Ato em Manaus reforça luta por jornada menor e fim da escala 6x1
Mobilização em fábrica dialoga com trabalhadores e integra movimento nacional por mais qualidade de vida
Publicado: 16 Abril, 2026 - 07h48
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
Dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) realizaram mobilização em Manaus, em frente à Yamaha do Brasil, em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1. O protesto, que aconteceu nesta quarta-feira, dia 15, faz parte de um movimento nacional que também levou trabalhadoras e trabalhadores a Brasília (DF), ampliando a pressão por mudanças na legislação e por melhores condições de vida.
A ação na porta da fábrica teve como foco o contato direto com a categoria, com distribuição de materiais informativos e conversas sobre os impactos da jornada extensa. A iniciativa buscou esclarecer dúvidas e ampliar o entendimento das trabalhadoras e dos trabalhadores sobre a proposta de redução da carga horária, tema que ainda gera incertezas na base da categoria.
“Estamos indo na porta das fábricas entregar o material e conversar com as trabalhadoras e os trabalhadores. Muitos ainda não sabem exatamente o que vai mudar em suas vidas com a redução da jornada. Há quem acredite na mudança, mas também há quem ache que isso é impossível”, afirmou Maria de Jesus, secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT).
Impactos da jornada
A mobilização destacou os efeitos da escala 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e tem apenas um de descanso. Na prática, esse único dia precisa concentrar tarefas domésticas, convivência familiar e recuperação física, o que, segundo os dirigentes, resulta em cansaço acumulado e aumento do estresse.
“Mesmo com o avanço tecnológico e o crescimento da produtividade nas indústrias, a jornada de trabalho no Brasil permanece praticamente inalterada há quase 40 anos. Para o movimento sindical, essa defasagem contribui para o aumento de doenças relacionadas ao trabalho e para a perda de qualidade de vida”, disse Maria.
Pressão por mudanças
Durante a atividade, também foram apresentados dados que indicam apoio majoritário à pauta. Levantamentos apontam que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6x1. Estudos ainda sugerem que a redução da jornada pode gerar empregos, melhorar a produtividade e ter impacto mínimo nos custos das empresas.
A proposta defendida pelas entidades sindicais prevê a redução da jornada para 40 horas semanais. Para a dirigente, “a mobilização nas portas de fábrica é fundamental para fortalecer a conscientização e ampliar a pressão por mudanças que garantam mais tempo, saúde e dignidade às trabalhadoras e aos trabalhadores”.
