Com apoio da CNM/CUT, metalúrgicos do Sul fortalecem a base e os sindicatos
Atividade em Santa Catarina reuniu lideranças metalúrgicas de Criciúma, Jaraguá do Sul, Araquari, Ponta Grossa e Joinville para debater estratégias permanentes de organização
Publicado: 19 Junho, 2026 - 12h30 | Última modificação: 19 Junho, 2026 - 12h43
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) promoveu nos dias 17 e 18 de junho a formação Política de Sindicalização, realizada na Colônia de Férias do Sindicato dos Mecânicos, em São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense. A atividade reuniu dirigentes sindicais de Santa Catarina e do Paraná com o objetivo de fortalecer a organização da categoria, ampliar os índices de sindicalização e construir estratégias permanentes de aproximação entre os sindicatos e os trabalhadores nos locais de trabalho.
A iniciativa integra a política permanente de formação sindical da CNM/CUT, que considera a formação, a mobilização, a organização e a comunicação como pilares fundamentais para fortalecer a representação dos trabalhadores. Durante os dois dias de atividades, dirigentes de sete sindicatos compartilharam experiências, apresentaram campanhas desenvolvidas em suas bases e discutiram formas de tornar a sindicalização uma prática contínua, capaz de ampliar a participação da categoria na vida sindical e fortalecer a atuação das entidades.
A secretária de Formação da CNM/CUT, Maria do Amparo, ressaltou que a formação sindical continua sendo uma ferramenta indispensável para preparar dirigentes e militantes para os desafios contemporâneos da classe trabalhadora. Segundo ela, investir na qualificação das lideranças sindicais significa fortalecer a capacidade de organização, mobilização e resistência dos trabalhadores diante das mudanças econômicas, tecnológicas e sociais que impactam o mundo do trabalho.
“A formação é um instrumento estratégico porque prepara dirigentes e militantes para compreender os desafios atuais da classe trabalhadora e construir respostas coletivas. Não existe organização forte sem investimento permanente em formação”, afirmou. Para a dirigente, a atividade realizada representou mais um passo na construção de uma política permanente de sindicalização capaz de aproximar os sindicatos da base e fortalecer a participação dos trabalhadores nas entidades representativas.
Amparo também destacou a importância da troca de experiências e da construção coletiva promovidas durante a atividade. “Esta atividade é um chamado à ação e à construção coletiva. É o momento de fortalecer ainda mais nossa organização, compartilhar experiências e unir forças para enfrentar os desafios que se colocam diante do movimento sindical. Cada debate, cada troca e cada participação são fundamentais para tornar nossos sindicatos mais fortes, mais próximos da base e mais preparados para defender, com firmeza, os direitos da classe trabalhadora”, declarou.
Participaram da formação os sindicatos dos metalúrgicos de Criciúma, Jaraguá do Sul, Araquari e Joinville, além do Sindicato dos Mecânicos de Joinville. Também estiveram presentes representantes do Sindicato da Reparação de Veículos de Ponta Grossa e do Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa. A diversidade de experiências permitiu um amplo debate sobre iniciativas voltadas à ampliação da sindicalização e ao fortalecimento da organização das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Para o coordenador do Ramo Metalúrgico da CNM/CUT de Santa Catarina e Paraná, e secretário de Organização Sindical da CUT Santa Catarina, Cleverson de Oliveira, o encontro possibilitou a construção de estratégias concretas para ampliar a presença sindical nas bases.
“Foi uma formação muito bacana. Os sindicatos trouxeram suas experiências e campanhas de sindicalização. Muitos oferecem incentivos aos trabalhadores, como brindes, toalhas, copos térmicos e outras ações. Em alguns casos, os sindicatos realizam promoções nas colônias de férias durante a baixa temporada. Em Joinville, por exemplo, neste mês de junho, os sócios têm acesso gratuito à limpeza odontológica. São formas de incentivar a sindicalização e fortalecer o vínculo com a categoria”, afirmou.
Segundo Cleverson, embora as iniciativas desenvolvidas pelos sindicatos contribuam para aproximar os trabalhadores das entidades, o principal instrumento de fortalecimento sindical continua sendo o diálogo político e a conscientização da categoria sobre a importância da organização coletiva. “A gente sempre reforça que o mais importante é a sindicalização pela consciência e pela política sindical. Somos um sindicato, não uma associação. É fundamental que os trabalhadores compreendam a importância da organização coletiva para a defesa dos seus direitos”, declarou.
Defesa dos direitos
O dirigente destacou ainda que a existência de sindicatos fortes é fundamental para a preservação dos direitos conquistados pela classe trabalhadora ao longo das últimas décadas. Para ele, o enfraquecimento da organização sindical representa um risco direto para a manutenção das garantias trabalhistas e para a capacidade de mobilização dos trabalhadores diante dos desafios impostos pelas transformações do mundo do trabalho.
“A última barreira entre a barbárie e os direitos que nós temos hoje é o sindicato. Quando não houver mais sindicatos, não haverá mais direitos. Por isso, fortalecer a organização sindical é uma tarefa permanente e necessária”, disse Cleverson.
Unidade e mobilização
Ao encerrar a formação, a secretária de Formação da CNM/CUT dirigiu uma mensagem aos trabalhadores metalúrgicos de todo o país e reforçou a necessidade de ampliar a organização sindical diante dos desafios enfrentados pela categoria. Para ela, a história do movimento sindical demonstra que os avanços conquistados pelos trabalhadores sempre estiveram associados à unidade, à mobilização e à capacidade de organização coletiva.
“Vivemos tempos de grandes desafios e ataques aos direitos conquistados, e é justamente por isso que precisamos intensificar nossa organização e fortalecer nossa luta. Nossa história prova que nenhuma conquista foi concedida: cada avanço nasceu da união, da resistência e da ação coletiva. É hora de ampliar o diálogo com a categoria, fortalecer nossos sindicatos e construir um sindicalismo cada vez mais combativo, democrático e presente no cotidiano das trabalhadoras e trabalhadores”, afirmou.
Amparo reconheceu o papel desempenhado pelas lideranças sindicais na construção cotidiana do movimento sindical. “A dedicação e o compromisso de cada uma e cada um fazem a diferença na construção de um movimento sindical forte e atuante. Sigamos unidos e mobilizados. É na solidariedade, na coletividade e na organização que encontramos a força necessária para defender direitos, conquistar avanços e transformar a realidade”, encerrou.
