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Arcelor Brasil tenta comprar centro de distribuição de aços

Publicado: 23 Fevereiro, 2006 - 08h00

Escrito por: CNM CUT

A Arcelor Brasil, grupo siderúrgico que reúne Belgo Mineira, Cia. Siderúrgica Tubarão (CST) e Vega do Sul, negocia a compra da Manchester Tubos e Perfilados S.A. empresa mineira de processamento e distribuição de aços planos instalada em Contagem, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Fontes do setor dão como certa a aquisição pela siderúrgica, com uma proposta em torno de R$ 100 milhões. Nenhuma das duas companhias, no entanto, confirma as negociações.

Criada em 1989, a Manchester é um dos grandes centros de serviços (cortes e outros acabamentos de bobinas e chapas de aço) e de distribuição que sobrevive independente, sem estar coligado a uma siderúrgica. Por exemplo, a Inal pertence à Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) e Rio Negro, Fasal e Dufer estão atrelados à Usiminas. O grupo Gerdau opera por meio da Comercial Gerdau.

A Arcelor Brasil dispõe de uma estrutura em fase de expansão sob a gestão da controlada Belgo, tanto para aços longos quanto planos. A intenção da companhia é replicar no Brasil a mesma estratégia de centro de serviços e distribuição que a matriz tem na Europa, a Arcelor Steel Solutions e Services (A3S), braço que faturou 8,6 bilhões de euros no ano passado.

A distribuidora mineira fornece para indústrias dos mais variados setores os seguintes produtos: tubos, perfis, chapas, blanks, rolos, telhas, lambris e centenas de outros itens correlatos. Seu centro de serviços é considerado bastante moderno e, segundo informações do setor, está apto a processar 10 mil toneladas mensais.

Segundo informações no site da Manchester, a distribuidora dispõe de capacidade para movimentar 300 mil toneladas ao mês, considerando material que é adquirido das usinas e revendido sem acabamento.

CST e Vega do Sul, siderúrgicas de aços planos da Arcelor Brasil, estão entre os principais fornecedores de bobinas de aço laminadas a quente, a frio e galvanizadas para a Manchester. A empresa mineira compra ainda do sistema Usiminas (usinas de Ipatinga e da Cosipa) e da CSN.

Fontes do setor informaram que a Manchester vem enfrentando, há algum tempo, dificuldades para se manter independente, comprometida com cotas de fornecimento e tendo de arcar com um alto custo de capital de giro. Estaria também em dificuldades financeiras devido ter investido cerca de US$ 10 milhões no seu centro de serviços. A empresa mineira faturou R$ 212 milhões em 2004 e previa fechar o balanço de 2005 com uma receita de R$ 230 milhões. O patrimônio líquido declarado da empresa é de R$ 57,6 milhões.

A Manchester pertence a família Marra e tem seu capital dividido entre três membros: Carlos Roberto Marra (33,1%) , Cláudia Regina Marra (33%) e Ricardo Marra (29,9%). A RCC Holding detém outros 3,8%. O centro de distribuição é atualmente presidido por Ricardo Marra Brasil.

A direção da Arcelor Brasil, por meio da assessoria de imprensa, informou que não tem o que comentar sobre o assunto. Por sua vez, a direção da Manchester, por e-mail, informou ao Valor que há 'muita especulação a respeito do assunto'. E acrescentou em sua resposta que 'nada de concreto existe neste momento'.

O movimento da Arcelor Brasil nesse setor, que no Brasil ainda é formado por muitas empresas de pequeno e médio porte de gestão familiar, poderá deslanchar uma onda de consolidação no segmento, como vem ocorrendo na produção de aço. Gerdau, CSN, Usiminas e a espanhola Gonvarri são os principais competidores no setor.

A distribuição de aços planos no país movimenta por ano em torno de 3 milhões de toneladas. Esse volume corresponde a 30% das vendas no mercado interno.

Fonte: Valor