Com participação ativa da CNM/CUT, audiência em São Paulo reforça mobilização nacional pela redução da jornada sem corte salarial
A audiência pública realizada em São Paulo na manhã desta quinta-feira (14) pela comissão especial da Câmara dos Deputados ampliou a pressão nacional pela redução de jornada sem redução de salário e o fim da escala 6x1. O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo Lula e centrais sindicais, consolidando o dia 27 de maio como marco da mobilização pela votação da proposta no plenário, com expectativa de grande presença popular em Brasília (DF).
O debate ocorreu no Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e integrou o calendário do programa Câmara pelo Brasil, fortalecendo o diálogo com a sociedade. A proposta em análise prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso e sem corte salarial, enfrentando resistência empresarial, mas ganhando força com mobilização sindical e engajamento nas redes digitais.
“Hoje, aqui em São Paulo, realizamos mais uma audiência pública sobre a redução da jornada de trabalho. Nossa tarefa é percorrer o Brasil e dizer que chegou a hora de reduzir a jornada sem reduzir salários e acabar com a escala 6x1”, afirmou Loricardo de Oliveira, presidente da CNM/CUT, ao destacar o papel da mobilização nacional.
“É fundamental que as trabalhadoras e trabalhadores participem das próximas audiências e estejam em Brasília no dia 27 de maio. Vamos construir uma grande mobilização nacional para conquistar esse direito histórico”, destacou o presidente, reforçando a importância da organização nas bases e da pressão social sobre o Congresso Nacional.
Claudionor Vieira, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ao analisar o cenário atual, ressalta: “A redução da jornada de trabalho já poderia ter acontecido há muito tempo no Brasil. Hoje é mais do que necessário avançar para 40 horas semanais sem redução de salário e acabar com a escala 6x1”, disse.
Claudionor destacou que a jornada vigente é exaustiva e compromete a saúde da classe trabalhadora em diferentes setores. Para ele, a mudança representa um avanço civilizatório necessário, alinhado às transformações no mundo do trabalho e à busca por melhores condições de vida para trabalhadores e trabalhadoras em todo o país.
Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, secretário-geral da CNM/CUT, ao defender a proposta: “Precisamos ser solidários à luta da classe trabalhadora. A redução da jornada e o fim da escala 6x1 significam mais qualidade de vida, mais tempo para a família e para o descanso”, afirmou.
Renatinho ressaltou que a pauta também envolve acesso ao lazer, à qualificação profissional e à convivência familiar. Segundo ele, a conquista da redução da jornada depende da unidade da classe trabalhadora e de uma mobilização permanente em todo o país nas próximas semanas, especialmente rumo à votação prevista.
Debate político
“Hoje foi dia de debater a PEC do fim da escala 6x1 com a companheirada de São Paulo. Estivemos no Palácio do Trabalhador para defender o fim de uma das jornadas mais cruéis”, afirmou Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, ao comentar o encontro realizado na capital paulista.
O ministro defendeu a redução da jornada como uma medida de justiça social e destacou a necessidade de fortalecer a negociação coletiva entre empresas e trabalhadores. Ele também afirmou que não haverá compensações fiscais ao empresariado, indicando que o foco do debate deve ser a melhoria das condições de trabalho.
“Não faz sentido criar mecanismos automáticos de compensação ao empresariado em troca do fim da escala 6x1. Em reformas anteriores, os trabalhadores não tiveram contrapartidas”, declarou Alencar Santana, deputado federal e presidente da comissão especial que analisa a proposta.
Interesse da população
Segundo o parlamentar, o fim da escala pode gerar ganhos de produtividade ao melhorar a saúde física e mental dos trabalhadores. Ele também alertou para disputas políticas no Congresso Nacional e reforçou a importância de manter o texto alinhado aos interesses da população e às demandas sociais.
“O relatório não será contra ninguém. A gente vai tentar encontrar um texto que diminua os danos sem prejudicar o trabalhador. Mas nós temos lado, o lado das pessoas”, disse Léo Prates, deputado federal e relator da proposta em tramitação na Câmara.
Prates afirmou que pretende dialogar com o setor empresarial para construir uma transição equilibrada e viável. O relator também destacou que a mobilização popular, especialmente nas redes sociais, foi decisiva para colocar o tema no centro do debate político nacional e acelerar sua tramitação.
“O Brasil já está preparado para a redução de jornada sem redução de salário e o fim da escala 6x1. Defender essa mudança é defender saúde, dignidade e qualidade de vida”, afirmou Reginaldo Lopes, deputado federal, ao defender a aprovação da proposta em discussão no Congresso Nacional.
O parlamentar citou estudos que apontam impactos econômicos limitados e destacou que a redução da jornada é uma tendência internacional consolidada. Para ele, a mudança representa um passo necessário para modernizar as relações de trabalho e garantir melhores condições de vida à população brasileira.