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CNM/CUT propõe campanha em debate sobre acordo Mercosul/União Europeia

Seminário em Montevidéu aprova proposta “Trabalho Igual, Direitos Iguais” e reforça defesa dos trabalhadores na implementação do acordo

Publicado: 29 Julho, 2026 - 16h40 | Última modificação: 29 Julho, 2026 - 16h44

Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão

Reprodução
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A campanha “Trabalho Igual, Direitos Iguais” busca aproximar os sindicatos do Mercosul e da Europa

A proposta da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) de criar a campanha “Trabalho Igual, Direitos Iguais” foi aprovada como um dos principais encaminhamentos do Seminário da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS), realizado em Montevidéu, no Uruguai. O encontro reuniu dirigentes sindicais para discutir os impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre o emprego, a indústria e os direitos trabalhistas.

Durante dois dias de debates (27 e 28 de julho), representantes das centrais sindicais dos países do Mercosul avaliaram os desafios impostos pelo acordo comercial e definiram estratégias para ampliar a participação das trabalhadoras e dos trabalhadores em sua implementação. Entre as prioridades aprovadas estão o fortalecimento do diálogo social, o acompanhamento permanente dos impactos econômicos e a articulação internacional em defesa do trabalho decente.

Proposta aprovada
Ao apresentar a proposta da campanha, o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, defendeu que o acordo entre Mercosul e União Europeia não pode ser tratado apenas sob a ótica das relações comerciais. Segundo ele, a integração econômica precisa caminhar ao lado da geração de empregos, da distribuição de renda, da negociação coletiva e da garantia de direitos para os trabalhadores dos dois blocos.

“O acordo entre Mercosul e União Europeia é um acordo comercial. Infelizmente, ele não tratou de temas fundamentais como trabalho, distribuição de renda e direitos dos trabalhadores”, afirmou.

De acordo com o presidente, a CNM/CUT também propôs ampliar o acompanhamento da implementação do acordo por meio da criação de um comitê tripartite no Brasil. “Vamos reforçar a proposta de criação de um comitê tripartite, com participação do governo, dos trabalhadores e dos empregadores, para acompanhar a implementação do acordo, garantindo geração de empregos, distribuição de renda e a participação dos trabalhadores nesse processo”, destacou.

A campanha “Trabalho Igual, Direitos Iguais” busca aproximar os sindicatos do Mercosul e da Europa para construir compromissos com empresas multinacionais que atuam nos dois mercados. A proposta prevê a defesa de condições dignas de trabalho, valorização salarial e respeito aos direitos trabalhistas, independentemente do país onde a atividade seja desenvolvida.

“Queremos construir protocolos e acordos com as empresas que participam desse livre comércio para garantir que trabalhadores que realizam o mesmo trabalho tenham os mesmos direitos. Essa proposta foi muito bem recebida e aprovada como um dos encaminhamentos do seminário”, disse Loricardo.

Diálogo Social
Além da campanha, o seminário aprovou o fortalecimento do Observatório Social e do Trabalho do Mercosul, que terá a missão de acompanhar os impactos da implementação do acordo sobre o emprego, a produção e as condições de trabalho. Também foi definida a criação de um espaço permanente de diálogo social entre representantes dos governos, dos empregadores e do movimento sindical.

Para o secretário adjunto de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, os encaminhamentos consolidam uma agenda comum para o movimento sindical da região. “O primeiro compromisso é fortalecer o Observatório Social e do Trabalho do Mercosul para acompanhar os impactos do acordo e produzir informações que orientem a atuação dos trabalhadores”, disse.

Quintino ressaltou que a campanha aprovada representa um passo importante na aproximação entre trabalhadores sul-americanos e europeus. “Também aprovamos a construção de uma grande campanha conjunta com os trabalhadores europeus, ‘Trabalho Igual, Direitos Iguais’, para garantir que os trabalhadores do Mercosul tenham acesso aos mesmos padrões de proteção e valorização do trabalho assegurados em diversos países da Europa”, afirmou.

O dirigente destacou que a prioridade, a partir de agora, será ampliar a articulação sindical para reduzir os impactos negativos do acordo sobre a classe trabalhadora. “Saímos deste encontro com uma tarefa muito importante, ampliar a articulação dos trabalhadores no Mercosul e garantir que a implementação do acordo reduza ao máximo as perdas para a classe trabalhadora, colocando os direitos e o diálogo social no centro desse processo”, concluiu.