Audiência na Paraíba reforça luta pela redução de jornada
Categoria metalúrgica marcou presença em atividade que discutiu a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim da escala 6x1
Publicado: 08 Maio, 2026 - 17h11
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A primeira audiência pública da comissão especial da Câmara dos Deputados sobre a redução da jornada de trabalho sem redução de salário e pelo fim da escala 6x1 aconteceu em João Pessoa, na Assembleia Legislativa da Paraíba na manhã desta quinta-feira (7). O encontro reuniu representantes do governo Lula, parlamentares, centrais sindicais e movimentos sociais em defesa de mudanças nas relações de trabalho no país.
O debate marcou o início de uma mobilização nacional em torno da proposta que prevê a redução da jornada semanal, com duas folgas por semana e sem corte salarial. A pauta tem sido defendida por sindicatos e movimentos populares como uma medida para ampliar a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Durante a audiência, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo federal apoia a redução imediata da jornada máxima de trabalho. Segundo ele, a medida representa uma resposta à reivindicação histórica das trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.
“Nosso governo propõe redução da jornada máxima imediatamente para 40 horas semanais sem redução do salário e duas folgas da semana. Isso é um clamor do povo trabalhador. Junto com o fim da escala 6x1, a pior das escalas possíveis, mais cruel especialmente para as mulheres”, afirmou.
Representando a categoria metalúrgica, a secretária-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Campina Grande, Marli Melo, reforçou a importância da participação popular na campanha nacional pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada sem redução de salário.
“Aqui na Assembleia Legislativa de João Pessoa acontece a primeira audiência sobre o fim da escala 6x1, uma luta para garantir à classe trabalhadora tempo, descanso e direito à vida. Nós, trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos de Campina Grande, da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, queremos convocar você, trabalhadora e trabalhador, para essa luta”, afirmou.
Marli também destacou que a pauta vai além do movimento sindical. “Ela não é apenas do movimento sindical, mas de toda a classe trabalhadora. Chamamos todas e todos para estarem presentes nos atos e mobilizações pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6x1. Essa é a nossa oportunidade”, enfatizou.
Marinho também destacou que o atual modelo de jornada tem provocado impactos no mercado de trabalho. “Essa escala tem criado um grave problema para as empresas que vêm enfrentando dificuldade para preencher as vagas existentes. O Brasil deve e pode cuidar melhor da saúde da trabalhadora e do trabalhador”, destacou.
O ministro participou da audiência ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta, além da deputada Daiana Santos e dos deputados Alencar Santana, Léo Prates e Reginaldo Lopes.
Agenda da comissão especial
As mobilizações pelo fim da escala 6x1 seguem ganhando força em diversas regiões do país nas próximas semanas.
O calendário de audiências públicas e debates prevê encontros em São Paulo, no dia 14 de maio; Porto Alegre, em 15 de maio; Maranhão, no dia 16; Belo Horizonte, em 21 de maio; e Manaus, no dia 22. As atividades reúnem trabalhadoras, trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais.
A pressão nacional deve ganhar ainda mais intensidade no dia 27 de maio, quando está marcada uma mobilização nacional em defesa da redução da jornada e do fim da escala 6x1.
Na mesma data, o projeto também deve avançar no Congresso Nacional, com previsão de votação no plenário. A expectativa das entidades é ampliar a participação popular e pressionar parlamentares pela aprovação da proposta.
Direito à qualidade de vida
Representantes sindicais defenderam durante a audiência que a redução da jornada pode diminuir casos de adoecimento físico e mental, além de ampliar o tempo de convivência familiar e social das trabalhadoras e trabalhadores.
A mobilização pelo fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos anos em diferentes regiões do país. Entidades sindicais avaliam que o debate deixou de ser uma pauta isolada e passou a representar uma reivindicação ampla da classe trabalhadora brasileira.
