CNM/CUT avança na construção de estratégia nacional para o setor naval
Encontro da CNM/CUT em Niterói define propostas, fortalece unidade nacional e valoriza o trabalho no segmento
Publicado: 06 Fevereiro, 2026 - 12h35 | Última modificação: 06 Fevereiro, 2026 - 14h54
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) realizou, nesta quinta-feira (5), uma reunião nacional presencial para debater a reorganização do setor naval brasileiro, os investimentos estratégicos e o papel das trabalhadoras e dos trabalhadores na retomada da indústria do setor. O encontro ocorreu no Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e reuniu dirigentes sindicais de diferentes regiões do país com atuação direta no segmento.
A atividade teve como eixo central a organização da intervenção sindical no processo de retomada do setor, com foco na construção de uma agenda nacional unificada, no fortalecimento da atuação sindical e na formulação de propostas que assegurem desenvolvimento industrial com valorização do trabalho. Participaram dirigentes do Amazonas, Espírito Santo, Pernambuco e Rio de Janeiro.
O encontro contou ainda com a participação da deputada estadual Verônica Lima, presidente da Frente Parlamentar pela Indústria Naval no Rio de Janeiro, que destacou a importância da articulação entre movimento sindical, parlamento e governo para a retomada da indústria naval. A atividade também teve a participação do diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal, que tem dado apoio permanente às atividades da CNM/CUT no setor naval.
A deputada estadual Verônica Lima (PT), que preside a Frente Parlamentar de Acompanhamento da Instalação do Polo Gaslub de Itaboraí na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, apontou que a burocracia e a demora para o início de obras, mesmo com editais já vencidos como no caso da Engevix, ainda são entraves à geração de empregos no estado.
Segundo a parlamentar, “a gente precisa de celeridade no início dessas obras, porque é a nossa expectativa de gerar emprego e renda para o povo do Rio de Janeiro”. Ela também reforçou a necessidade de aprovação de um Refis estadual voltado à indústria naval e defendeu a preservação de ativos estratégicos como o Estaleiro Inhaúma, como forma de assegurar a vocação industrial do setor no Rio de Janeiro.
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, ressaltou que a retomada da indústria naval precisa estar associada a uma estratégia de Estado e à participação efetiva das trabalhadoras e dos trabalhadores. “O encontro foi muito importante porque reuniu sindicatos da CNM/CUT para discutir o futuro do trabalho no setor naval. A retomada não pode se limitar ao investimento governamental. É fundamental enfrentar a postura de parte do empresariado que ainda prioriza apenas reparos, em vez da construção de novos navios, e dialogar com o governo sobre a necessidade de uma política de Estado para o setor”, destacou.
Para Edson Carlos, coordenador do setor naval da CNM/CUT, o encontro representou um momento significativo de mobilização e qualidade política. “Há muito tempo eu não via um evento como esse no setor naval. As pessoas vieram atentas e interessadas em discutir, compreender e contribuir com o propósito da CNM/CUT de organizar as demandas e as ideias para o setor. Foi um encontro muito produtivo, com participação de companheiros trazendo propostas concretas. Saímos daqui com o desafio de sistematizar essas contribuições em um documento que será levado ao governo Lula”, disse.
Durante a reunião, ganhou destaque a necessidade de avançar na discussão sobre a construção de um Contrato Coletivo Nacional para o setor naval, como instrumento de unificação de direitos, combate à precarização e valorização do trabalho nos estaleiros. A realidade da terceirização precária em algumas regiões e as desigualdades nas condições de trabalho estiveram no centro do debate.
Loricardo afirmou a centralidade da luta por um Contrato Coletivo Nacional como forma de garantir qualidade no trabalho e impedir práticas de precarização. “Não podemos aceitar que a reorganização do setor venha acompanhada de terceirização precária, como ocorre em alguns estaleiros. Queremos uma indústria naval forte, com trabalho valorizado, direitos garantidos e participação sindical efetiva”, afirmou.
A retomada da indústria naval e os desafios para os trabalhadores já começaram
O encontro também abordou experiências concretas de retomada, como o caso de Manaus, onde investimentos viabilizados com recursos do Fundo da Marinha Mercante e do BNDES permitiram a produção de embarcações após articulação sindical e política. Também foram debatidos os desafios enfrentados por estaleiros em recuperação judicial e a necessidade de garantir políticas públicas que priorizem a construção naval, e não apenas o reparo de embarcações.
Ao final da reunião, foi definida a criação de uma comissão responsável por sistematizar as propostas debatidas e elaborar um documento com diretrizes sobre trabalho, investimento e desenvolvimento do setor, que será apresentado ao governo Lula e à Frente Parlamentar em defesa da indústria naval.
Para a CNM/CUT, “o encontro em Niterói consolida um passo importante na construção de uma estratégia nacional para o setor naval, com unidade de ação, protagonismo sindical e compromisso com o desenvolvimento industrial soberano e a valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores”, encerrou Loricardo.
