros bilionários, os trabalhadores amargam uma defasagem salarial de cerca 15%, após mais de 10 anos sem um mísero ganho real.