CNM/CUT defende manutenção do texto aprovado pela Câmara para impedir que a proposta das 40 horas volte aos deputados
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais chegou a uma etapa decisiva no Congresso, em Brasília (DF). Para a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), o Senado Federal deve manter o conteúdo aprovado pela Câmara dos Deputados e evitar mudanças que prolonguem a tramitação de uma reivindicação histórica.
Alterações feitas pelos senadores no conteúdo da proposta obrigariam o texto a retornar à Câmara dos Deputados. Na avaliação do presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, esse caminho abriria uma nova etapa de análise e poderia adiar uma conquista aguardada há décadas.
“Os senadores precisam votar logo e garantir este direito para os trabalhadores”, ressalta Loricardo.
Sem retrocessos
A defesa da Confederação é pela aprovação do texto sem retrocessos. A proposta já foi debatida e submetida a dois turnos de votação entre os deputados, argumento que reforça a cobrança para que o Senado permita o avanço da matéria no Congresso.
“O Senado tem o direito de debater, mas não pode usar o debate como justificativa para adiar uma reivindicação histórica. A classe trabalhadora espera há décadas pela jornada de 40 horas”, afirmou Loricardo, ao defender a manutenção do texto.
Para o dirigente, a discussão sobre a jornada ultrapassa o rito legislativo. A redução para 40 horas semanais integra uma pauta histórica do movimento sindical e está associada à defesa de qualidade de vida, descanso e mais tempo livre para quem trabalha.
Trabalho e tecnologia
No setor metalúrgico, o debate ocorre em meio a mudanças nos processos produtivos, com avanço da automação e de novas tecnologias. “A CNM/CUT defende que ganhos de produtividade também devem resultar em benefícios concretos para as trabalhadoras e os trabalhadores”, argumentou Loricardo.
A manutenção do texto aprovado pela Câmara é tratada como medida necessária para evitar novo atraso. “A CNM/CUT exige dos senadores responsabilidade com uma pauta amadurecida no debate público e que mobiliza trabalhadores em todo o país”, encerrou.
A expectativa da entidade é que o Senado faça o debate sem transformar a análise da proposta em forma de postergação. Para os metalúrgicos, avançar agora significa dar resposta concreta a uma reivindicação que mobiliza gerações da classe trabalhadora.