Escrito por: Cadu Bazilevski

Voto proporcional define eleição de deputados em 2026

Sistema considera os votos dos candidatos, partidos e federações para distribuir as cadeiras do Legislativo nas Eleições 2026

CNM/CUT
O desempenho coletivo da legenda terá papel decisivo

Nas Eleições 2026, escolher um deputado não dependerá apenas da votação individual do candidato. O sistema proporcional somará os votos nominais e de legenda recebidos por cada partido ou federação para definir a distribuição das cadeiras em disputa.

Tal regra será aplicada às disputas para deputado federal, estadual e distrital. Presidente da República, governadores e senadores serão escolhidos pelo sistema majoritário, no qual prevalece a votação obtida diretamente por cada candidatura em 2026.

O primeiro passo da apuração será calcular o quociente eleitoral. O total de votos válidos, excluídos os brancos e nulos, será dividido pelo número de vagas disponíveis em cada estado. O resultado indicará quantos votos corresponderão a cada cadeira.

Em seguida, a votação alcançada por cada partido ou federação será dividida pelo quociente eleitoral. Chamado de quociente partidário, o resultado determinará o número inicial de vagas da legenda, desprezadas as frações produzidas pelo cálculo final.

“A matemática da eleição é profundamente partidária”, afirmou o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília. Segundo ele, o eleitor também deve conhecer as ideias, os princípios e o programa do partido de seu candidato em disputa.

As vagas conquistadas serão ocupadas pelos candidatos mais votados de cada legenda. Para assumir uma cadeira ganha pelo quociente partidário, porém, a candidatura deverá alcançar individualmente ao menos 10% do quociente eleitoral previsto para 2026.

“O puxador de votos funciona como uma locomotiva eleitoral”, explicou Medeiros. O candidato de votação expressiva amplia o total de sua legenda e pode ajudar outros nomes do mesmo partido ou federação a conquistar uma nova cadeira parlamentar.

Sobras eleitorais
Quando o cálculo inicial não preencher todas as cadeiras, começará a distribuição das sobras pelo método das maiores médias. Na primeira etapa, haverá exigências mínimas de votação para partidos, federações e candidatos participarem da divisão final.

Partidos e federações precisarão alcançar 80% do quociente eleitoral, enquanto o candidato deverá obter pelo menos 20%. Se restarem cadeiras disponíveis, todas as legendas participantes poderão disputar as demais vagas pelo método das maiores médias.

“A lógica é tentar traduzir a diversidade da sociedade no Parlamento”, destacou o consultor legislativo da Câmara Roberto Pontes. Assim, o percentual de votos recebido por uma corrente política pode vir a se refletir em sua representação parlamentar.

As regras mostram por que nem sempre os candidatos mais votados em votos absolutos serão eleitos. O desempenho coletivo da legenda terá papel decisivo, pois os votos dados a cada candidatura também contribuirão para fortalecer o partido ou federação.

Para 2026, não haverá coligações nas disputas proporcionais. Partidos poderão concorrer isoladamente ou reunidos em federações que atuarão como uma única agremiação. Conhecer candidatos e legendas será essencial para uma escolha eleitoral consciente.

*Com informações do Tribunal Superior Eleitoral e das agências Câmara e Senado

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