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CNM/CUT defende redução da jornada e fim da escala 6x1

Nota técnica destaca apoio social, ganhos econômicos e estudos sobre baixo impacto nos custos

Publicado: 18 Fevereiro, 2026 - 19h12 | Última modificação: 19 Fevereiro, 2026 - 11h19

Escrito por: Érica Aragão

CNM/CUT
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O Brasil está diante de uma escolha histórica

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) divulgou uma nota técnica em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1.

O documento sustenta que o debate precisa ser baseado em evidências e classifica a pauta como uma “agenda econômica, social e civilizatória”, ressaltando que milhões de trabalhadoras e trabalhadores vivem sob esse regime.

As entidades também destacam que há amplo apoio social à mudança e que experiências históricas apontam efeitos positivos sobre emprego, produtividade e qualidade de vida.

Para a CNM/CUT e a CUT, “reduzir a jornada não é custo: é investimento” e o país vive “uma escolha histórica” entre manter jornadas extensas ou avançar para um modelo de desenvolvimento com justiça social e bem-estar.

Leia a íntegra da nota:

NOTA TÉCNICA

Redução da jornada de trabalho, fim da escala 6x1 e um novo modelo de desenvolvimento para o Brasil

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 precisa ser tratado com base em evidências empíricas, na realidade do mundo do trabalho e nas transformações produtivas em curso no Brasil e no mundo. Trata-se de uma agenda econômica, social e civilizatória, alinhada às experiências internacionais, às demandas da classe trabalhadora e às necessidades de um novo padrão de desenvolvimento.

No Brasil, cerca de 20 milhões de pessoas trabalham em sobrejornada, e as ocupações com escala 6x1 apresentam os maiores índices de pedidos de demissão voluntária, revelando um modelo que gera desgaste, alta rotatividade e perda de eficiência econômica, além de afetar a saúde dos trabalhadores.

Pesquisa recente aponta que mais de 70% da população brasileira apoia o fim da escala 6x1 sem redução salarial, demonstrando que essa é uma pauta com forte legitimidade social e que responde a um problema concreto vivido por milhões de trabalhadores e trabalhadoras: jornadas extensas, pouco tempo de descanso, adoecimento e alta rotatividade.

Estudos técnicos indicam que a redução da jornada não pode ser analisada apenas pela ótica do custo imediato. A experiência histórica brasileira e internacional demonstra que mudanças dessa natureza não produziram efeitos negativos sobre o emprego e, ao contrário, estiveram associadas a ganhos sociais e econômicos. A própria redução da jornada prevista na Constituição de 1988 não gerou aumento do desemprego.

Além disso, simulações com dados do mercado formal mostram que uma eventual redução da jornada teria impacto médio sobre o custo do trabalho inferior a choques já absorvidos pela economia brasileira em outros momentos, como na política de valorização do salário mínimo, que contribuiu para reduzir desigualdades sem provocar retração do emprego.

O cenário atual do mercado de trabalho, com aumento da ocupação e maior dinamismo, cria condições favoráveis para uma transição responsável e negociada, com políticas de adaptação setorial e ganho de produtividade.

Do ponto de vista social e da saúde do trabalhador, as evidências são ainda mais contundentes. Jornadas extensas estão associadas ao aumento do estresse, à piora da qualidade do sono, ao adoecimento e à queda na qualidade de vida. A redução do tempo de trabalho está diretamente relacionada à melhoria das condições de vida e ao aumento da satisfação e da produtividade.
Também é importante destacar que a redução da jornada tem impactos positivos sobre a igualdade social e de gênero, ao permitir uma divisão mais equilibrada do trabalho de cuidado e ampliar as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

A discussão sobre o tempo de trabalho está diretamente vinculada ao nível de desenvolvimento de um país. Na União Europeia, tem países com jornada de 32 horas semanais. O Brasil não pode competir internacionalmente com base em jornadas mais longas e condições de trabalho mais precárias. O caminho para o desenvolvimento passa por produtividade, inovação, qualificação e melhoria da qualidade de vida.

Reduzir a jornada não é custo: é investimento. É investimento em saúde, em produtividade, em geração de empregos, em dinamização da economia e em fortalecimento do mercado interno. É investimento em educação, em convivência familiar e em participação social.

A construção de um novo modelo de trabalho exige o envolvimento de toda a sociedade. O debate sobre a redução da jornada diz respeito à comunidade escolar, ao comércio, à indústria, aos serviços e às cidades. Trata-se de garantir tempo de vida para quem produz a riqueza do país.

O Brasil está diante de uma escolha histórica: manter um modelo baseado na intensificação do trabalho e na compressão do tempo de vida ou avançar para um padrão de desenvolvimento que combine crescimento econômico, justiça social e bem-estar.

A redução da jornada e o fim da escala 6x1 representam um passo decisivo nessa direção.

Por isso, a CNM/CUT ressalta seu posicionamento em defesa das Propostas de Emendas Constitucionais (PECs) que defendem as 36 horas e fim da escala 6x1!

Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT)