Dirigentes metalúrgicas defendem acesso a exames, diagnóstico precoce e políticas públicas para garantir o direito das mulheres à saúde
A campanha Outubro Rosa mobiliza a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) em torno da prevenção do câncer de mama e da defesa da saúde pública. A entidade destaca o acesso aos exames, ao diagnóstico precoce e ao tratamento pelo SUS.
Neste ano, a Secretaria de Mulheres da CNM/CUT também relacionou a campanha ao debate eleitoral, chamando a atenção para as políticas públicas de saúde, a igualdade de oportunidades e a necessidade de ampliar os serviços de proteção e acolhimento às mulheres.
Saúde como direito
A secretária de Mulheres da CNM/CUT, Maria de Jesus, explicou que a campanha buscou ampliar o debate sobre os direitos das mulheres, incluindo o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a garantia de atendimento em todas as etapas do cuidado.
“Queremos igualdade de oportunidades, serviço de proteção e acolhimento, intensificar o fortalecimento do SUS, políticas públicas que garantam amplo acesso à saúde para todas as mulheres”, afirmou Maria de Jesus, ao apresentar as prioridades da secretaria.
A dirigente também chamou a atenção para a importância da mamografia e do diagnóstico precoce. Ela lembrou que mulheres a partir dos 40 anos podem ter acesso ao exame pelo SUS e ressaltou a necessidade de observar fatores de risco, como histórico familiar e sedentarismo.
O acesso à mamografia a partir dos 40 anos deve considerar a orientação dos profissionais de saúde. Para mulheres sem sintomas, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento de rotina a cada dois anos, dos 50 aos 74 anos, conforme as diretrizes nacionais.
Trabalho e saúde
Para a primeira vice-presidenta da CNM/CUT, Cátia Cheve, o Outubro Rosa também deve estimular a reflexão sobre as condições de vida das trabalhadoras, que precisam conciliar jornadas profissionais, responsabilidades familiares e cuidados com a própria saúde.
“Para nós, trabalhadoras metalúrgicas, que enfrentamos jornadas de trabalho e tantas outras responsabilidades, ter acesso à prevenção, aos exames e ao tratamento é um direito que precisa ser garantido”, destacou.
A dirigente defendeu que o cuidado com a saúde das mulheres não pode depender apenas de iniciativas individuais. Segundo ela, cabe ao poder público garantir atendimento de qualidade, enquanto o movimento sindical mantém a defesa desse direito entre suas prioridades.
“Cuidar da saúde das mulheres também é uma responsabilidade do poder público e uma pauta permanente da nossa luta sindical”, acrescentou a primeira vice-presidenta, ao reforçar a importância de políticas públicas permanentes.
Cuidado integral
A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, observou que a atenção à saúde feminina precisa ir além do câncer de mama. Ela também destacou a prevenção e o diagnóstico precoce de outros cânceres, como o do colo do útero.
“Quando falamos do Outubro Rosa, é comum pensar logo no câncer de mama. E esse cuidado é muito importante. Mas a saúde da mulher é integral e envolve a prevenção e o diagnóstico precoce de outros cânceres ginecológicos, como o câncer do colo do útero”, explicou.
Para a dirigente, consultas, exames indicados e acompanhamento profissional precisam fazer parte da rotina de cuidados ao longo do ano. Ela também relacionou a atenção à saúde à autonomia das mulheres e à participação nas atividades profissionais e sociais.
“Nós, mulheres, cuidamos de tantas pessoas e estamos presentes em tantas lutas. Mas também precisamos cuidar de nós”, ressaltou Amparo, ao defender que o cuidado com a própria saúde seja incorporado ao cotidiano das trabalhadoras.
Tempo para cuidar
A sobrecarga de responsabilidades também foi abordada pela secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos. Ela avaliou que as exigências do trabalho, da família e das tarefas domésticas frequentemente deixam o autocuidado em segundo plano.
“Às vezes a gente gasta tanto tempo fazendo outras coisas, cuidando de filho, cuidando de casa, trabalhando, e a gente esquece de cuidar da gente mesmo”, disse Christiane, ao chamar a atenção para a necessidade de reservar tempo para a própria saúde.
A dirigente lembrou que muitas mulheres adiam consultas e cuidados por causa das demandas diárias. Para ela, a conscientização promovida pelo Outubro Rosa deve estimular a procura por atendimento e a atenção aos sinais do corpo.
Diagnóstico precoce
A secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo, destacou a importância de reconhecer alterações nas mamas e procurar os serviços de saúde. Ela também defendeu o acesso às consultas médicas e aos exames indicados, incluindo a mamografia.
Segundo Kelly, a identificação do câncer de mama em estágios iniciais aumenta as possibilidades de sucesso do tratamento. A dirigente também incentivou as mulheres a conhecerem o próprio corpo e a compartilharem informações sobre prevenção e cuidados com a saúde.
“O Outubro Rosa lembra que cuidar da saúde é um ato de amor-próprio. Prevenir é a melhor forma de lutar. Então faça seus exames, cuide de si e incentive as mulheres ao seu redor a fazerem o mesmo”, afirmou Kelly.
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