Túmulo de Nietzsche é ameaçado por projeto de mineração
Publicado: 02 Abril, 2008 - 00h00
Escrito por: CNM CUT
O túmulo do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) é há 108 anos o orgulho dos habitantes de Roecken, mas agora se encontra ameaçado por um projeto de mineração que pode tirar do mapa esta localidade nos confins da Saxônia, na antiga Alemanha Oriental.
O autor de "Assim falou Zaratustra" descansa perto de seus entes queridos sob uma lápide de granito e mármore rosa, aos pés de uma igreja da Idade Média.
Só que a região agora é objeto de um grande projeto de minas a céu aberto destinado a alimentar as centrais na Alemanha, um país que deu as costas à energia nuclear.
Os resultados do estudo que se realiza atualmente sobre o subsolo determinarão a viabilidade das intenções da mineradora Mibrag e, portanto, o futuro dos habitantes da localidade.
Entretanto, Roecken se apóia em seu filho predileto. "Nietzsche é nosso único trunfo", afirma Dorothee Berthold, diretora da associação criada para tentar vencer a Mibrag, uma empresa controlada por investidores americanos.
A mineradora pede calma, alegando que ainda não existe nada decidido e que "o horizonte eventual" de seu projeto é 2025.
"Ainda podem acontecer muitas coisas até lá", garante.
O túmulo do filósofo, no entanto, atrai a cada ano apenas 1.500 visitantes, que aproveitam a viagem para visitar um pequeno museu ao lado da igreja e observar a casa na qual viveu até os cinco anos.
O antigo regime comunista da Alemanha Oriental tentou relegar Nietzsche ao esquecimento, de cujas idéias os nazistas se apropriaram ao considerar que seus conceitos de "superhomem" e "vontade de poder" justificavam a ideologia sobre a superioridade da raça ariana.
Apesar do projeto de mineração ter despertado a oposição da maioria dos habitantes, algumas pessoas também consideram este uma oportunidade de gerar empregos, como afirmam os partidos locais, com exceção dos Verdes.
Fonte: Agência France Presse
