CNM/CUT debate acordo Mercosul-UE e intensifica mobilização nacional por direitos
Reunião da executiva aponta riscos à indústria e organiza ações por redução da jornada e fim da escala 6x1
Publicado: 06 Maio, 2026 - 13h34
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A direção da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) se reuniu na manhã desta terça-feira (5) para debater os impactos do acordo Mercosul-União Europeia e alinhar estratégias de mobilização nacional. Sindicalistas de diversas regiões do Brasil participaram da discussão, que também tratou da organização da luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1.
Estudo apresentado por Anna Paula, da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, apontou que o acordo pode aprofundar a especialização regressiva da economia brasileira, ampliando a dependência de exportações primárias e fragilizando a indústria de transformação. A análise também indicou riscos ao emprego, à inovação tecnológica e aos investimentos produtivos no país.
“Estamos diante de um acordo que pode ampliar desigualdades produtivas e comprometer o futuro da indústria nacional”, afirmou, ao destacar ainda o risco de aumento do desmatamento e a dificuldade de inserção de tecnologias brasileiras no novo cenário comercial.
Dirigentes também apontaram contradições entre o acordo e políticas industriais em curso, como a Nova Indústria Brasil. A avaliação predominante é de que o tratado favorece a entrada de produtos europeus, o que pode pressionar ainda mais a produção nacional e comprometer estratégias de desenvolvimento industrial.
“Não podemos aceitar que decisões comerciais sejam tomadas sem considerar os impactos sobre os trabalhadores e sobre a soberania industrial do país. A CNM/CUT seguirá acompanhando esse debate de forma crítica, defendendo uma política industrial forte, geração de empregos de qualidade e desenvolvimento com valorização do trabalho. Ao mesmo tempo, vamos intensificar a mobilização nacional pela redução da jornada sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1, porque essa é uma pauta urgente para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora brasileira”, afirmou Loricardo de Oliveira, presidente da CNM/CUT.
Para Renato Almeida, o momento exige fortalecimento da organização sindical e maior articulação entre as entidades filiadas. “A reunião reforçou a importância de mantermos a unidade política e capacidade de mobilização em todo o país. Temos desafios importantes colocados, desde a defesa da indústria nacional até a ampliação da participação da juventude, das mulheres e dos segmentos organizados da CNM/CUT. É fundamental que os sindicatos estejam conectados nacionalmente para construir respostas coletivas e fortalecer as lutas da categoria”, destacou.
Mobilização nacional
Outro ponto central foi a organização das mobilizações pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pelo fim da escala 6x1. A CNM/CUT definiu ações para acompanhar a tramitação no Congresso Nacional e intensificar a pressão política nos estados e em Brasília (DF).
O momento exige unidade e presença nos territórios para garantir avanços concretos para a classe trabalhadora”, afirmou Loricardo de Oliveira, ao reforçar a importância da mobilização articulada e da pressão política junto às bases parlamentares em todo o país.
Além dos debates sobre o Acordo Mercosul–União Europeia e a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a reunião também abordou o andamento do projeto desenvolvido em parceria com a IG Metall, informes das agendas e articulações realizadas em Brasília, o balanço do Comitê da Juventude e as iniciativas de intercâmbio sindical internacional.
Também foi falado sobre o 1º de Maio, o fortalecimento dos segmentos e redes da CNM/CUT, estratégias para ampliar a participação das mulheres nas atividades da Confederação, além de informes gerais e a organização da agenda de ações de maio.
“Nosso desafio é garantir unidade de ação e alinhamento político em todas as frentes”, afirmou Virgínio Balbino, secretário-geral do SindMetal-PE, ao defender maior coordenação nacional e participação ativa dos sindicatos nas decisões estratégicas e nas mobilizações organizadas pela CNM/CUT.
