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CNM/CUT leva debate sobre direitos e tarifas ao Comitê Executivo da IndustriALL

Encontro em Genebra discutiu desafios à ação sindical, industrialização, juventude, mulheres e direitos humanos no trabalho

Publicado: 13 Junho, 2026 - 12h18

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

IndustriALL Global Union
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A reunião teve como eixo central a implementação do plano de ação aprovado no Congresso de Sydney

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) participou, nos dias 11 e 12 de junho, da reunião do Comitê Executivo da IndustriALL Global Union, realizada em Genebra, na Suíça. Representando a entidade, o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel, acompanhou os debates que reuniram lideranças sindicais de diversas partes do mundo para discutir estratégias de fortalecimento da organização da classe trabalhadora diante dos desafios políticos, econômicos e sociais que afetam a indústria global.

A reunião teve como eixo central a implementação do plano de ação aprovado no Congresso de Sydney, além da resolução feminista da IndustriALL, das políticas voltadas para a juventude trabalhadora, inclusive a importante conquista do recém-criado coletivo mundial que garante a participação de jovens na executiva da entidade e da apresentação do novo Centro de Competência em Direitos Humanos e Desenvolvimento do Trabalho, iniciativa que busca ampliar a capacidade de atuação sindical diante das mudanças nas cadeias produtivas globais e das transformações no mundo do trabalho.

Direitos em debate
Durante a abertura do encontro, o secretário-geral da IndustriALL, Atle Høie, reforçou a necessidade de ampliar a mobilização internacional em defesa da liberdade sindical e da negociação coletiva. “A luta pelos direitos sindicais fundamentais é nossa. Precisamos estar na linha de frente”, afirmou. A declaração sintetizou o tom dos debates, marcados pela preocupação com o avanço de medidas que enfraquecem a representação dos trabalhadores em diferentes países ao redor do mundo.

Na mesma direção, a vice-presidente da IndustriALL, Rose Omamo, defendeu um modelo de desenvolvimento econômico baseado na valorização do trabalho. “Industrialização sem direitos é exploração. Industrialização sem sindicatos fortes é insustentável. Industrialização sem trabalho decente não resiste a choques econômicos”, declarou. A dirigente destacou que o crescimento industrial precisa estar associado à geração de empregos de qualidade e ao fortalecimento das organizações sindicais.

Tarifas e indústria
Segundo Maicon, um dos temas que despertou maior interesse entre os participantes foi o debate sobre as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) a diversos países e seus possíveis impactos sobre a economia mundial. A CNM/CUT contribuiu para ampliar a discussão sobre os reflexos dessas medidas para a indústria brasileira e para os trabalhadores, especialmente em um cenário de reorganização das cadeias produtivas e de aumento das disputas comerciais entre as principais economias do planeta.

“Entre as coisas mais interessantes desses dois dias, esteve o debate que nós trouxemos sobre as tarifas colocadas pelo governo dos EUA. É um tema que afeta vários países e que tem impacto direto sobre a indústria e o mundo do trabalho”, destacou Maicon. Para o dirigente, o movimento sindical precisa acompanhar atentamente essas mudanças para defender empregos, produção e desenvolvimento industrial integrado na América Latina e Caribe com direitos.

Alerta para a Argentina
Outro tema que mobilizou os participantes foi a situação enfrentada pela Unión Obrera Metalúrgica (UOM), principal entidade sindical dos metalúrgicos da Argentina e parceira histórica da CNM/CUT. De acordo com Maicon, a intervenção estatal imposta à organização foi apresentada como um exemplo concreto das ameaças à autonomia sindical observadas em diferentes partes do mundo, inclusive no Brasil.

“A UOM está sofrendo uma intervenção estatal neste momento. Foi nomeado um interventor que passa a conduzir negociações da entidade. Além disso, já começaram mudanças na estrutura técnica do sindicato, despedindo trabalhadores e enfraquecendo o setor técnico, responsável pelas análises econômicas, algo parecido com o nosso DIEESE”, relatou. O dirigente lembrou que a medida gerou forte preocupação entre as organizações filiadas à IndustriALL, que enxergam a autonomia sindical como um princípio fundamental para a defesa dos interesses da classe trabalhadora.

Para a CNM/CUT, a reunião do Comitê Executivo reforçou a importância da solidariedade internacional entre os sindicatos e da construção de respostas conjuntas para enfrentar ataques aos direitos trabalhistas, à negociação coletiva e à liberdade de organização. “Em um cenário de profundas transformações econômicas e conflitos geopolíticos generalizados impulsionados pelos países centrais do capitalismo, a atuação articulada entre entidades de diferentes países segue sendo um instrumento essencial para garantir trabalho decente, democracia e justiça social”, concluiu Maicon.

*Com informações da IndustriALL