Encontro reuniu dirigentes sindicais da Região Norte para debater os impactos das transformações na indústria e construir estratégias em defesa dos direitos da classe trabalhadora
Manaus recebeu, entre os dias 28 e 30 de julho, o Seminário Regional de Educação e Organização para a Negociação Coletiva diante da Reestruturação Produtiva. Promovida pelo Projeto UtoU, a atividade reuniu dirigentes sindicais da Região Norte para debater os impactos das mudanças no mundo do trabalho e fortalecer a atuação das entidades nas mesas de negociação.
O seminário abordou temas como organização sindical, formação de dirigentes e fortalecimento da negociação coletiva. A programação também possibilitou a troca de experiências entre sindicatos da região e a construção conjunta de estratégias para enfrentar as transformações em curso na indústria.
“A reestruturação produtiva impõe novos desafios às negociações coletivas e exige dirigentes cada vez mais preparados para defender os direitos da categoria. O seminário fortaleceu a formação sindical e a construção de estratégias coletivas para enfrentar esse novo cenário”, destacou Ewerson Silva, dirigente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT).
Os debates foram conduzidos por Rafael Serrão, representante da IndustriALL Global Union no Brasil. Ao longo da atividade, a formação permanente dos dirigentes foi apontada como uma das principais ferramentas para ampliar a capacidade de organização e negociação dos sindicatos diante das mudanças nas relações e nos processos de trabalho.
Direitos coletivos no centro das negociações
As discussões também destacaram a importância de ampliar a presença das pautas sociais nas convenções e nos acordos coletivos. Entre as prioridades estão a igualdade salarial, o combate às discriminações, a melhoria das condições de trabalho, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem redução salarial.
“Esse processo de formação fortalece nossa atuação nas mesas de negociação. Seguimos defendendo a igualdade salarial, o combate às discriminações, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários”, afirmou Maria de Jesus, secretária de Mulheres da CNM/CUT.
Transformações na indústria
Outro ponto central do seminário foi a necessidade de preparar os sindicatos para negociar os impactos da automação, da adoção de novas tecnologias e das mudanças na organização da produção. Na avaliação dos participantes, o diálogo social será decisivo para assegurar que essas transformações não resultem em desemprego, perda de direitos ou precarização das relações de trabalho.
“A reestruturação produtiva exige negociação sobre automação, preservação dos empregos, qualificação profissional, saúde e segurança. O diálogo entre sindicatos e empresas é fundamental para garantir trabalho decente e impedir a precarização”, ressaltou Cátia Cheve, primeira vice-presidenta da CNM/CUT.
No terceiro e último dia do seminário, nesta quinta-feira (30), as companheiras e os companheiros participantes realizaram uma manifestação em frente à fábrica da LG, em Manaus, em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários e pelo fim da escala 6x1. A mobilização reforçou, na prática, duas das principais bandeiras debatidas ao longo do encontro e reafirmou o compromisso do movimento sindical com a luta por melhores condições de trabalho.
Os debates realizados em Manaus contribuíram para fortalecer a atuação sindical na Região Norte e ampliar a articulação em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Para os dirigentes da CNM/CUT, a formação permanente, a organização nos locais de trabalho e a negociação coletiva permanecem como instrumentos fundamentais para enfrentar os desafios impostos pelas transformações no setor produtivo brasileiro.