Escrito por: Cadu Bazilevski

Rassini e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mostram força da organização sindical

Último dia da oficina da CNM/CUT, participantes foram à fábrica e ao sindicato dos Metalúrgicos do ABC para conhecer experiências de organização no local de trabalho

Dino Santos
Os participantes conheceram a organização interna da Rassini

A visita à Rassini-NHK Automotive e ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) marcou, na quarta-feira (19), o encerramento da 1ª Oficina Comunicação Assertiva e Ferramentas Digitais na Prática Sindical. A atividade reuniu dirigentes de diferentes regiões do país para conhecer experiências concretas de organização no local de trabalho, diálogo com os trabalhadores e atuação sindical na base.

Promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) em parceria com o IG Metall e o SMABC, a formação buscou aproximar teoria e prática. Depois de dois dias dedicados à comunicação, oratória e ferramentas digitais, os participantes tiveram a oportunidade de acompanhar de perto a atuação do Comitê Sindical de Empresa (CSE) da Rassini e a estrutura organizativa construída pelos metalúrgicos do ABC.

Os participantes conheceram a organização interna da Rassini, assistiram a uma apresentação sobre a empresa e percorreram diferentes setores da fábrica. Divididos em grupos, conversaram com representantes da planta, tiraram dúvidas e acompanharam a atuação cotidiana do CSE, formado por trabalhadores que representam as companheiras e companheiros dentro do ambiente de trabalho.

“O pessoal foi bem recebido, viu como o CSE se organiza, visitou a fábrica, dialogou e conheceu o movimento sindical que o CSE faz. Todos ficaram à vontade para fazer perguntas e conhecer a fábrica, com toda autonomia”, afirmou Antônio Elândio, o Nando, coordenador interno do CSE dos trabalhadores da Rassini.

Nando ressaltou a importância da atividade, que reuniu representantes de São Leopoldo, Jaraguá do Sul, Pernambuco, Sorocaba, Taubaté e também do ABC. A programação contou ainda com a presença de dirigentes da CNM/CUT, monitores do projeto e representantes da empresa, permitindo aos participantes observar de perto a relação construída entre trabalhadores, sindicato e direção da fábrica.

Modelo de organização
Para a secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, um dos aspectos mais importantes da atividade foi permitir que os participantes observassem, na prática, a relação construída entre os representantes sindicais e os trabalhadores da base dentro da fábrica.

“Foi possível ver como os trabalhadores chegavam até os dirigentes, conversavam com eles, e como a direção da empresa se aproximava dos dirigentes sindicais para dialogar. Esse modelo de organização e de aproximação com os trabalhadores é um fortalecimento”, avaliou Amparo.

A dirigente ressaltou que o objetivo da visita não era apresentar o funcionamento da empresa, mas demonstrar um modelo de representação sindical baseado na proximidade com os trabalhadores e na negociação permanente. Para ela, a experiência mostrou como a organização no local de trabalho pode fortalecer a atuação sindical.

“Essa oficina foi importante para os dirigentes sindicais, que também são trabalhadores na base, entenderem como falar e como ter, de fato, uma comunicação assertiva com as trabalhadores e os trabalhadores no chão de fábrica”, destacou Amparo.

Resultados percebidos
Depois da visita à fábrica, o grupo seguiu para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), onde conheceu a estrutura da entidade e trocou experiências sobre os desafios da organização sindical. A atividade integrou a etapa final da oficina, que buscou transformar o conteúdo trabalhado durante a formação em ações concretas nos locais de trabalho.

Jonas Brito, membro da Executiva do SMABC e coordenador da Regional de São Bernardo do Campo, explicou que a iniciativa promove uma troca de experiências entre dirigentes brasileiros e o movimento sindical alemão, contribuindo para qualificar a atuação sindical nas bases metalúrgicas.

“Não se trata só de uma questão de sindicalização, mas da relação dos dirigentes com os trabalhadores. O projeto dá condições para identificar as dificuldades do dia a dia, onde há mais dificuldade para conversar e dialogar”, observou Jonas Brito.

Segundo Jonas, seis CSEs de fábricas de São Bernardo do Campo participam atualmente do projeto: Arteb, ZF, Samot, WEG, GROB e Rassini. A diversidade das experiências contribui para ampliar o intercâmbio entre dirigentes e fortalecer práticas de organização nos locais de trabalho.

“Tivemos a oportunidade de conversar com eles e já vimos um avanço e um resultado muito positivo, graças a esse projeto”, acrescentou Jonas. Para o dirigente, muitos participantes já demonstram mudanças na forma de se comunicar e de se relacionar com os trabalhadores após a formação.