Milhares de pessoas marcharam no dia 22 de janeiro ultimo para protestar contra ao anunciado fechamento da fabrica de celulares da Nokia em Bochum, Alemanha.
Mais de 15 mil pessoas participaram da mobilização em frente a fabrica de telefones celulares da Nokia para protestar contra a noticia do seu fechamento. Os trabalhadores, sindicatos, o Conselho Europeu dos Trabalhadores foram todos surpreendidos e angustiados pelo anuncio de que a fabrica será fechada até o final de junho de 2008 e sua produção transferida para a Hungria ou Romênia.
O fechamento da fabrica vai afetar 2.300 trabalhadores permanentes e cerca de 1.000 trabalhadores temporários. Contando os supridores locais e os subcontratados a perda total alcançara 4 mil empregos. O presidente do IG Metall, Berthold Huber, conclamou a Nokia a abandonar os seus planos de fechar a fabrica, lembrando que essa decisão vai danificar a imagem da marca e os seus negócios.
Os trabalhadores e os sindicatos estão particularmente preocupados com a decisão porque a Nokia recebeu um subsidio de cerca de 100 milhões de euros da União Européia, da governo alemão e do Fundo federal North Rhine Westphalia. A Nokia estava obrigada pela lei a manter os empregos até 31 de dezembro de 2007. Passados apenas 14 dias da data, a Nokia anunciou o fechamento da fabrica.
A Federação Internacional dos Metalúrgicos junta-se ao IG Metall e à Federação Européia de Metalúrgicos nessa luta e chama os seus sindicatos filiados a mandarem cartas de solidariedade a Conselho de Trabalhadores da Nokia e ao IG Metall em Bochum.
Envie as cartas de solidariedade aos seguintes endereços
IG Metall: bochum@igmetall.de Conselho de Trabalhadores da Nokia: Gisela.achenbach@nokia.com com cópias para FEM cjacobsson@emf-fem.org e FITIM info@imfmetal.org (FITIM, 22.01.2008)
Movimento antiglobalização lança boicote à Nokia
O movimento antiglobalização Attac Finlândia pediu hoje que se boicotem os produtos da marca Nokia em resposta à decisão da companhia finlandesa de fechar sua fábrica em Bochum (Alemanha) e transferir a produção para a Romênia.
A Attac Finlândia enviou mais de 2 mil cartas convidando todas as organizações e redes sociais internacionais com as quais colabora a boicotar a Nokia, segundo a agência finlandesa 'STT'.
Na carta, o organismo antiglobalização sustenta que o fechamento de uma fábrica não deficitária como a de Bochum para ser realocada em países com custos mais baixos é um exemplo do capitalismo mais desumano.
Segundo a Attac, decisões deste tipo são especialmente deploráveis se receberem subsídios públicos, como é o caso da Nokia, companhia que obteve 90 milhões de euros na década de 90 para se estabelecer na Alemanha.
'Como as ações sindicais de caráter transnacional estão proibidas, parece que a reação dos consumidores é a única forma de combater a injustiça', afirmou o presidente da Attac Finlândia, Mikko Sauli.
O principal movimento mundial contra a globalização se soma assim ao boicote promovido por vários líderes políticos alemães, entre eles o presidente do Partido Social-Democrata Alemão (SPD), Kurt Beck.
No entanto, a Attac Finlândia não pede aos usuários da Nokia que troquem seus celulares por aparelhos de outra marca, como fizeram os políticos alemães, mas 'reflitam que marca devem comprar quando decidirem mudar de telefone'.
A Alemanha é o quinto mercado mais importante da Nokia quanto a vendas, depois de China, Estados Unidos, Índia e Reino Unido. Em 2006, a Nokia obteve vendas líquidas na Alemanha de 2,06 bilhões de euros. (EFE, 21.01.2008)
Governistas querem boicotar Nokia
O presidente do governamental Partido Social-Democrata Alemão (SPD), Kurt Beck, somou-se aos líderes políticos alemães que pediram publicamente o boicote ao uso de telefones celulares da empresa finlandesa Nokia, depois que esta anunciou o fechamento de sua fábrica na cidade de Bochum.
'Celulares da Nokia não entrarão mais em minha casa', afirma Beck ao dominical 'Bild am Sonntag'.
O político expressa ainda sua 'raiva e tristeza' pelo anúncio do fechamento da fábrica, apesar de ter 'recebido 90 milhões de euros de subvenções'.
O ministro de Consumo, Agricultura e Pesca, Horst Seehofer, já havia anunciado que mudará seu aparelho de telefone celular em solidariedade aos trabalhadores da fábrica de Bochum (oeste da Alemanha), já que 'não gosta da maneira como a Nokia está fazendo as coisas'.
Seehofer ressaltou sua intenção de utilizar a partir de agora um aparelho de telefonia celular de outro fabricante, e confirmou que seu Ministério estuda a possibilidade de ordenar a mudança de todos os aparelhos oficiais.
Seu colega de Finanças, o social-democrata Peer Steinbrück, qualificou de 'capitalismo de caravana' a decisão do consórcio finlandês de desativar a fábrica e de deslocar sua produção à Romênia.
Com o fechamento da fábrica, duas mil pessoas perderão o emprego, e outros mil postos de trabalho estarão em risco em companhias abastecedoras.
A Nokia vai passar a produção a outras fábricas na Europa que são mais competitivas, porque têm custos de produção mais baratos, como na Romênia ou Hungria, enquanto levará a sua fábrica de Salo (Finlândia) a fabricação dos aparelhos mais avançados. (EFE, 21.01.2008)
Premiê não vê chances de salvar fábrica da Nokia
Pelo menos 15 mil pessoas se reuniram nesta terça-feira (22/01) em Bochum para protestar contra o fechamento da central de produção da Nokia naquela cidade. Ao som de sinos, a passeata partiu às cinco para meio-dia em ponto da frente da fábrica, encabeçada por um caixão tranzendo o nome 'Nokia'.
Durante a passeata de protesto e posterior comício público, foram suspensos os trabalhos na produtora de telefones celulares. Em solidariedade, os 2 mil funcionários das três centrais da montadora Opel também paralisaram suas atividades, reunindo-se ao protesto.
Os organizadores da alegam que o número de manifestantes foi 'significativamente superior' a 15 mil, contrariando as estimativas da polícia. Os prognósticos originais para o evento eram de 20 mil participantes.
O presidente do sindicato dos metalúrgicos (IG-Metall), Berthold Huber, classificou a perspectiva de fechamento da fábrica da Nokia como uma 'declaração de guerra a todo o IG-Metall'. Para ele, o motivo é a 'ganância desenfreada de lucros ilimitados', e não falta de competitividade, como alega a fabricante finlandesa.
Numa entrevista à rádio NDR, a chanceler federal Angela Merkel declarou 'não ver praticamente qualquer chance' de que a Nokia volte atrás em sua decisão de fechar suas dependências em Bochum. (av)(DW, 2201.2008)