CNM/CUT prestigia evento com ministra Márcia Lopes em São Bernardo do Campo
Material lançado durante ato reúne categoria e reforça responsabilidade dos homens no enfrentamento à violência
Publicado: 19 Março, 2026 - 20h47
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
Trabalhadoras e trabalhadores participaram do ato “Homens contra o Feminicídio”, no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo. A atividade contou com a presença da ministra das Mulheres do governo Lula, Márcia Lopes, e de dirigentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), e marcou o lançamento da cartilha “Papo de homem: Violência contra a mulher – Temos que dar um fim!”.
O material propõe um diálogo direto com os homens da categoria, destacando que a violência não começa na agressão física, mas em práticas cotidianas como o controle, o assédio e o desrespeito naturalizado nas relações. A iniciativa busca estimular reflexão, diálogo e responsabilidade masculina no enfrentamento à violência de gênero, reforçando que combater a violência contra as mulheres também é tarefa dos homens.
A Secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo participou do evento e reforçou o papel da conscientização. “Essa cartilha é um chamado direto aos homens, para que assumam sua responsabilidade na mudança dessa realidade”, afirmou. Segundo ela, o enfrentamento à violência passa por reconhecer práticas naturalizadas no cotidiano.
Amparo destacou ainda que o material não tem caráter punitivo, mas educativo. “Não é sobre apontar culpados, é sobre provocar reflexão e transformação. A violência é aprendida, e tudo que é aprendido pode ser desaprendido”, disse. Para ela, o diálogo entre homens é fundamental para romper ciclos históricos de opressão.
A dirigente também enfatizou a importância da formação política e social dentro da categoria. “Combater a violência contra a mulher fortalece a luta coletiva. Não existe justiça social enquanto metade da classe vive sob medo e desigualdade”, afirmou. A cartilha, segundo ela, é um instrumento para avançar neste processo de conscientização e mudança.
Sobre a cartilha
A publicação traz números que evidenciam a gravidade do problema. No Brasil, uma mulher sofre violência a cada quatro minutos e é agredida fisicamente a cada dois minutos. São mais de 230 mil casos de violência doméstica por ano e cerca de quatro mulheres assassinadas por dia. Em mais de 90% dos casos, os autores são homens, muitas vezes parceiros ou pessoas próximas.
Outro ponto central é a compreensão de que a violência assume diversas formas. Além da física, o material aborda violências psicológica, moral, sexual, patrimonial e digital. Situações como humilhação, controle financeiro, vigilância de redes sociais e insistência após um “não” são apontadas como práticas violentas que antecedem casos mais graves.
Violência e classe trabalhadora
A cartilha também estabelece relação direta entre machismo e exploração no mundo do trabalho. Ao destacar que a desigualdade salarial, a sobrecarga e o assédio contra mulheres interessam ao capital, o material afirma que a divisão entre homens e mulheres enfraquece a luta coletiva. O enfrentamento ao machismo, portanto, é apresentado como parte da defesa de direitos e da unidade da classe trabalhadora.
Nesse contexto, o feminicídio é tratado como um problema social e de classe, não como questão individual. A publicação reforça que a violência contra a mulher impacta famílias, comunidades e toda a classe trabalhadora, exigindo resposta coletiva e mudança de comportamento, especialmente entre os homens.
