Comunicação digital ganha espaço na ação sindical da CNM/CUT
No segundo dia de oficina da CNM/CUT, João Andrade debateu influência digital, redes digitais e estratégias para aproximar sindicatos dos trabalhadores
Publicado: 18 Agosto, 2026 - 17h30
Escrito por: Cadu Bazilevski | Editado por: Érica Aragão
A comunicação digital e o papel das lideranças sindicais nas redes sociais pautaram o segundo dia da oficina promovida pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), nesta terça-feira (18), em Guarulhos. A formação foi conduzida pelo jornalista João Andrade, da Já! Comunicação 360°.
Com experiência junto ao movimento sindical desde 2002, Andrade relacionou a comunicação à organização dos trabalhadores. Ao apresentar sua trajetória, lembrou que acompanhou dirigentes em assembleias, mobilizações e outros momentos de vitórias e derrotas da categoria.
Para o jornalista, a formação precisava provocar mudanças concretas na atuação dos dirigentes. Mais do que apresentar ferramentas, a proposta foi estimular uma reflexão sobre como a comunicação pode contribuir para o trabalho sindical e para a relação cotidiana com a base.
Papel nas redes
Um dos pontos centrais da formação foi a necessidade de compreender que dirigentes também exercem um papel público no ambiente digital. Segundo Andrade, ao assumir uma função de representação, a liderança precisa avaliar objetivos, públicos e conteúdos publicados nas redes sociais.
“A gente tem que perceber esse papel, perceber o que está colocado nas redes sociais e qual é hoje o meu objetivo em cada uma delas”, explicou. A reflexão colocou em debate a necessidade de planejar a presença digital em vez de apenas publicar conteúdo.
A discussão também passou pelas transformações no comportamento dos usuários e pela necessidade de adaptação às novas tecnologias. Facebook, Instagram, WhatsApp e TikTok foram utilizados para mostrar como os espaços de interação mudaram e passaram a exigir atenção dos sindicatos.
Ao tratar do TikTok, Andrade chamou a atenção para a oportunidade de os sindicatos conhecerem a plataforma antes que ela ocupasse um espaço ainda maior na comunicação. A rede também apareceu no debate como uma possibilidade para dialogar com trabalhadores mais jovens.
“Quem quiser se adiantar, abre uma conta no TikTok e vai experimentando, vai conhecendo os recursos”, sugeriu. Andrade lembrou que a incorporação de outras plataformas pelos sindicatos também ocorreu de maneira gradual, como aconteceu com Facebook e Instagram há alguns anos.
Onde a base está
A experiência das redes anteriores serviu para defender uma postura mais atenta às mudanças. Segundo Andrade, os sindicatos demoraram a incorporar algumas plataformas à comunicação institucional e tiveram, agora, a oportunidade de acompanhar mais de perto os novos movimentos digitais.
“Nós vamos ter a oportunidade de nos adiantar”, destacou. Para o jornalista, experimentar novas linguagens e conhecer os recursos disponíveis permite que dirigentes e entidades estejam mais preparados para acompanhar mudanças na forma como trabalhadores consomem informação.
A reflexão não se restringiu às redes e ambientes digitais. Andrade relacionou a comunicação digital à própria dinâmica do movimento sindical, que mantém contato com os trabalhadores em diferentes espaços, desde conversas presenciais até grupos de WhatsApp e perfis institucionais.
A programação aprofundou ainda a influência digital na ação sindical no local de trabalho e o uso das redes para fortalecer a organização. Os participantes trabalharam recursos do Instagram e do WhatsApp aplicados à construção de mensagens sindicais mais assertivas.
Realizada nos dias 17 e 18 de agosto, a 1ª Oficina: Comunicação Assertiva e Ferramentas Digitais na Prática Sindical reuniu dirigentes da categoria metalúrgica de todo Brasil em Guarulhos. A atividade integrou projeto desenvolvido pela CNM/CUT, IG Metall, da Alemanha, e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
