Escrito por: Cadu Bazilevski

Saúde e segurança no trabalho mobilizam participação da CNM/CUT em encontro nacional

Representantes da Confederação destacam formação, prevenção e fortalecimento das CIPAs para ampliar a proteção à vida dos trabalhadores

Reprodução
II Encontro Nacional de Cipeiras e Cipeiros contou com a participação de representantes da CNM/CUT

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) participou do II Encontro Nacional de Cipeiras e Cipeiros para o Trabalho Seguro e Saudável, realizado na última quarta-feira (29), em São Paulo, reafirmando seu compromisso com a defesa da vida, da saúde e da segurança nos locais de trabalho. A entidade foi representada por Welington Buares Belmont, do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo, Fabiana Neto, também do Espírito Santo, e Sérgio Lima, do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco.

Para Welington Buares Belmont, o principal legado do encontro está na continuidade do diálogo e na construção coletiva do conhecimento. “A principal importância deste encontro é manter o debate permanente sobre saúde e segurança no trabalho, ampliando nossos conhecimentos por meio da troca de informações e experiências”, afirmou.

Belmont destacou ainda um dado que considera preocupante e que reforça a necessidade de ampliar a formação dos representantes eleitos para as comissões. “O que mais me chamou a atenção foi saber que mais de 90% das cipeiras e dos cipeiros não recebem treinamento adequado para exercer suas funções”, ressaltou.

Segundo ele, encontros como esse fortalecem a atuação das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs) dentro das empresas e ampliam o compromisso com a prevenção. “O encontro reafirma o compromisso das CIPAs em contribuir para ambientes de trabalho mais seguros, atuando como um canal de informação, orientação e formação para fortalecer a cultura da prevenção e do comportamento seguro entre os trabalhadores”, destacou.

Ao falar sobre a responsabilidade após o evento, Belmont afirmou que retorna ao seu estado ainda mais comprometido com a segurança da categoria. “Quanto mais conhecimento adquirimos, mais percebemos o quanto podemos contribuir para a segurança das trabalhadoras e dos trabalhadores metalúrgicos, uma categoria exposta aos mais diversos riscos. Muitos desses riscos podem ser reduzidos ou até eliminados por meio da prevenção e da atuação das CIPAs”, concluiu.

Defesa da vida
Representando o Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Sérgio Lima ressaltou que o encontro fortaleceu o papel das comissões por meio da escuta ativa, da formação contínua e da troca de experiências entre representantes de diferentes regiões do país. Para ele, o compartilhamento de vivências amplia a capacidade de atuação das CIPAs.

“A troca de vivências amplia nossa visão preventiva, fortalece o conhecimento técnico e legal e aumenta o poder de articulação das comissões. A vida e a dignidade dos trabalhadores vêm antes da produção. Nenhum trabalho pode significar colocar uma vida em risco”, afirmou.

Sérgio também reforçou que a luta por ambientes de trabalho seguros exige mobilização permanente. “Nossa luta é diária. Precisamos valorizar as CIPAs, combater o assédio, enfrentar os riscos psicossociais, fiscalizar as condições das máquinas, investir em formação permanente, ouvir os trabalhadores e fortalecer a unidade com o sindicato. A nossa maior riqueza é a nossa vida. Vamos juntos fazer a diferença no chão de fábrica”, concluiu.

CIPA forte salva vidas
O secretário de Saúde do Trabalhador da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP), Valdeci Henrique da Silva, o Verdinho, destacou que o encontro reafirmou a responsabilidade das CIPAs diante das mudanças e dos novos riscos presentes nos ambientes de trabalho.

Segundo Verdinho, a atuação das comissões precisa ir além da prevenção dos acidentes tradicionais e alcançar problemas que afetam diretamente a saúde mental. Entre eles estão o assédio moral, o assédio sexual e os riscos psicossociais presentes nas relações e na organização do trabalho.

“O papel da CIPA hoje vai além da prevenção dos acidentes tradicionais. Precisamos enfrentar o assédio moral e sexual e os fatores que contribuem para o adoecimento psíquico dos trabalhadores”, afirmou Verdinho, ao defender uma atuação mais ampla das comissões nos locais de trabalho.

O dirigente chamou atenção para o crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental e ressaltou a importância da adequação às normas de proteção. “Tivemos um aumento de 74% nos afastamentos por causas psicossociais entre 2022 e 2025”, alertou.

Para Verdinho, esse cenário reforça a necessidade de preparar cipeiros e cipeiras para reconhecer e enfrentar riscos que nem sempre são visíveis. Ele também apontou a conformidade com a NR-1 como instrumento importante para ampliar a prevenção e proteger a saúde dos trabalhadores.

Outro ponto destacado pelo dirigente foi a formação permanente. Segundo ele, houve consenso entre os participantes de que o fortalecimento das CIPAs depende diretamente de representantes preparados para compreender as transformações no trabalho e atuar diante dos novos desafios.

A CUT-SP, por meio da Secretaria de Saúde do Trabalhador, está desenvolvendo cursos específicos para levar formação às federações e aos sindicatos. A iniciativa segue debates realizados nos encontros da Fundacentro e da própria CUT-SP sobre saúde, segurança e prevenção.

“Precisamos superar o modelo tradicional de SIPAT, que muitas vezes fica limitado a temas periféricos, para discutir as novas formas de trabalho, preparar nossos representantes e garantir que sejam respeitados no exercício de suas funções”, defendeu Verdinho.

Para o secretário, essa formação também deve contribuir para impedir perseguições contra representantes eleitos e oferecer instrumentos para uma atuação efetiva dentro das empresas. O objetivo, segundo ele, é fazer da CIPA uma presença cada vez mais ativa no cotidiano dos trabalhadores.

Segurança é investimento
Verdinho também chamou atenção para a quantidade de mortes e acidentes relacionados ao trabalho no Brasil. Para ele, os números demonstram que empresas, sindicatos e poder público precisam tratar a prevenção como questão central e permanente nas relações de trabalho.

“É inadmissível que tenhamos registrado mais de 3.600 mortes por acidentes de trabalho no Brasil em 2025”, afirmou. Para o dirigente, a realidade exige uma mudança na forma como parte do setor empresarial encara os investimentos destinados à saúde e à segurança.

“Precisamos combater a visão empresarial que trata segurança como custo. Segurança é investimento imprescindível, porque estamos falando da vida dos trabalhadores”, ressaltou Verdinho, ao defender maior estrutura para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.

Ao citar a ocorrência de um acidente de trabalho a cada 39 segundos no país, o dirigente afirmou que fortalecer as CIPAs é fundamental para enfrentar esse cenário. “A atuação da CIPA é uma das principais ferramentas que temos para reverter esses índices”, declarou.

Por fim, Verdinho ressaltou a participação da CNM/CUT no encontro e reforçou que a Central e a Confederação compartilham o compromisso de ampliar a prevenção e construir ambientes de trabalho nos quais saúde e segurança sejam tratadas como direitos fundamentais.

“Nossa missão, tanto da CUT quanto da CNM, é assegurar que o trabalhador retorne para casa, ao final de sua jornada, da mesma forma que chegou: íntegro e com saúde”, afirmou Verdinho, ao destacar a dimensão humana da atuação sindical na defesa da prevenção. “Uma CIPA atuante é garantia de proteção aos pais e mães de família e, acima de tudo, salva vidas”, concluiu.