CNM/CUT reúne lideranças e reforça unidade e organização no segmento automotivo
Evento em São Bernardo reuniu dirigentes de várias regiões e debateu tecnologia, emprego e organização sindical
Publicado: 26 Fevereiro, 2026 - 18h13
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
O Segmento Automotivo da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) realizou, nesta quinta-feira (26), um encontro híbrido que reuniu lideranças sindicais de diferentes regiões do país para discutir os impactos das transformações tecnológicas, as mudanças na organização da produção e os desafios colocados à representação sindical.
A atividade reforçou a necessidade de fortalecer a organização das trabalhadoras e dos trabalhadores diante de um cenário de transição produtiva e reestruturação industrial.
Realizado no Espaço Celso Daniel, em São Bernardo do Campo (SP), o encontro contou com participação presencial e virtual de dirigentes, assessorias e representantes da base.
A iniciativa integra a agenda nacional da Confederação voltada à construção de estratégias comuns para o segmento automotivo, buscando alinhar inovação, desenvolvimento industrial e garantia de direitos em todas as regiões onde há plantas e empresas da cadeia produtiva.
O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, afirmou que o encontro faz parte de um processo de escuta ativa da categoria. “Queremos saber como as políticas discutidas nacionalmente estão repercutindo no local de trabalho e o que ainda precisa avançar”, salientou, ao mencionar a importância de alinhar estratégia nacional e realidade das fábricas.
Loricardo também defendeu a construção de estratégias comuns para garantir direitos iguais em todo o país. “Nosso desafio é assegurar condições equivalentes no segmento automotivo, independentemente da região, fortalecendo unidade e organização”, concluiu, ao apontar a necessidade de articulação permanente entre as entidades.
Para o secretário-geral da CNM/CUT, Renato Almeida, o Renatinho, o encontro fortaleceu a unidade do segmento automotivo diante das profundas mudanças na indústria e no cenário econômico. Segundo ele, a articulação nacional é decisiva para proteger empregos, direitos e renda, além de garantir participação ativa das trabalhadoras e trabalhadores nas decisões que impactam o futuro do setor.
Renatinho destacou que o momento exige organização permanente e construção de estratégias comuns em todo o país. De acordo com o dirigente, o debate permitiu alinhar prioridades, compartilhar diagnósticos e preparar ações conjuntas de mobilização e negociação. “Precisamos atuar com firmeza para assegurar desenvolvimento com valorização do trabalho e presença sindical nas mesas”, afirmou.
Já o presidente da Federação dos Sindicatos de Metalúrgicos da CUT/SP, Erick Silva, avaliou que a expansão das montadoras para fora dos pólos industriais tradicionais exige maior articulação nacional. “A produção se espalhou pelo país e isso exige mais articulação entre sindicatos e regiões para garantir direitos e fortalecer a organização”, afirmou Erick, ao defender unidade diante da dispersão produtiva.
Ele também sustentou a importância de construir referências comuns para o segmento automotivo em todo o país. “A negociação coletiva nacional é um norte importante para assegurar direitos mínimos e fortalecer a categoria em todas as bases”, ressaltou, reafirmando o apoio da federação paulista às iniciativas que ampliem a coesão e a estratégia conjunta entre as entidades sindicais.
Diálogo permanente
O diretor executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Damasceno, destacou que o diálogo permanente entre sindicatos é fundamental para avaliar os efeitos concretos das políticas industriais. “É fundamental manter essa conversa entre sindicatos e avaliar como as políticas impactam de fato a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores no chão de fábrica”, pontuou.
Damasceno também observou que o segmento automotivo envolve uma cadeia ampla e diversa. “Não estamos falando apenas de montadoras, mas de toda uma cadeia que inclui autopeças, sistemistas e serviços, com realidades regionais bastante distintas”, observou, ao defender análises que considerem as especificidades locais sem perder a perspectiva nacional.
Influência internacional
O secretário executivo do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Aroaldo Oliveira, chamou atenção para a influência do cenário internacional sobre a produção e o emprego. “As mudanças globais e os acordos comerciais influenciam diretamente o que acontece dentro das fábricas”, alertou, ao mencionar os reflexos de decisões externas no cotidiano da categoria.
Ele acrescentou que a formulação de propostas precisa partir da realidade concreta das plantas industriais. “O diagnóstico deve nascer do chão de fábrica para orientar a política industrial, a transição energética e a defesa do emprego”, argumentou, defendendo a articulação entre análise técnica e experiência vivida pelas trabalhadoras e trabalhadores.
Integração e formação
A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, destacou a importância da participação híbrida de representantes de diferentes estados. “Essa integração fortalece o debate e amplia nossa visão sobre os impactos das novas tecnologias em toda a cadeia produtiva”, comentou, ao saudar as delegações presentes presencialmente e de forma virtual.
Ela reforçou ainda a necessidade de apropriação dos temas estratégicos pelas bases. “Precisamos compreender as novas rotas tecnológicas e as mudanças energéticas para que a categoria esteja preparada para o futuro”, acrescentou, defendendo formação e informação como instrumentos centrais para enfrentar o novo ciclo industrial.
Após as intervenções, a economista e técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, Renata Filgueiras, apresentou um panorama atualizado do segmento automotivo, com dados sobre produção, emprego, investimentos e tendências tecnológicas.
A exposição trouxe informações sobre a cadeia produtiva, os impactos da transição energética e os desafios colocados à indústria brasileira, contribuindo para qualificar o debate e subsidiar a definição de estratégias sindicais para o próximo período.
